AUDIOVISUAL

Cinema, estética e política se juntam em colóquio no Cine Santa Tereza

A potência política da imagem estará em debate, com exibição de filmes indígenas e de documentários baseados em arquivos do período da ditadura

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Os desafios e potências políticas das imagens na contemporaneidade ganham destaque no 11º Colóquio Cinema, Estética e Política, que começa nesta terça-feira (27/10), no Cine Santa Tereza.

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A edição adotou o tema “Retomar imagens e (Re) abrir processos”, com o propósito de investigar imagens do cinema brasileiro de forma crítica e discutir a prática do contra-arquivo.



Apagamento


“Voltamos à discussão de arquivos com foco em uma visão que subverte o arquivamento oficial. Ou seja, o uso desse material com proposta que provoque uma outra elaboração histórica, confrontando apagamentos e silenciamentos”, explica a pesquisadora Cláudia Mesquita. Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFMG, ela participa do grupo Poéticas da Experiência, responsável pelo Colóquio.


Além da discussão de arquivos com foco no período da ditadura militar brasileira, o Colóquio destaca o cinema indígena. Nesta terça-feira, o Coletivo Guahu'i Guyra de Cinema, do povo guarani kaiowá, apresentará, às 18h, os curtas “Ava marangatu” (2016) e “Guahu'i Guyra” (“Encanto dos pássaros”, 2020).


Amanhã, o fazer coletivo no cinema será debatido às 14h, com exibição de um filme ainda em processo, “Ava marangatu ete”, com a presença da realizadora Jhonn Nara Gomes. Também na quarta-feira, mesa sobre contra-arquivos indígenas terá a presença de Vincent Carelli, coordenador do projeto Vídeo nas Aldeias.


“Há 40 anos Carelli vem trabalhando em aldeias no Brasil com a gravação e devolução das imagens para os próprios povos filmados. Agora eles têm um acervo enorme”, comenta Cláudia Mesquita. “Vemos como importante a apropriação de instrumentos e ferramentas de produção de imagens pelos próprios povos, tradicionalmente filmados como objeto do cinema. Talvez esta seja uma das tendências mais importantes do audiovisual brasileiro”, observa.


Na quinta-feira (29/10), a programação vai destacar a cineasta Anita Leandro, cuja obra procura repensar memórias da ditadura militar no Brasil. Às 9h, será exibido “Retratos de identificação” (2014) e às 14h, “Anistia 79” (2026), com a presença da diretora.


Em “Retratos de identificação”, Anita usa retratos de presos, tirados pela polícia para identificação, com o propósito de refazer a trajetória de três opositores da ditadura militar que participaram da luta armada.


Em “Anistia 79”, premiado na Mostra de Tiradentes, Leandro recupera filmagem realizada por um exilado político, mostrando congresso em Roma, na Itália, sobre a anistia no Brasil. Essas imagens ficaram escondidas em Paris por quase 50 anos.



* Estagiário sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria

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11º COLÓQUIO CINEMA, ESTÉTICA E POLÍTICA
Desta terça (27/10) a quinta-feira (29/10), das 9h às 21h, no Cine Santa Tereza (Rua Estrela do Sul, 89, Santa Tereza). Entrada franca. Programação completa no Instagram (@poeticasdaexperiencia).


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