Amor de Mozart pela mulher, Constanze, inspira espetáculo da Orquestra 415
Em curta temporada em BH, montagem escrita e dirigida por André Salles-Coelho se baseia nas cartas trocadas pelo compositor com o pai
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Aos 26 anos, Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) se casou com Maria Constanze Weber (1762-1842), que passou a se chamar Constanze Mozart.
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Irmã de Aloysia Weber (1760-1839), Josepha Hofer (1758-1819) e Sophie Weber (1763/1846), a jovem cantora alemã cresceu em família musical.
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Aloysia, por quem foi apaixonado, era soprano conhecida e recebia árias compostas por ele.
Desta quinta (22/10) a sábado (24/10), a Orquestra 415 de Música Antiga e a Cia 415 estreiam o espetáculo “O amor de Mozart”, narrando aspectos pouco mencionados da vida do compositor.
Escrita e dirigida por André Salles-Coelho, maestro e diretor artístico da companhia, a montagem é estrelada pela atriz e soprano Chervona, Gustavo Marquezini e Victor Velloso.
“O espetáculo fala do encontro do Mozart com a futura esposa, mas não é totalmente biográfico. Quis captar mais do espírito daquela época, a filosofia e muito do que está presente nas obras dele. É uma peça divertida”, conta Salles-Coelho.
Chervona, no papel de Constanze, canta quatro árias da ópera “As bodas de Fígaro” (1786). Marquezini vive Mozart e Velloso é Lorenzo da Ponte (1749-1838), o libretista do austríaco.
Autor de textos para óperas famosas de Mozart, Lorenzo foi responsável pela propagação da obra dele nos Estados Unidos.
Dedicada à música barroca, a Orquestra 415 utiliza instrumentos de época, cujas cordas são feitas com tripas de animais. Em “O amor de Mozart”, o grupo toca violino, viola e violoncelo, além de flauta doce, guitarra barroca, teorba e cravo.
O maestro diz que sincronizar e conectar teatro e música foi um dos desafios deste espetáculo.
“Tudo tem de se encaixar muito mais do que se fosse apenas a peça instrumental. A ária deve se encaixar na voz da cantora e ter o mesmo clima da peça, não adianta destoar muito”, afirma.
Salles-Coelho leu sete livros sobre o gênio austríaco para criar o espetáculo. Um deles, “As cartas de Mozart”, reúne a correspondência do compositor, especialmente aquela trocada com o pai, abrangendo o período em que conheceu a futura esposa.
“Mozart morou com a família da Constanze por um tempo e foi apaixonado pela irmã mais velha, Aloysia, antes de se envolver com a mais nova. Não deu certo. Um tempo depois, ele se interessou pela Constanze e eles se casaram. Todo esse período é narrado nas cartas”, explica.
Salles-Coelho explica que não usou trechos específicos das cartas, apenas se inspirou nelas. Observa que a filosofia iluminista e eventos como a Revolução Francesa nortearam sua escrita. “A história social estava mudando bastante, isso foi muito presente na vida do Mozart. Todos esses detalhes que ultrapassam um pouco a biografia foram usados na peça”, adianta.
“O AMOR DE MOZART”
Desta quinta-feira (22/10) a sábado (24/10), às 20h, no Teatro da Biblioteca Pública Estadual (Praça da Liberdade, 21, Funcionários). Ingressos: R$ 90 (inteira) e R$ 45 (meia), à venda na plataforma Lua Nova Cultural.
* Estagiária sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria
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