"Psicóloga segundo meu psiquiatra" mostra terapeutas em crise
Na peça com Aline Muller e Humberto Martins, profissionais de saúde mental lidam com os próprios conflitos, enquanto tentam se ajudar mutuamente
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Espetáculo que marca o retorno de Humberto Martins ao teatro depois de um hiato de mais de 15 anos, “Psicóloga segundo meu psiquiatra” chega a Belo Horizonte para única apresentação neste sábado (24/10), no Teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas.
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Ele divide a cena com Aline Muller e responde pela codireção, ao lado de Carlos Simões, que assina a dramaturgia. Tendo a psicanálise como eixo, a comédia aborda temas como ansiedade, depressão, TDAH e conflitos emocionais.
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A peça acompanha um psiquiatra em crise, que decide fazer análise. Ele vai ao consultório de uma psicóloga e terapeuta sexual, igualmente caótica, cheia de dúvidas e questionamentos, o que faz com que as sessões se transformem em verdadeiros duelos, explorando o jogo entre razão e emoção.
Martins conta que estava com vontade de voltar aos palcos e foi apresentado a Simões – autor do sucesso de público “Os homens querem casar e as mulheres querem sexo” – por Aline, que, na vida real, é sua namorada.
“Minha ideia, inicialmente, era fazer um monólogo, mas achei o texto, que trazia esses dois personagens, muito bom. Como Aline fez essa intermediação, a convenci a contracenar comigo, apesar de ela nunca ter feito teatro profissional, só filmes e séries. Disse que era tudo uma questão de ensaio e que eu mesmo ia dirigir”, conta.
Ele diz que Simões se ofereceu para dividir essa função. “Ele tem experiência com comédia, então cuidou do ritmo e da parte técnica, enquanto eu fiquei com a parte dramatúrgica”, diz.
Martins afirma que ficou tanto tempo afastado dos palcos devido às demandas da televisão. O ator comenta que passou um longo período emendando uma novela atrás da outra na Globo e preferiu focar na teledramaturgia.
“Eu poderia ter tentado fazer mais teatro junto [com a TV], mas estava numa zona de conforto, como contratado da emissora por 37 anos seguidos. Não queria me dispersar e acabar ficando esbodegado. No máximo topava fazer um filme entre uma novela e outra, porque é mais rápido”, comenta.
NOVO MODELO
A partir do momento em que a Globo adotou uma nova política de contratação, por empreitada, abriu-se a possibilidade de retorno ao teatro, segundo o ator. Ele observa que esse é um movimento coletivo e chama a atenção para a quantidade de espetáculos que circulam pelo país estrelados por rostos conhecidos das novelas globais.
“Pelo antigo modelo, a Globo não gostava que seus contratados fizessem teatro em paralelo, queria exclusividade, para não ter que ficar remanejando roteiros de gravação”, diz. Martins destaca, no entanto, que sua formação como ator se deu nos palcos, onde permaneceu até ser “descoberto” pelo produtor e diretor audiovisual Roberto Talma.
“Foi ele quem me levou para as novelas, e aí eu acabei me tornando um ator de televisão, que é outro departamento. Mas sempre tive a veia do teatro, a intimidade com a cena, então é uma coisa bem tranquila para mim voltar para esse ambiente.” Ele considera que a essência da atuação é a mesma, apenas com uma “flutuação” em tons diferentes.
“São movimentos diferentes, tanto corporais quanto internos, de intensidade, porque na televisão você está com o close no seu rosto. O teatro é a arte da presença, do tempo real diante da plateia, o que sempre me encantou muito”, diz.
O texto de “Psicóloga segundo meu psiquiatra”, segundo o ator, chegou em um ótimo momento e o cativou por ser uma comédia romântica leve que, no entanto, é construída de forma a suscitar reflexões. “É um texto complexo, inteligente, que veio pronto, só demandou alguns ajustes”, afirma.
CONFUSÃO
Martins também destaca a atualidade dos temas abordados na peça. Ele diz que tem na família e no seu círculo de amizades muitas pessoas que fazem análise ou mesmo que são psicólogos e psiquiatras.
“Observo o quanto a sociedade está carente de entendimento sobre essa confusão que é a vida moderna, sobre questões que trazem muita agonia e incertezas. As coisas ficaram muito estridentes com essa polarização que temos hoje. As pessoas podem ter ideias diferentes sem precisar odiar umas às outras”, opina.
Ele diz que o embate entre os dois personagens acaba funcionando como uma terapia coletiva. Trata-se de uma peça que faz rir, mas também emociona, segundo o ator. “É uma história que tem graça e tem romantismo, uma comédia de situação em que essas duas figuras se desnudam uma para a outra e para o público. Tem a parte séria também, do transtorno, do trauma, porque meu personagem tem os problemas dele, familiares, que estão relacionados à atualidade, às relações frívolas do cotidiano”, pontua.
“PSICÓLOGA SEGUNDO MEU PSIQUIATRA”
Texto: Carlos Simões. Direção: Carlos Simões e Humberto Martins. Com Aline Muller e Humberto Martins. Neste sábado (24/10), às 19h, no Teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas (Rua da Bahia, 2.244, Lourdes). Últimos ingressos à venda por R$ 160 (inteira) e R$ 80 (meia), na bilheteria e no Sympla.
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