Exposições no CCBB-BH se despedem em ritmo de Carnaval neste fim de semana
Todo Mundo Cabe no Mundo e Volta, Belchior promovem cortejo e show gratuitos no encerramento das mostras de Marcelo Xavier e Torres García
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Duas exposições em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-BH) vão ganhar as ruas de Belo Horizonte ao ritmo do Carnaval neste fim de semana. Neste sábado (10/10) e domingo, os blocos Todo Mundo Cabe no Mundo e Volta, Belchior celebram os últimos dias das mostras “Asa de Papel – Marcelo Xavier” e “Joaquín Torres García – 150 anos”, com apresentações gratuitas na Praça da Liberdade.
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As duas exposições se conectam pela proposta de novas formas de enxergar e ocupar o mundo. Enquanto o mineiro Marcelo Xavier explora a expansão criativa para além dos livros, o uruguaio Torres García (1874-1949) propõe um novo olhar sobre a identidade sul-americana e o protagonismo cultural do continente.
Carnaval pela inclusão
No sábado (10/10), um cortejo inspirado no bloco Todo Mundo Cabe no Mundo celebra os últimos dias da exposição “Asa de Papel – Marcelo Xavier”, que permanece em cartaz até segunda-feira (12/10). A apresentação leva à Praça da Liberdade a proposta de inclusão e participação coletiva presente na obra do artista mineiro.
A concentração começa às 14h, na área externa do CCBB-BH, com aproximadamente 150 participantes, entre artistas, foliões e ritmistas. Às 15h, Marcelo Xavier fará um agradecimento às pessoas envolvidas na exposição, antes do início do cortejo pela Praça da Liberdade. O retorno ao centro cultural está previsto para as 17h.

O bloco Todo Mundo Cabe no Mundo faz cortejo para marcar o encerramento da exposição 'Asa de papel' no CCBB-BH Leandro Couri/EM/D.A. Press.Brasil.MG.Belo Horizonte. Carnaval em BH; Desfile do bloco Todo Mundo Cabe no Mundo, no bairro Funcionarios, regiao sul da capital mineira.
Criado por Marcelo Xavier há 11 anos, o Todo Mundo Cabe no Mundo surgiu a partir do movimento Preconceito Zero, idealizado pelo artista em 2012. O bloco promove um Carnaval inclusivo, incentivando a participação de pessoas com deficiência, pessoas neurodivergentes e outros públicos.
Essa proposta também está presente na exposição “Asa de Papel”. Com curadoria de Marconi Drummond, a mostra reúne mais de quatro décadas da produção de Marcelo Xavier e transforma o universo de oito de seus livros em instalações, desenhos, esculturas, sons e experiências interativas.
Assim como a exposição convida os visitantes a explorar as histórias do artista para além das páginas, o cortejo leva essa experiência coletiva para as ruas, valorizando a convivência e a diversidade.
Para Luiza Xavier, arte-educadora e filha do artista, essa é a principal conexão entre a mostra e o bloco.
“O que existe entre a exposição e o Todo Mundo Cabe no Mundo é essa vontade de criar espaços em que as pessoas não sejam apenas espectadoras. São experiências que convidam cada um a participar, ocupar a cidade, brincar, criar e perceber que a diferença não precisa ser um limite para estar junto”, afirma.
A exposição já recebeu mais de 176 mil visitantes e conta com recursos de acessibilidade, como maquetes táteis, audiodescrição, conteúdos em Libras e textos em Braille.
Um rapaz latino-americano como protagonista
No domingo (11/10), às 15h, o bloco Volta, Belchior realiza um show gratuito na área externa do CCBB-BH, com participações do Bloco da Esquina, da Bateria Alucinação e dos músicos Aloízio Horta e Wilson Lopes.
A apresentação marca o encerramento da exposição “Joaquín Torres García – 150 anos”, dedicada ao artista uruguaio, que permanece em cartaz até segunda-feira (12/10). Após passar por São Paulo e Brasília, a mostra encerra sua temporada brasileira em Belo Horizonte, reunindo cerca de 400 obras e documentos, entre pinturas, desenhos, objetos e manuscritos, além de trabalhos de aproximadamente 100 artistas que dialogam com seu legado.
Uma das imagens mais conhecidas de Torres García é o desenho da América do Sul invertida, de 1943. A obra ilustra as ideias defendidas pelo artista no manifesto “A Escola do Sul”, no qual questiona a influência cultural do hemisfério Norte e defende que a América do Sul tenha suas próprias referências artísticas. Ao inverter o mapa, o uruguaio propõe uma nova maneira de enxergar o continente, resumida na frase “Nosso norte é o Sul”.
!['América do Sul Universalismo' (1943, tinta sobre papel) pertence ao acervo do Museo Torres García e integra a exposição em BH América do Sul Universalismo, 1943 América del Sur Universalismo tinta sobre papel [tinta sobre papel] Acervo [Colección] Museo Torres García 22 x 16 cm. Joaquín Torres García - 150 anos Curadoria: Saulo di Tarso.](https://midias.em.com.br/_midias/jpg/2026/10/09/1200x720/1_america-do-sul-invertida-67926441.jpg)
'América do Sul Universalismo' (1943, tinta sobre papel) pertence ao acervo do Museo Torres García e integra a exposição em BH Divulgação/CCBB
Essa ideia aproxima a obra de Torres García das canções de Belchior. Para Kerison Lopes, produtor do Volta, Belchior, os dois artistas compartilham a defesa de uma identidade latino-americana independente. “A aproximação total é a luta pela América Latina independente”, afirma.
Belchior também manteve vínculos com o Uruguai, onde gravou com artistas locais e foi encontrado em 2009, após anos afastado dos holofotes e com seu paradeiro cercado de mistério. O curador Saulo di Tarso já tinha interesse em convidar o Volta, Belchior para o encerramento da exposição, pela conexão entre as músicas do cantor e a identidade sul-americana.
A mostra também inspirou o tema do bloco para o Carnaval de 2027: “De sonho, de sangue e de América do Sul”, verso da canção “A Palo Seco”. Para Kerison, a escolha reflete o pensamento de Torres García, que defendia “uma nova visão de universo, de mundo, em que o Sul seja protagonista”.
Para a apresentação de domingo, o bloco preparou um repertório especial, com canções de Belchior sobre a América Latina e músicas do Clube da Esquina relacionadas ao tema. O curador Saulo di Tarso também estará presente.
A entrada é gratuita, mediante retirada de ingresso, e está sujeita à lotação do espaço.
Confira a programação
Sábado (10/10) – Cortejo Todo Mundo Cabe no Mundo
Local: CCBB BH e Praça da Liberdade
14h: concentração na área externa do CCBB
15h: agradecimento de Marcelo Xavier e início do cortejo
17h: retorno e dispersão
Entrada gratuita
Domingo (11/10) – Show do Volta Belchior
Local: área externa do CCBB BH
Horário: 15h
Participações: Bloco da Esquina, Bateria Alucinação, Aloízio Horta e Wilson Lopes
Entrada gratuita, mediante retirada de ingresso, sujeita à lotação
Exposição “Asa de Papel – Marcelo Xavier”
Até 12 de outubro
Quarta-feira a segunda-feira, das 10h às 22h
Entrada gratuita, mediante retirada de ingresso no site do CCBB ou na bilheteria
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Endereço: CCBB BH – Praça da Liberdade, 450, Funcionários, Belo Horizonte.