Criado há 17 anos pelo artista Wagner Rossi Campos, o Projeto Perpendicular chega à 20ª edição em Belo Horizonte com programação dedicada à performance, desta quinta (10/9) a domingo (13/9). O Centro Cultural Usina de Cultura recebe 14 artistas no festival, que terá apresentações, rodas de conversa, oficinas e videoperformances. A programação é gratuita.
A primeira edição ocorreu em 2009, dentro da casa de Wagner, no bairro Santo Antônio, em diálogo com uma exposição que estava em cartaz na galeria da Copasa, localizada na esquina. A ideia era que o público circulasse entre os dois lugares.
Na segunda edição, o projeto já havia deixado a casa do artista para ocupar o entorno do Museu Inimá de Paula. Também passou pelos jardins do Museu de Arte da Pampulha e pelo Edifício Maletta. Ao longo dos anos, o projeto realizou ações em Belo Horizonte e em outras cidades brasileiras, além de experiências no exterior.
Um dos momentos de maior dimensão ocorreu em 2014, quando aproximadamente 50 artistas realizaram uma ocupação no contexto da 31ª Bienal de Arte de São Paulo. Os participantes viajaram por conta própria e ocuparam, durante quatro dias, espaços do Pavilhão da Bienal e do Parque Ibirapuera.
A última edição presencial do festival em Belo Horizonte ocorreu em 2017. Desde então, Wagner afirma ter ampliado a rede de artistas com quem trabalha no Brasil e em outros países da América Latina. Agora, o retorno à capital acontece com performances baseadas em temas considerados urgentes para cada um dos artistas.
O idealizador ressalta, porém, que o festival não pretende oferecer respostas ou apontar um único problema como prioridade. “Não é que a gente vai responder o que é urgente. Ninguém tem essa pretensão. A proposta é sempre trazer questionamentos, reflexões e aprofundamento”, afirma.
TEMAS
Os artistas foram convidados a partir de suas pesquisas individuais, em um processo acompanhado por Wagner e pelos cocuradores Fernando Costa e Anderson Feliciano. Entre os trabalhos estão propostas relacionadas ao universo trans e LGBTQIAPN+, às questões do feminino, à maternidade, ao trabalho, à migração e às violências.
As ações também exploram relatos biográficos, desenho, poesia e as relações entre corpo e tecnologia. Para Wagner, parte importante desta edição está justamente em propostas que não apostam no impacto imediato. “Está rolando muita coisa mais lenta, mais reflexiva, mais participativa, que exige a presença da pessoa mais junto do espectador”, diz.
A performance é o eixo do Perpendicular desde a criação, mas Wagner prefere trabalhar com uma definição mais ampla da linguagem. “Sempre gosto de dizer que é performance em campo ampliado. Entendo performance como algo que acontece de outras formas, não necessariamente como um ato cênico”, afirma.
Formado em artes visuais, Wagner se aproximou da performance durante o mestrado na UFMG. Sua pesquisa resultou na dissertação “Meu corpo é um acontecimento”. Foi nesse período que ele percebeu a falta de espaços para apresentar esse tipo de trabalho.
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“Como você vai fazer performances se não existe evento? Você vai fazer no meio da rua à toa, do nada? Então a proposta foi criar um evento onde eu pudesse colocar meu trabalho em andamento e também reunisse artistas com essas propostas”, conta.
Ele reconhece que a performance ainda pode despertar estranhamento e até preconceito, mas acredita que a experiência se transforma quando o espectador se dispõe a acompanhar a ação. “É algo muito vivo e muito real. Não é uma representação, não é uma interpretação. É o corpo presente”, diz.
A programação começa nesta quinta-feira (10/9), com uma roda de conversa entre artistas e curadores. O encontro será dedicado aos processos de criação e ao conceito que orienta o festival. Nos dias seguintes, a programação reúne performances e atividades que envolvem caminhada urbana, cartografia sonora, corpos trans e não binários, relações de trabalho, maternidade, poesia, desenho e novas tecnologias de vigilância.
Participam os artistas brasileiros Fernando Hermógenes, Ricardo Burgarelli, Gilmara Oliveira, Ricardo Villas Freire, Babilak Bah, Bem de Sá, Trupe Simbionte, Bárbara Elizei, Cecília Carvalho, Marlon de Paula, Marcelo Castro, Anderson Feliciano e Wagner Rossi Campos, além do chileno Gustavo Solar e da russa Polina Shklovskaya.
O festival também terá duas oficinas. Na sexta (11/9), “Corpos desobedientes” propõe atividades com fotografia, impressão artesanal, instalação e arte urbana, voltadas para corpos trans e não binários. No domingo (13/9), “Laboratório corpo e desenho”, conduzida por Fernando Hermógenes, aproxima práticas de desenho e performance.
A programação inclui uma mostra de videoperformances latino-americanas e cinema experimental. “Minha proposta agora é batalhar bastante para que esse projeto possa se expandir. Inclusive, para além de eventos específicos, mas também que possa atuar enquanto pensamento e memória”, afirma o curador.
20ª EDIÇÃO DO FESTIVAL PERPENDICULAR
Desta quinta-feira (10/9) a domingo (13/9), no Centro Cultural Usina de Cultura (R. Dom Cabral, 765 - Ipiranga). Entrada gratuita. Programação completa no Instagram (@projeto_perpendicular). no Instagram.
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O Festival Perpendicular integra a programação da Mostra Descontorno Cultural, que reúne 108 atrações artísticas simultâneas em Centros Culturais de nove regionais de Belo Horizonte, neste sábado (12/9) e domingo. A programação gratuita inclui shows, saraus, oficinas, contação de histórias, artesanato, apresentações de dança, performances e teatro, além de atividades voltadas para crianças e jovens. As atrações estão distribuídas pelos Centros Culturais Jardim Guanabara, Vila Marçola, São Geraldo, Vila Santa Rita e Urucuia, Pampulha, Salgado Filho, Padre Eustáquio, Venda Nova e Usina da Cultura.
