OPINIÃO POLÊMICA

‘Ninguém quer ouvir uma música inteira sobre política’, diz Mick Jagger

Vocalista dos Rolling Stones afirmou que o papel do artista é fazer o público "esquecer os problemas" por algumas horas

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Para Mick Jagger, os shows não são lugar para discursos políticos. Em entrevista ao The New York Times publicada neste domingo (12/7), o vocalista dos Rolling Stones afirmou que os fãs vão aos shows para esquecer os problemas do dia a dia, defendeu que artistas não devem "dar lições" ao público e refletiu sobre envelhecimento, fama e o futuro da banda. Aos 82 anos, o músico também admitiu que talvez já tenha feito seu último show sem saber.

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"Basicamente, meu trabalho na música ao vivo é fazer com que as pessoas que comparecem se divirtam o máximo possível", afirmou. Segundo o cantor, o objetivo é oferecer ao público um momento de descontração.

"Por duas horas, ou o tempo que for, fazer com que esqueçam todos os seus problemas, os problemas do mundo, as prestações da casa e tudo mais; apenas proporcionar a elas o melhor momento possível", disse.

O artista ainda comparou um show a uma partida de futebol. "É parecido com ir a um evento esportivo. Todo o resto fica em segundo plano. Você está apenas observando quem vai ganhar. Não está se preocupando com todo o resto. Você não quer dar lições a eles. Seu trabalho é fazer com que eles se divirtam o máximo possível”, declarou. 

Política nas músicas, mas sem exageros

Apesar da declaração, Jagger deixou claro que não é contra abordar temas políticos em suas composições. Segundo ele, prefere tratar o assunto de forma sutil. "Adotei o hábito de fazer músicas sobre relacionamentos pessoais e, então, incluo um verso sobre política no meio. Ninguém quer ouvir uma música inteira sobre política”, opinou.

O vocalista explicou que essa estratégia permite abordar questões sociais sem transformar a canção em um discurso.

Embora defenda uma postura mais discreta, Jagger já fez comentários políticos durante apresentações. Em maio de 2024, durante um show no New Orleans Jazz & Heritage Festival, ele ironizou o governador republicano da Louisiana, Jeff Landry.

"Espero que o Sr. Landry esteja curtindo o show. Ele é muito inclusivo, sabe? Está tentando nos levar de volta à Idade da Pedra", disse o cantor no palco.

 

Landry respondeu nas redes sociais com uma referência a um dos maiores sucessos dos Rolling Stones, “Satisfaction”.  “Nem sempre você consegue o que quer. A única pessoa que talvez se lembre da Idade da Pedra é Mick Jagger. Adoro você, cara; você é sempre bem-vindo na Louisiana!", escreveu.

"Talvez eu já tenha feito meu último show"

No podcast, Jagger também falou sobre o futuro dos Rolling Stones. Questionado sobre a possibilidade de a banda realizar uma nova turnê mundial, ele disse que espera voltar aos palcos, mas reconheceu que ninguém sabe quando será sua última apresentação. "Espero que sim. Estou disposto a fazer isso", respondeu ao ser perguntado se ainda pretende sair em turnê.

Na sequência, refletiu sobre a imprevisibilidade da vida. "Será que vou saber quando sair do palco com os Rolling Stones pela última vez? Não. Talvez eu já tenha saído. Posso ser atropelado por um ônibus na porta de casa. A gente nunca sabe o que vai acontecer”, pontuou. 

Mesmo assim, afirmou que continua apaixonado pela estrada. "Gosto de viajar. Gosto de conhecer pessoas. Gosto de ir a países diferentes para fazer shows”, revelou.

Envelhecer não tem lado bom, diz cantor

Ao longo da conversa, Jagger também falou sobre o envelhecimento. Conhecido pela energia que demonstra nos palcos mesmo após os 80 anos, ele foi direto ao responder se existe algum aspecto positivo nessa fase da vida. "Não há nada de bom nisso”, declarou.

Questionado se a idade não traz sabedoria, respondeu em tom de brincadeira: "Esqueci toda a minha sabedoria."

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Segundo o cantor, o maior desafio é perceber que o corpo já não responde da mesma forma. "Você não consegue fazer as coisas tão rápido quanto gostaria. Fisicamente, é preciso ter mais cuidado”, refletiu.

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