Feto volta ao formato presencial e aposta na criação coletiva
Até 1º de novembro, Festival Estudantil de Teatro apresenta em BH espetáculos de novos artistas de seis estados
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Depois de quatro anos sem edição presencial, o Festival Estudantil de Teatro (Feto) volta a reunir estudantes, artistas e público das artes cênicas em Belo Horizonte. Desta terça-feira (27/10) a 1º de novembro, a 23ª edição do evento ocupa quatro teatros com 10 espetáculos de seis estados, além de oficinas, rodas de conversa e atividades gratuitas de formação.
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O reencontro é guiado pelo tema “Gostoso é estar em bando!”, que destaca a criação coletiva. O espetáculo de abertura, “Há uma festa sem começo que não termina com o fim”, do grupo Pavilhão da Magnólia, de Fortaleza (CE), dialoga com essa proposta.
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A montagem parte dos 21 anos de trajetória do coletivo para refletir sobre as transformações vividas por seus integrantes e a relação da criação em grupo com processos artísticos e pessoais.
"O espetáculo fala sobre a trajetória de um grupo de teatro, sobre o tanto que eles se transformaram”, afirma Cris Diadorin Aguiar, integrante da coordenação do Feto. “A gente queria estimular o estudante a assistir a um espetáculo sobre estar em grupo”, completa.
A montagem propõe uma reflexão sobre a democracia diante do avanço mundial da extrema direita.
A retomada presencial tem significado especial. Depois de edições virtuais, a equipe quis recuperar a convivência de agentes da cena.
“Quando se começou a pensar em voltar, ficou muito evidente que a gente queria se encontrar, estar em bando de novo, conviver”, conta Cris.
O tema deste ano convida à criação compartilhada. “É muito gostoso estar perto. A potência da juventude é muito forte. O teatro é arte da coletividade, é importante lembrar como é gostoso estar em bando, porque a gente só faz teatro em bando”, afirma.
O festival recebeu 115 propostas de 14 estados. A coordenadora do Feto diz que a retomada de investimentos e dos mecanismos de incentivo contribui para que mais pessoas tenham condições de criar e ocupar a cena.
Professora universitária, revela que em 2018 percebeu estudantes migrando para a licenciatura por receio de seguir a carreira artística. Com a retomada dos recursos e de oportunidades para a realização de projetos, há maior disposição para produzir teatro.
“Não tem como desvincular os trabalhos que a gente recebeu este ano da vontade de fazer teatro e das pessoas se articulando. Está muito pulsante, muito potente. É muito evidente o impacto das políticas públicas sobre esse tanto de gente querendo fazer teatro, estar em cena, ter a coragem de ser artista”, avalia.
Aluna vira professora
A diversidade é outro aspecto desta edição. Ao longo de sua história, o Feto recebeu trabalhos de cerca de 20 estados brasileiros, além de grupos de outros países. Este ano, Cris Diadorin destaca a presença de Ysa Bella, artista de Goiás que participou do festival como estudante e volta como professora.
A programação reúne produções de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Ceará e Goiás. Entre os destaques estão “Grão”, sobre juventude rural e luta pela terra; “Ganga”, que aborda mineração, memória e racismo estrutural a partir das tragédias de Mariana e Brumadinho; e “Cabaré cibernético”, que investiga as relações entre redes sociais e vida cotidiana.
Oficinas
O festival mantém ainda encontros de discussão sobre os trabalhos apresentados e oferece duas oficinas gratuitas. “Gestão colaborativa nas artes da cena”, com Lena Cunha, aborda a organização de grupos artísticos; “Interpretação para cinema e TV para crianças e adolescentes” será ministrada por Byron O’Neill, um dos idealizadores do Feto.
23º FETO
Festival Estudantil de Teatro. Até 1º de novembro, no Galpão Cine Horto, Teatro Marília, Funarte MG e Sesc Palladium. Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada), à venda na plataforma Sympla. Programação completa no site fetobh.com.br.
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