Música

Lenine recupera o prazer de criar e apresenta hoje o disco 'Eita' a BH

Cantor e compositor faz show neste sábado (25/7), no Minascentro, mostrando canções que saíram da gaveta após a depressão que quase o levou a deixar a música

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Lenine vê sua obra como uma forma de registrar a época em que vive. Mais que meramente compor, ele diz fazer “reportagem musical”: cada canção funciona como um capítulo sobre a contemporaneidade.

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“Para mim, é sempre uma questão maior, o olhar que você coloca sobre o que está dizendo sobre a contemporaneidade em forma de música. Cada música é como o capítulo de um livro, de um romance. Isso reafirma a condição de ser uma pessoa que vai além do momento. Tem a ver com história, tem a ver com jornalismo”, afirma.

Na ativa desde a década de 1970, o cantor e compositor traz a Belo Horizonte, neste sábado (25/7), o show de “Eita”, seu mais recente álbum, lançado em novembro do ano passado. Na faixa de abertura, “Confia em mim”, ele diz reagir a este período marcado pelo fascismo e desconfiança entre as pessoas. Já “O rumo do fogo”, com participação de Maria Gadú, trata da causa indígena e da urgência do debate sobre ela.

Lenine faz questão de dizer que esta não é a única forma de fazer música. “Não generalizo”, afirma. Há artistas voltados para o entretenimento, sem que isso seja um problema, observa.

“Minha música é mais comportamental, muito pessoal e autoral. É o meu olhar sobre as coisas. Fico imaginando que, daqui a alguns anos, alguém possa compreender os tempos de hoje por meio dos discos que fiz. Tem a presença de um historiador na música que faço”, diz.

As 11 faixas de “Eita” quase não saíram da gaveta. Antes de gravar o álbum, Lenine enfrentou a depressão e chegou a cogitar abandonar a música. Seu disco anterior, “Carbono”, fora lançado em 2015.

Bruno Giorgi

A retomada se deve ao produtor Bruno Giorgi, filho dele, que instituiu encontros semanais para trabalhar as canções engavetadas do pai. Aos poucos, Lenine recuperou o prazer de criar. “Ficou evidente que eu não conseguiria viver longe da música. Isso me deu a certeza de que precisava continuar fazendo meus romances sonoros.”

Bruno toca baixo e assina a direção do show. “Foi muito ele quem me mostrou que não poderia ficar distante do repertório que criei, da relação que construí com a música e com o público. No caso de 'Eita', além de produzir, Bruno dirige o espetáculo, toca baixo e cuida dos efeitos. Tem importância muito grande em tudo isso”, diz o pai.

Batizado com a interjeição típica do Nordeste, “Eita” reuniu conterrâneos como Djavan, Ivete Sangalo, Alcione e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que gravaram por telefone a expressão para a faixa-título.

“O projeto todo está repleto de intimidade. Intimidade e pessoalidade são duas características dele”, resume.

Depois de quase 10 anos sem lançar álbum de inéditas, Lenine afirma que “Eita” representa a retomada. “Tem o sentimento de recomeço, porque foi uma espécie de resgate do meu prazer. É como se tivesse feito as pazes comigo mesmo”, revela.

Reconciliado com a música, Lenine serenou. Aos 67 anos, aprendeu a deixar para trás pesos que carregava sem perceber. “Estou, sim, mais leve. Com o tempo, a gente vai abdicando de carregar muita coisa. Tem coisa que você carrega e nem sabe por quê. Nesse sentido, me sinto muito mais leve.”

Com mais de cinco décadas de carreira, o palco continua sendo a parte preferida do ofício. “O prazer continua o mesmo, de compor, gravar e levar tudo para o palco. Agora estou tendo o prazer imenso de mostrar este filho novo para todo mundo. O palco, para mim, é o melhor de tudo. É o objetivo final.”

Beagá , Corpo e Milton

Ao comentar a passagem por Belo Horizonte, Lenine se lembra das trilhas que compôs para o Grupo Corpo e da admiração por Milton Nascimento.

“Milton é o meu maior orixá, inaugurou um novo jeito de pensar o que a gente descreve como música brasileira. Ele foi a minha grande universidade”, declara. E aponta semelhanças entre Minas Gerais e o Nordeste.

“Minas é onde o Nordeste está melhor representado no Sudeste. Tem a culinária, a maneira de ser... Isso nos aproxima muito. Sempre que volto a Belo Horizonte, também volto para rever amigos”, conta.

Desta vez, agenda será corrida. Lenine chega à capital no dia do show e volta na manhã seguinte. Ainda assim, pretende manter o costume de passar pelo restaurante que costuma visitar na cidade, cujo nome não revela.

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LENINE

Show de lançamento do disco “Eita”. Neste sábado (25/7), às 21h, no Grande Teatro Minascentro (Av. Augusto de Lima, 785, Centro). Setor 1: R$ 350 (inteira) e R$ 175 (meia). Setor 2: R$ 290 (inteira) e R$ 145 (meia). Vendas on-line na plataforma Sympla.

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