Mostra no Cine Humberto Mauro revê obra de Hector Babenco
Com filmes restaurados pela produtora HB Filmes, ciclo conta com sessão comentada de "Pixote" e exibição de títulos de Bárbara Paz sobre o cineasta
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A obra do cineasta argentino naturalizado brasileiro Hector Babenco (1946-2016), autor de títulos como "Pixote - a lei do mais fraco", “Carandiru: o filme” e “O Beijo da Mulher Aranha”, é tema de mostra gratuita no Cine Humberto Mauro, a partir desta sexta (9/10).
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“É interessante pensar que vamos reencontrar um cinema que está olhando tanto para experiências de internacionalização do nosso cinema, depois de duas grandes campanhas para o Oscar – “Ainda estou aqui” (2024) e “O agente secreto” (2025). É pensar como o cinema brasileiro pode também se construir a partir de coproduções entre países”, afirma Vítor Miranda, gerente do Cine Humberto Mauro, sobre o ciclo.
O primeiro dia da programação traz “O Rei da Noite” (1975) e “Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia” (1977), longa-metragem que aborda mazelas da sociedade brasileira. “'Lúcio Flávio' e 'Pixote, a lei do mais fraco' falam um pouco sobre como o Estado pode oprimir os cidadãos brasileiros, como a violência de instituições que deveriam proteger o cidadão pode submetê-los à indignidade”, diz Miranda.
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A exibição de “Pixote, a Lei do Mais Fraco” (1980) será na terça-feira (13/10), às 18h, em sessão comentada por Raphael Lages. “É a primeira vez que Raphael Lages comenta uma sessão do CHM, mas queria chamar uma pessoa muito jovem para discutir este longa que fala de uma juventude marginalizada”, explica o gerente do cinema.
“Procuro convidar pessoas, pesquisadores de cinema de diferentes olhares, estudos e mesmo chamando aqueles que todos já ouviram, gosto de olhar paraos cinéfilos que estão todo dia no CHM, e esse é o caso de Raphael”, comenta.
O último longa de Babenco, “Meu Amigo Hindu”, de 2015, será exibido na quarta-feira (14/10), às 20h. O filme trata de uma parte dolorosa da vida do diretor. Willem Dafoe vive o protagonista, um cineasta que enfrenta um câncer linfático, assim como Babenco. O longa discute doença, morte e o próprio fazer cinema.
Na quinta (15/10), às 18h, será exibido um dos mais importantes longas do diretor, “Carandiru”, adaptação de "Estação Carandiru", de Drauzio Varella, a respeito do massacre ocorrido no presídio, que deixou 111 prisioneiros mortos.
Bárbara Paz
No penúltimo dia da mostra, acontece a sessão “Diálogos: Paz e Babenco” em que serão exibidos projetos da atriz e cineasta que foi companheira de Babenco em seus últimos anos. “Conversa com ele” (2018) e o documentário “Babenco - Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou” (2019) serão exibidos às 17h do sábado (17/10).
“No seu longa 'Meu Amigo Hindu', Hector já discute um pouco de sua criação artística e o medo da morte, e os filmes de Bárbara prolongam esse diálogo e reflexão entre a relação dela com ele e como pensar o próprio cinema dele discute essa finitude”, afirma Miranda.
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“Retrospectiva Hector Babenco”
Desta sexta (9/10) a 18 de outubro, no Cine Humberto Mauro, no Palácio das Artes. (Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro). Ingressos gratuitos disponíveis pelo Sympla, a partir de 12h do dia da sessão. Programação completa no site.