"Era uma vez…" trata com leveza a primeira vez
Longa-metragem adaptado do livro "Era uma vez minha primeira vez", de Thalita Rebouças, fala sobre sexo em meio a amizades e inseguranças da juventude
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As amigas Teresa (Letícia Braga), Clara (Castorine), Tuca (Lívia Silva) e Patty (Duda Matte) estão se formando no ensino médio, mas, antes, querem fazer sexo pela primeira vez, apavoradas com a ideia de ir para a faculdade virgens. É a partir de um pacto entre as quatro que a trama de “Era uma vez minha primeira vez” começa.
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Dirigida por Claudia Castro, a adaptação cinematográfica do livro homônimo da escritora carioca Thalita Rebouças estreou nesta semana. Mesmo com personalidades distintas, as garotas são muito unidas, e esse é o ponto alto do filme. As diferenças entre elas se estendem à aparência e ao modo de vestir – elas não seguem um padrão e se admiram como são. Essa é uma das mudanças do filme em relação ao livro lançado em 2011.
“No livro são seis amigas, no filme são quatro. Isso é questão de orçamento, cinema tem muito disso. Mas não fico triste, gosto muito de adaptar minhas obras. Eu também trouxe diversidade de gênero e raça para essa história, que é uma coisa em que não se pensava na época, não se falava tanto”, afirma a autora.
A descoberta da sexualidade ocorre de forma natural e de maneira diferente para cada amiga. Elas dialogam abertamente sobre as sensações, medos e inseguranças que as cercam. Enquanto uma delas sente medo da dor, outra tem mais conhecimento sobre seu corpo e vontades, mas também há vergonha do próprio corpo e insegurança com uma provável quebra de expectativa.
TABU
Embora 15 anos separem as duas obras, o tabu em torno do sexo não diminuiu. Para Thalita, falar sobre assuntos polêmicos com jovens já se tornou comum. “Estou há 26 anos falando de tabu com essa galera, acho que já peguei o jeito. Trato eles muito de igual para igual, nunca mudei o tom para falar sobre esses assuntos. Comecei a ler pesquisas sobre sexualidade e vi que a geração Z é a que menos faz sexo e é menos interessada, não falam sobre isso”, afirma.
Pensando nessa realidade, ela mudou também traços da personagem Patty. No livro, a garota tinha certo nojo de sexualidade e não gostava nem ao menos de falar sobre o assunto. No filme, ela se tornou a amiga mais bem resolvida e a primeira a perder a virgindade, antes mesmo do pacto criado por elas. “É o que posso fazer com minha arte, transformar uma história, mantendo a essência dela, mas adequando aos dias de hoje.”
Teresa, Clara, Tuca e Patty lidam com diferentes problemas durante a trama. Teresa não tem medo dos sentimentos e de se entregar, apesar de não estar disposta a entrar em um relacionamento. Tuca, por sua vez, lida com um namorado tóxico. Já Clara tenta conter os próprios desejos
Quando todos esses sentimentos parecem estar prestes a explodir, a amizade se revela um porto seguro. “O sexo, na verdade, é o pano de fundo para que as meninas entendam de uma vez por todas que ‘meu corpo, minhas regras’. Nada no mundo vale uma amizade. Você não vai deixar sua amiga e rivalizar com mulher por um namoro. Tem tanta mensagem legal no filme”, afirma a escritora.
Thalita Rebouças tem no currículo outras adaptações cinema e TV, como “Fala sério, mãe” (2017), “Tudo por um popstar” (2018), “Ela disse, ele disse” (2019) e “Confissões de uma garota excluída” (2021).
“Acho muito importante poder levar pautas para o público mais jovem, falar de tópicos como sexo. Quando não estão falando sobre esses assuntos, deixa que eu falo, que eles me escutam. Não sei por quê, mas deixa eu usar esse dom.”
*Estagiária sob supervisão da editora Silvana Arantes
“ERA UMA VEZ MINHA PRIMEIRA VEZ”
(BR, 2026, 90 min.) Direção: Claudia Castro. Com Letícia Braga, Castorine, Lívia Silva e Duda Matte. Em cartaz em salas dos shoppings Pátio Savassi, Diamond Mall e no BH Shopping
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