Violinista mineira conquista lugar de destaque em orquestra de Viena
Aos 24 anos, Marina Caputo, que começou a estudar música em Betim, entra para o naipe de primeiros violinos da Tonkünstler, formação de prestígio na Áustria
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Uma decisão pragmática levou Marina Caputo ao violino. Como é o maior naipe de uma orquestra, as chances de conseguir um emprego são maiores. Com este pensamento, a mãe dela decidiu que a única filha deveria se dedicar ao instrumento. Neste mês, Marina se tornou a primeira brasileira a integrar a Orquestra Tonkünstler, uma das mais tradicionais e prestigiosas de Viena.
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Aos 24 anos, a mineira é também a mais jovem integrante da formação de 100 musicistas. Foi efetivada em outubro, na seção de primeiros violinos, depois de um ano de período probatório. Não raro, um musicista de alta performance pode fazer dezenas de audições até entrar em uma grande orquestra. Marina realizou duas: uma para a Sinfônica de Viena e outra para a Tonkünstler.
“O nível das orquestras em Viena é altíssimo. Então, me sinto desafiada todos os dias. A maioria da orquestra é de europeus, mas tem muita mulher. A spalla é mulher (a holandesa Lieke te Winkel) e o naipe de segundos violinos só tem um homem. (Neste sentido) É uma diferença das orquestras brasileiras”, comenta Marina.
Há outro motivo de orgulho em integrar o corpo da orquestra. Entre 1988 e 1994, o maestro Isaac Karabtchevsky foi diretor musical e regente titular da Tonkünstler. Marina tinha 12 anos quando tocou pela primeira vez em uma orquestra. Foi na Juvenil de Heliópolis, em São Paulo, formação criada e mantida pelo Instituto Baccarelli. Durante 15 anos, Karabtchevsky foi o diretor artístico do Baccarelli – ocupou o posto até o último mês de julho.
Marina descobriu a música de concerto em Betim, onde viveu até os 9 anos. Nasceu em Belo Horizonte em uma família sem tradição musical. “Meu pai toca violão que todo brasileiro toca”, conta ela. Como ele gostava muito de música, queria que a filha aprendesse algum instrumento. Em Betim, ela começou aprendendo violão e depois piano.
O hobby começou a ficar sério quando ela chegou ao violino. O pai mudou de emprego e foi para Campinas, onde a família vive até hoje. Em São Paulo, ela entrou com 10 anos no Centro Suzuki, referência no ensino musical. Chegou a Heliópolis aos 12 e, dois anos mais tarde, entrou para a Orquestra Jovem do Estado de São Paulo. Duas referências de aprendizado neste período foram a violinista Elisa Fukuda e o maestro Cláudio Cruz.
DESAFIO
“As coisas foram acontecendo. Acho que, por estar na orquestra jovem de renome, em um ambiente onde você é estimulado semanalmente, você se sente mais desafiada”, comenta Marina. Ela tocou como solista na Sala São Paulo, participou do Festival de Campos do Jordão. Uma das competições que venceu rendeu uma bolsa para estudar na École Normale de Musique de Paris, sob orientação de Annick Roussin.
Aos 17 anos, emancipada, Marina chegou sozinha para uma temporada de dois anos na França. “A bolsa era para a escola. Para meus gastos, tive que dar um jeito.” Foram inúmeras as vezes em que ela, acompanhada do violino e de uma caixinha de som, se apresentou no Champs-Élysées e nas proximidades do Louvre. “(Para se apresentar na rua) O repertório que chama a atenção é o popular. Tocava muita música americana.” No inverno parisiense de 5 graus, cortou as pontas dos dedos das luvas para poder suportar as baixas temperaturas.
Dois anos mais tarde, mudou-se para a Áustria. No final de 2025, concluiu seu bacharelado em violino na MUK – Music and Arts University of the City of Vienna, instituição onde atualmente cursa mestrado. Nesse meio tempo, integrou a academia da Orquestra Tonkünstler. Fez a audição em 2025, tocou uma temporada inteira até ser, recentemente, oficializada como efetiva.
A Tonkünstler é a orquestra oficial do estado da Baixa Áustria. Sua “casa” é a Musikverein, em Viena, uma das mais célebres salas de concerto do mundo. A temporada 2026/2027, iniciada em setembro, sob a regência do maestro titular Fabien Gabel, enfatizou obras de Debussy, Ravel e Mahler.
Em 19 de novembro, ela será a violinista do grupo em concerto dedicado à compositora italiana Francesca Verunelli. A apresentação, no Musikverein, integra a programação do Wien Modern, um dos maiores festivais de música contemporânea do mundo.
A atividade musical intensa não permite que Marina venha com muita frequência ao Brasil. No entanto, a partir de agora, como integrante da Tonkünstler, ela pretende estreitar os laços. “Quero ver se trago mais gente para cá. Brasileiro sempre chama a atenção (nas orquestras). A ideia é começar um ciclo maior de idas e vindas para movimentar o cenário”, diz.
CONCERTO DA FILARMÔNICA
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Restam poucos ingressos para o concerto que a Filarmônica faz neste sábado (24/10), às 18h, na Sala Minas Gerais (Rua Tenente Brito Melo, 1.090, Barro Preto). O programa da “Fora de série”, regido pelo maestro José Soares, vai ser exclusivo para a música brasileira. Além de Heitor Villa-Lobos, outros quatro nomes terão obras executadas: Ronaldo Miranda, Villani-Cortês, Camargo Guarnieri e Francisco Mignone. A soprano Deborah Bulgarelli é a solista da noite. Ingressos a partir de R$ 50 e R$ 25 (meia), à venda na bilheteria e no site filarmonica.art.br.