CINEMA

"Rosebush pruning" mostra a vida dos ultra ricos e ultra detestáveis 

Longa internacional do brasileiro Karïm Ainouz com elenco estelar gira em torno de família americana disfuncional; estreia nos cinemas é nesta quinta (15/10) 

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“Rosebush pruning.” Nome estranho, cuja tradução, poda de roseiras, tampouco ajuda. Nada é fácil neste filme, a segunda incursão do cineasta cearense Karïm Ainouz em uma produção internacional. Com estreia nesta quinta (15/10) no cinema, o longa foi lançado em fevereiro passado, no Festival de Berlim.

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Controverso desde a première – a seu favor tem o visual deslumbrante e o elenco impecável; contra está a dificuldade de se conectar com as personagens –, o filme reúne os jovens astros Callum Turner, Elle Fanning, Riley Keough, Jamie Bell e Lukas Gage. Completando a equipe estão Tracy Letts e Pamela Anderson.


“Rosebush pruning” acompanha uma família americana tão rica quanto detestável que habita uma mansão nas montanhas da Catalunha (Espanha). São quatro irmãos e o pai, cego. A mãe morreu devorada por uma matilha de lobos. Como nada restou do corpo, os cinco veneram uma estátua no jardim da casa.


A dinâmica vai mudar com a chegada de Martha (Fanning), um jovem comum que estuda música e usa roupas fast fashion. Ela é a namorada de Jack (Bell). Primogênito, ele é idolatrado pelos demais, Ed (Turner), Anna (Keough) e Robert (Gage). Em comum, além do DNA, eles têm uma existência vazia de relacionamentos e aspirações, e a obsessão pelos lançamentos das grandes grifes.


Ed, o narrador da história, não escreve, dirige ou lê. Gosta de criar ditados vazios como “As pessoas são rosas, as famílias são roseiras. As roseiras precisam de poda”. A relação disfuncional da família é descortinada aos poucos, sob um cenário e uma fotografia espetaculares. Só que, neste mundo de beleza, o horror vive dentro de casa.


O roteiro nasceu a partir de “De punhos cerrados” (1965), primeiro longa do italiano Marco Bellocchio. A assinatura é do grego Efthimis Filippou, assíduo colaborador de Yorgos Lanthimos. Ele foi corroteirista de “Dente canino” (2009), “O lagosta” (2015), “O sacrifício do cervo sagrado” (2017) e “Tipos de gentileza” (2024). Aïnouz participou ativamente do processo.


“Lembro que, numa manhã, na pandemia, estava enlouquecido achando que ia morrer. Entrei no computador e escrevi para meu produtor dizendo que precisava filmar. (Desde essa época) Queria filmar sobre as pessoas muito ricas, pois nessa época ficou muito claro quem tinha dinheiro e quem não. Como era também uma época em que a gente não tinha muito tempo para perder, pensamos em fazer uma adaptação de outro filme”, conta Aïnouz.


Foram várias reuniões entre diretor e roteirista. “Disse que achava legal usar o filme da década de 1960 como uma espécie de planta baixa, mas não um remake. Daí sugeri que a gente mudasse o personagem central. Em vez da mãe, seria o pai”, comenta o diretor. Tudo o que acontece com a família é decorrente das ações do patriarca (Tracy Letts).


Aïnouz conta que precisava de um elenco muito conhecido. “E que também estivesse em um momento importante, que atraísse as pessoas para ver o filme. Acho ainda que era essencial ter atores que estivessem dispostos a se arriscar, pois é um filme que tem que ser feito por quem não tem nada a perder.”


PRIMEIRA OPÇÃO

Não foi difícil, diz ele. Todos os jovens foram a primeira opção. A exceção foi a personagem de Riley Keough, que inicialmente ficaria com Kristen Stewart (a atriz saiu do projeto porque começou a produzir seu primeiro longa como diretora, “A cronologia da água”). “Na hora que o roteiro começou a circular nas agências de Los Angeles, que é quando a gente contacta os atores, havia uma excitação sobre esse material.”


O papel do pai, por outro lado, foi recusado por três “grandes atores”, até o “sim” de Tracy Letts. “Ele falou: ‘Olha, a única coisa que eu não sei fazer é andar a cavalo, o resto eu posso tudo’”, conta Aïnouz. Um professor de equitação foi devidamente providenciado.


Ainda que tenha havido sequências rodadas em Barcelona, “Rosebush pruning” é basicamente um filme de uma só locação, a casa da família e seus arredores. “Acho que, quanto mais o elenco ficasse isolado, mais possuídos os atores ficariam. O coração do filme é aquela casa, que é também a maior prisão deles.”


Filmar a beleza em sua plenitude, com muitas cores – amarelos, azuis, vermelhos e verdes – era essencial para que Aïnouz contasse a história à sua maneira. “Me inspirei muito nos contos dos Irmãos Grimm, aqueles ilustrados em aquarela, para crianças. Ficava pensando como contar uma história tão sombria, que instigasse o público a pensar, que criasse desconforto.”


Para o diretor, o contraste foi essencial. “As rosas são aveludadas, sensuais, lindas, mas cheias de espinhos. A ideia também tem a ver com mídia social, principalmente os super-ricos, com sua vida sublime que, por trás, tem algo apodrecendo. Para mostrar algo que está azedando, eu precisava de uma embalagem que surpreendesse”, afirma.


“Não só a beleza, mas o humor. Então, acho que é um filme que te provoca em momentos que você não sabe se deve rir ou não. Essa ambiguidade faz parte do cinema que tem me interessado, que é o cinema que me surpreende”, afirma Aïnouz.


“ROSEBUSH PRUNING”
(Alemanha/Espanha/Itália/Reino Unido/EUA/Canadá, 2026, 97 min.) – Direção: Karim Aïnouz. Com Callum Turner, Elle Fanning, Tracy Letts, Riley Keough. Estreia nesta quinta-feira (15/10), nos cines Belas Artes 2, às 18h40 e 20h20; Centro Cultural Unimed-BH Minas, às 16h20 e 18h20 (a partir de segunda, 19/10); e Ponteio 2, às 21h.

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