MÚSICA

Divergência Socialista volta à ativa com show hoje em BH

Expoente da cena alternativa de Belo Horizonte nos anos 1980, grupo lança compacto em vinil, nesta sexta-feira (3/7) e prepara álbum 

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Ícone do underground de Belo Horizonte nos anos 1980, o Divergência Socialista está de volta à cena. Enquanto prepara um novo álbum e uma turnê pelo interior de Minas Gerais, o grupo criado pelo poeta, pesquisador e músico Marcelo Dolabela (1957-2020) faz show de lançamento do compacto em vinil “Aqui & aqui”, nesta sexta-feira (3/7), com uma festa a partir das 22h, no bar dançante A Obra. O disco traz duas regravações de faixas clássicas do repertório do Divergência: “Fahrenheit 451/ Jeanne Seberg” e “Voodoo Chile #56”.

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A última conta com a participação do guitarrista do Pato Fu, Jonh Ulhoa, coautor da música com Dolabela. A formação atual do Divergência reúne Silma Bijoux O'Hara (voz e ruídos), Cesco Napoli (guitarra, microkorg, voz e dadatapes) e Mamede (baixo e voz). Alê Fonseca, que responde pela produção do compacto, completa o time, tocando theremin. Silma está desde os primórdios, e Cesco entrou em 2008.

Ele é quem explica que Fonseca, um “membro orbital” do grupo, foi quem deu o empurrão para essa retomada mais efetiva.

“Ele é muito fã do Divergência, do Marcelo, então praticamente se colocou na banda, de uma forma muito natural. Começamos a ensaiar no estúdio dele (New Doors Vintage Keys), pegando o que tinha de essencial do repertório”, diz. Durante esse processo, o produtor sugeriu a gravação de um disco. Após um primeiro momento de maior exposição, o grupo teve uma trajetória entrecortada, com diversas formações – ou “dentições”, como Dolabela costumava falar – e momentos de maior ou menor atividade.

Ao longo dos últimos anos, após a morte de Dolabela, o Divergência se reuniu para apresentações esporádicas. Cesco destaca que o show de hoje marca o retorno do Divergência a uma circulação que não acontecia há muito tempo. Ele considera que o momento é propício por observar que tem havido um crescente interesse pela obra de Marcelo Dolabela e pelo cenário cultural alternativo da década de 1980.

“É um revival que está acontecendo no Brasil inteiro, impressionante. É a necrofilia da arte, como dizia o próprio Marcelo. Tem esse resgate da coisa dos anos 1980, do gótico, com uma meninada interessada no que o Divergência fez, e nós somos uma banda 40+ ou 50+ ou 60+, que é o caso da Silma. O grupo tem esse arco geracional”, diz. 

A turnê foi viabilizada pela Lei Aldir Blanc Estadual e vai passar por Montes Claros, Conselheiro Lafaiete, Diamantina, Itapecerica e terminar em Belo Horizonte. O repertório do show – e do álbum que está por vir – inclui uma seleta dos mais de 40 anos do Divergência. Cesco destaca que se trata de uma opção revisionista porque o grupo tem um déficit de registros, com gravações precárias, boa parte em fitas cassete, com qualidade ruim em termos técnicos. “O Alê fala que esse disco é uma reparação histórica”, pontua.

Linguagem vanguardista

No início do anos 1890, o Divergência dividia o underground de maneira simbiótica com grupos como Último Número e Sexo Explícito. Essa cena se configurava como “um outro lado da Esquina”, em alusão ao Clube, conforme aponta Cesco.

“Eram propostas minimalistas, com uma coisa meio punk, uma linguagem vanguardista, de experimentação, que não tinha medo de ser pop, mas que, ao mesmo tempo, estava situada num lugar inclassificável em termos de estilo”, define o guitarrista. 

O músico vê um paralelo entre o que acontecia naquele momento e o que se busca – e eventualmente emerge – hoje. “O contexto atual, onde tudo acontece ao mesmo tempo agora, às vezes até com certo anacronismo, coloca o Divergência Socialista nesse lugar do contemporâneo, que tem música pop, mas soa anti-pop”, afirma. Ele destaca que Dolabela deixou muitas letras escritas, inéditas, e que carregar o seu legado coloca o grupo em um lugar de criação e de frescor, apesar de seus mais de 40 anos de estrada.

“O Divergência ficou como uma espécie de sombra do que se firmou como estereótipo da música mineira. Acho aquela cena de Belo Horizonte dos anos 1980 muito mais foda do que a de Brasília. Se você pega Último Número e Legião Urbana, é a mesma coisa, a mesma verve, não perde em nada, só que as montanhas nos deixaram meio escondidos. Hoje tem uma outra lógica, com Djonga e Marina Sena, por exemplo, rompendo fronteiras. O Divergência é mais contemporâneo do que nunca”, diz.

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“AQUI & AQUI”
Festa de lançamento do compacto em vinil do Divergência Socialista, nesta sexta-feira (3/7), a partir das 22h, no bar dançante A Obra (Rua Rio Grande do Norte, 1.168, Savassi), com participações especiais de Alê Fonseca (theremin) e DJ Rafa Martir. Ingressos na porta, a R$ 30.

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