"O teatro de Rogério Falabella" ocupa duas salas em BH
Aos 91 anos, o ator e dramaturgo recebe homenagem pelo conjunto da carreira, com leituras dramáticas e encenações de parte da obra, incluindo textos inéditos
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“Nossa, como você ainda está bem!” Não foi uma ou duas vezes que o ator, dramaturgo e diretor Rogério Falabella ouviu um comentário do tipo. A presença do advérbio ainda é sinal da surpresa de quem o encontra. Rogério não está bem, está ótimo.Completou 91 anos na última terça-feira(6/10).
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“Sou meio arredio a isso (uma homenagem), mas agora estou me divertindo”, afirma. A partir desta segunda (12/10), sua vida e sua obra serão celebradas no Cine Theatro Brasil e no Teatro Feluma. “O teatro de Rogério Falabella” vai promover quatro leituras dramáticas de textos dele, além de duas sessões do longa “Depois daquele baile” (2005), nascido do espetáculo homônimo.
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Diferentes gerações do teatro mineiro participam do projeto, começando pelas três filhas de Rogério. Júnia, a primogênita, é a produtora-executiva da iniciativa, idealizada pela Mesa 2 Produções. As atrizes Cynthia e Débora participam de leituras.
A caçula, nos preparativos para o início das gravações de “Avenida Brasil 2”, onde vai reprisar a personagem Nina, estará na estreia. No palco do Cine Theatro Brasil, sob a direção de Cynthia Paulino, será apresentada “Depois daquele baile”. Débora vai interpretar Dóris, viúva disputada pelos amigos Freitas e Otávio – papéis de Luiz Arthur e Rodolfo Vaz.
Diretor do filme homônimo, Roberto Bomtempo conversa com o público após a exibição de “Depois daquele baile”. Rodado em Belo Horizonte, o longa reúne Irene Ravache, Lima Duarte e Marcos Caruso.
Texto inédito
Coube a Cynthia, a filha do meio, fazer a leitura de um texto inédito do pai. Com direção de Jair Raso, “Ratos no telhado” será apresentada na quarta (14/10), abrindo a programação no Teatro Feluma.
“Papai tem mais não sei quantas peças que ninguém nunca leu. E continua escrevendo. Escolhemos duas inéditas para dar um gosto. ‘Ratos no telhado’ é curta e bonita, uma história de solidão entre um senhor (papel de Raul Starling) e uma prostituta”, conta ela. A outra inédita é o vaudeville “A esquina dos aflitos”.
Por fim, na sexta (16/10), encerrando o projeto, o primeiro texto escrito e dirigido por Rogério – e também seu maior sucesso, que ficou em cartaz por uma década, até 2009. “Perigo: Mineiros em férias” terá direção de Ilvio Amaral e Maurício Canguçu.
“Essa peça é uma radiografia do belo-horizontino que, entre janeiro e fevereiro, quer ir para a praia e sempre tem um problema”, comenta Rogério, que tem inédito o “Perigo: Mineiros em férias 2”. Esta seria sobre o retorno das férias. “Costuma dar problema. Depois que você chega em casa da praia, ou ela está inundada, ou foi assaltada.”
Nascido em Mar de Espanha, na Zona da Mata, em 6 de outubro de 1935, em uma família de sete filhos, Rogério chegou a Belo Horizonte aos 4 anos. Como um adolescente no final da década de 1940, início de 1950, adorava ir ao cinema. “Imaginava ser locutor de rádio, ou ator de radionovela, pois a televisão ainda não existia.”
Videotape
Logo se enturmou com o pessoal do teatro amador. “De repente, a TV apareceu, e meu sonho passou a ser o de ser ator.” Foi quase uma década como funcionário da TV Itacolomi, dos Diários Associados, como ator e diretor. “Com o videotape, as empresas chegaram à conclusão de que tudo deveria ir para Rio e São Paulo. Tive oportunidade de ir para fora, mas estava para casar (com a cantora lírica Maria Olympia) e o mercado publicitário era muito bom aqui.”
Rogério fez carreira na publicidade. “Como minhas filhas foram criadas neste meio, isto acabou tendo influência. De repente, entraram no mercado e foram mais felizes na profissão que eu”, diz. O lado dramaturgo só despontou a partir da década de 1990. “Eu fazia algumas coisas como ator na TV, também produzi e escrevi roteiros. Daí comecei a pensar no teatro.”
“Depois daquele baile” é outro texto desta fase inicial na dramaturgia. O sucesso da peça, depois transformada em filme, animou Rogério, que passou a escrever e montar vários espetáculos. São pelo menos 15 textos.
“Hoje em dia, ficou mais difícil montar (um texto inédito). Peguei um período em que o pessoal não estava muito preocupado em ganhar dinheiro com teatro. Normalmente, as pessoas tinham algum emprego. Na minha juventude, com o teatro amador, tinha muita gente que acabava colocando o próprio dinheiro pelo prazer de subir ao palco. Eram montagens de 10, 15 atores. Hoje, se você monta com mais de três, já é complicado”.
No computador, as inéditas aguardam sua vez. “Vai que alguém lê e decide montar?”
O TEATRO DE ROGÉRIO FALABELLA
Desta segunda (12/10) a sexta (16/10) no Cine Theatro Brasil (Avenida Amazonas, 315, Centro) e no Teatro Feluma (Alameda Ezequiel Dias, 275, Santa Efigênia). Ingressos: R$ 40 e R$ 20 (meia), para as leituras dramáticas, e R$ 10 e R$ 5 (meia) para o longa “Depois daquele baile”. À venda nas bilheterias e no Eventim.
Confira a programação
. Segunda (12/10), 19h, no Cine Theatro Brasil
“Depois daquele baile”, com Débora Falabella, Luiz Arthur e Rodolfo Vaz. Direção de Cynthia Paulino.
. Terça (13/10), 15h e 19h, no Cine Theatro Brasil
Filme “Depois daquele baile”. A sessão das 15h terá bate-papo com o diretor Roberto Bomtempo
. Quarta (14/10), 19h, no Teatro Feluma
“Ratos no telhado”, com Cynthia Falabella e Raul Starling. Direção de Jair Raso
. Quinta (15/10), 19h, no Teatro Feluma
“A esquina dos aflitos”, com Patrícia Reis, Flávia Fernandes, Henrique Carsalade, Marcelo do Vale, Fernando Gomes e Jair Raso (também o diretor)
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. Sexta (16/10), 19h, no Teatro Feluma
“Perigo, mineiros em férias”, com Carolina Cândido, Clarice Carvalho, Isadora Reis, Diorcélio Antônio, Leandro Bolina e Olavino Marçal. Direção de Ilvio Amaral e Maurício Canguçu