Espaço Comum Luiz Estrela recebe "Uma noite para nossas avós"
Evento nesta terça (6/10) tem estreia do curta documental "Com dois olhos puseram, com três olhos eu tiro", de Carina Aparecida, e leitura de trechos de livros
compartilhe
As pessoas se vão, mas as memórias ficam e delas podem surgir novas memórias. Carina Aparecida utiliza de lembranças da avó – que faleceu quase 20 anos antes de ela nascer – para falar do seu processo de iniciação como benzedeira, no documentário “Com dois olhos puseram, com três olhos eu tiro”.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
Leia Mais
O curta tem exibição em evento nomeado como “Uma noite para nossas avós”, nesta terça-feira (6/10), no espaço Espaço Comum Luiz Estrela, com o objetivo de celebrar a beleza, a força, a fé, as histórias e o legado das matriarcas.
Além do documentário, a escritora Zi Reis realiza uma leitura de fragmentos do seu livro-poema “Maria não me sai da cabeça”, e a atriz Larissa Ribeiro, integrante do Coletivo Percepção, faz leituras de trechos do livro “La Ciça”, no qual a protagonista encara uma viagem interna e externa e entende o legado transmitido a ela.
Para encerrar a programação, Pipe Nascimento faz uma leitura fragmentada de “Coração de bananeira”, livro escrito por ela, Marcos Alexandre e Soraya Martins.
“Quando decidi fazer a pré-estreia, queria ampliar isso com outros artistas que também têm trabalhos sobre memórias. Então convidei duas amigas [Larissa e Zi] que têm estes livros e também Pipe, que não conheço pessoalmente, mas cujo livro “Coração de bananeira” me tocou muito e me acompanhou no processo do curta”, afirma Carina.
Filme-rito
“Ela era uma pessoa que nunca estudou e sabia tudo. E pode ser que ela tenha aprendido tudo com a mãe dela ou com minha bisa”, diz uma das filhas sobre a avó de Carina no filme. É por meio de fragmentos como este que Carina constitui a obra, com registros de fotos de família e rituais.
O documentário é descrito pela autora como um filme-rito, que a acompanha no processo de se entender como pertencente a uma linhagem de benzedeiras. “Demorei muito pra aceitar [esse passado], então a aceitação de aprender esse ofício da bênção anda junto com o processo do filme. Ele é um filme-rito, porque acompanha essa passagem de entender que a minha arte também está conectada com esse aprendizado”, comenta.
A mãe e as tias de Carina são as responsáveis por introduzir as memórias da avó da diretora no projeto. A vontade de se conectar com essas lembranças é consequência do pedido de Dona Marlene, benzedeira que teve contato com Carina quando criança e agora foi responsável por ensinar a ela os rituais.
“Ela me convidou em 2019 e demorei anos para aceitar. Quando iniciei, em 2022, a primeira bênção que ela me ensinou foi contra o quebranto e mau olhado e é de onde vem o título do filme: ‘Com dois olhos puseram, com três olhos eu tiro”, explica a diretora.
Em paralelo ao lançamento, Carina oferece na próxima quinta-feira (8/10) a oficina “Memórias de cura e proteção de imagens”, a partir dos processos de realização de seu curta. O encontro será no Centro Cultural Vila Fátima (Rua São Miguel Arcanjo, 215 - Nossa Senhora de Fátima), das 14h às 18h, com exibição do documentário ao final.
“UMA NOITE PARA NOSSAS AVÓS”
Pré-estreia do curta “Com dois olhos puseram, com três olhos eu tiro” (BRASIL, 2026, 23 min) e leituras de fragmentos dos livros “Maria não sai da minha cabeça”, “La Ciça” e “Coração de Bananeira”, com as artistas Zi Reis, Larissa Ribeiro e Pipe Nascimento. Nesta terça-feira (6/10) no Espaço Comum Luiz Estrela (Rua Manaus, 348 - São Lucas) às 19h30. Entrada gratuita.
*Estagiário sob supervisão da editora Silvana Arantes
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia