LITERATURA INFANTIL

Livro em que a lua decide ver o sol nascer ganha nova edição

"O emprego da lua", de Victor Louis Stutz, terá lançamento e bate-papo neste sábado (26/9), na sede do Corpo Escola de Dança, em Belo Horizonte

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Aos 63 anos, o escritor, jornalista e produtor cultural Victor Louis Stutz prefere escrever para crianças, acreditando ser um público mais sincero. De 12 livros lançados por ele, apenas um é para o público adulto. Belo-horizontino, mora em Ouro Preto há décadas. 

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Neste sábado (26/9), o escritor relança “O emprego da lua”, publicado pela primeira vez em 1996 – a reedição conta com a participação das filhas de Stutz. Catarina Rangel, de 25, ilustra as páginas, enquanto Liz Rangel, de 22, traduz o texto para o inglês. A sessão de autógrafos será na Corpo Escola de Dança, como parte do projeto Dança em Setembro.

A trajetória da obra é ainda mais longa. Stutz a escreveu aos 11 anos para um trabalho da escola. Irmão de Denise Stutz, integrante do primeiro elenco do Grupo Corpo, viu a escrita se tornar peça antes de ser editada.

“Ela e os bailarinos da formação original que encontraram essa história, não sei como, se eles mexeram nas minhas gavetas, não faço ideia. Mas eles acharam a história divertida e me convidaram para fazer uma montagem para a Corpo Escola de Dança, quando estava sendo criada”, afirma o escritor. O espetáculo estreou em 1982. 





O livro foi publicado pela primeira vez 14 anos depois. A história se passa no espaço, transpondo o universo a contextos do mundo real. Em “O emprego da lua”, o céu funciona como uma empresa: cada astro, estrela, objeto e corpo celeste tem uma função, conforme explica o autor. 

“A lua quebra essa harmonia, porque decide ver o sol nascer, e ela não pode fazer isso, já que recebe um salário para iluminar a Terra. Ela desafia essa ordem e é despedida, então abre-se uma vaga para o emprego da lua, quando vários personagens se candidatam”, conta. 

A ideia de relançamento surgiu quando Stutz encerrou a parceria com a editora responsável por lançar nove livros da sua autoria e reeditá-los pela própria empresa, a Mundaréu. 





“Encontrei com o Márcio Borges recentemente, ele fez a mesma coisa. Está publicando com a editora B&B produções, Borges e Brandão. Eles estão no mesmo caminho, acho que é uma tendência hoje. Então iniciei essa pequena produtora e resolvi começar com meu favorito, minha primeira história.”

Mesmo que seja o primeiro texto escrito pelo jornalista, não foi o primeiro livro publicado. Em 1984, lançou “A família da árvore”. “A escrita é algo que pratico desde novinho. É interessante que minha mãe era poeta, lembro que ela tinha uma máquina de escrever e eu adorava brincar com ela. A partir dali comecei a escrever meus primeiros livros, eles foram datilografados.”





Segundo o autor, algumas mudanças ortográficas e contextuais precisaram ser feitas para a nova publicação. “Muita coisa que antes era escrita, que era dita, hoje temos que repensar, houve avanços. Principalmente nas questões políticas e de igualdade. Nossa língua também passou por reforma. Ou seja, enquanto o autor está vivo, temos que ir acompanhando, se não ficamos desatualizados, a gente tem esse direito de mexer no próprio texto”, afirma. Para ele, difícil mesmo é parar de encontrar mudanças a serem feitas: “Penso: não vou nem ler mais, se não vou mexer de novo.”

Catarina Rangel é formada em educação física e Liz está completando a formação em museologia e já trabalha nos museus de Ouro Preto, onde as duas moram com o pai. A arte, porém, está por todos os lados na família. Filhas da pintora e desenhista Tatiana Rangel, são netas da artista plástica Anna Amélia Lopes de Oliveira (1936-2024), ou Annamélia, e do pintor e desenhista Nello Nuno (1939-1975). “Achei muito gostosa essa oportunidade. Afinal, tenho uma equipe dentro de casa, por que não aproveitar?”





Victor Stutz é também professor de artes. Em Belo Horizonte, já lecionou nos colégios Arnaldo e Marista Dom Silvério. “Elas foram minhas alunas e eu já montei a peça em escolas por onde passamos, onde elas estudaram. Então, para elas foi muito fácil fazer isso, porque já tiveram que decorar todo o texto.”

LANÇAMENTO “O EMPREGO DA LUA”

Neste sábado (26/9), às 10h, na Corpo Escola de Dança (Avenida Bandeirantes, 866, Mangabeiras). Com sessão de autógrafos e roda de conversa com o autor. Entrada gratuita.

“O EMPREGO DA LUA”



    • Victor Louis Stutz
    • Mundaréu Comunicação
    • 58 páginas
    • R$ 38



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