A rua como território de encontro. A música como linguagem. O corpo como instrumento de manifestação. E o cinema como espaço capaz de fazer diferentes territórios se reconhecerem. Foi a partir desses elementos que a CineBH abriu, nesta terça-feira (22/9), no Cine Theatro Brasil, sua 20ª edição, dedicada a olhar para a América Latina e às relações entre os cinemas do continente.



A pergunta que orienta a programação é ampla: O que será do cinema e o que será da América Latina? Na abertura, a resposta foi sugerida pela performance dirigida por Chico de Paula, que combinou música afro-latina e cubana, projeções, atuação e referências culturais latinas para propor uma celebração da diversidade.


A apresentação começou na rua e chegou ao palco conduzida pelo Elekuê, projeto musical dedicado à música afro-latina e cubana. Participaram Augusta Barna, Cubanito, Evandro Canutto e Saulo Soul. A proposta era fazer do palco uma espécie de painel múltiplo do continente, reunindo linguagens, corpos e territórios.


A ideia, no entanto, nem sempre acertou. Em um dos momentos da performance, Marina Viana interpretou um texto confuso, que acumulou referências a personagens como Carlos Marighella e Marielle Franco sem estabelecer de maneira clara a conexão entre elas. A atriz também precisou recorrer ao texto escrito durante parte da apresentação, comprometendo a fluidez da cena.



No discurso de abertura, Raquel Hallak, diretora da Universo Produção, responsável pela mostra, defendeu que o cinema “é o lugar onde uma sociedade se vê, se reconhece, se questiona e imagina outros futuros possíveis”.


Ela também chamou atenção para a dimensão econômica do audiovisual. Ao defender políticas públicas contínuas, investimento privado, formação, distribuição e circulação, lembrou que um filme não encerra sua trajetória quando fica pronto. “Um filme se completa quando encontra uma tela”, disse, citando a chegada das obras às cidades, escolas, salas de cinema, festivais e plataformas.


As homenageadas desta edição foram a cineasta paraguaia Paz Encina e a escritora mineira Conceição Evaristo.



Ao receber o Troféu Horizonte, a paraguaia listou 20 filmes latino-americanos importantes em sua trajetória, um para cada ano da mostra. Entre eles, os brasileiros “Terra em transe”, de Glauber Rocha; “Edifício Master”, de Eduardo Coutinho; e “Viajo porque preciso, volto porque te amo”, de Karim Aïnouz.


Conceição Evaristo não conseguiu chegar à cerimônia. Estava em Nova York e perdeu o voo para Belo Horizonte. Participou por chamada de vídeo, recebendo, à distância, o Troféu Horizonte.


Na fala, a escritora destacou a relação construída com Belo Horizonte e classificou o prêmio como símbolo de um novo momento em sua trajetória na cidade. Para ela, a lembrança do passado se mistura às sucessivas voltas à capital mineira e à maneira como passou a ocupar o espaço da cidade.

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Ainda acrescentou: “Esse momento de experiência com vocês, esse momento de experiência de filmagem, me dá mais elementos também para pensar em literatura, para compor novas personagens, para compor novas histórias”.


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