Leci Brandão retorna a BH com show que reúne seus maiores sucessos
Sambista diz que apresentação deste sábado (4/7), n’A Autêntica, inclui homenagem a Milton Nascimento e tem repertório "sem preocupação cronológica’"
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Ainda no embalo dos 50 anos de carreira, que comemorou em 2024, e dos 82 de vida, que completa em setembro, Leci Brandão chega a Belo Horizonte para única apresentação, neste sábado (4/7), n’A Autêntica.
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Apesar de ter lançado em 2025 um registro audiovisual para marcar sua trajetória de cinco décadas, o show que ela traz à cidade não se vincula a nenhum projeto específico – trata-se de um apanhado de seus maiores sucessos, “uma forma de agradecimento ao público”, conforme diz.
Leci teve um problema de saúde no ano passado, ficou internada em São Paulo por quase um mês, entre agosto e setembro, e conta que sentiu o baque.
“Eu nunca tinha ficado internada. Estou velhinha. Não sambo mais, não toco mais pandeiro, não toco mais tantã. O que tem acontecido, desde que retomei a agenda, sou eu cantando os principais sucessos, uma seleção, sem preocupação cronológica, porque não dá para entrar tudo”, diz. “Isso é Fundo de Quintal”, “Perdoa” e “Só quero te namorar” são algumas das músicas no roteiro.
O repertório contempla, também, “Me abraça”, do cantor e compositor Reinaldo (1954-2019), conhecido como o “príncipe do pagode romântico", que gravou no ano passado, em dueto póstumo. “Essa costuma entrar no roteiro dos shows que faço em São Paulo”, diz. Quando se apresenta em Minas, ela pontua, sempre presta homenagem a Milton Nascimento, então, desta vez, incluiu no repertório “Encontros e despedidas”.
Prestar tributo a artistas de cada estado ou região que visita, aliás, tem sido uma praxe. No registro audiovisual comemorativo de seus 50 anos de carreira, Leci, tão comumente associada ao samba, gravou músicas de Luiz Gonzaga, Alceu Valença e Fagner, além de Milton (“Canção da América”).
“Como é um projeto que repassa minha carreira, quis fazer tudo o que canto pelo Brasil. Cheguei à conclusão de que posso cantar esse repertório, porque gosto das músicas, dos compositores e sou bem recebida em todos os lugares”, comenta.
Carreira na política
Em paralelo à carreira artística, Leci ocupa, há mais de uma década, cargos públicos, e está em seu quarto mandato como deputada estadual pelo PCdoB em São Paulo. Em 2004, tornou-se Conselheira da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e membro do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher – postos que ocupou por quatro anos. Em 2010, foi convidada pelo PCdoB a se filar e se lançou como candidata ao cargo de deputada estadual, tendo sido eleita e reeleita em 2014, 2018 e 2022.
Como parlamentar, dedica-se especialmente à promoção da igualdade racial, ao respeito às tradições de matriz africana e à defesa da cultura popular. Segunda deputada negra da história da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, Leci também levanta a questão das populações indígenas e quilombolas, da juventude em situação de vulnerabilidade, das mulheres e do segmento LGBTQIAPN+. Ela foi presidente da Comissão de Direitos Humanos e vice-presidente da Comissão de Educação e Cultura.
Instada a dizer como mantém o fôlego e a disposição para encarar essa “jornada dupla” na música e na política, Leci diz acreditar que está cumprindo uma missão divina. “Não sou o tipo de artista que tem essa coisa de celebridade. Sou bem comunidade, canto para o povo da favela, do samba, do movimento negro, do movimento LGBT”, diz, acrescentando que esse é o ponto de convergência entre a arte e a política. Ela conta que se descobriu naturalmente uma pessoa alinhada com o campo progressista.
“Não aceitei de imediato o convite do PCdoB para me filiar; achava que meu trabalho artístico já tinha recados sérios, fortes. Eu nem sabia o que era esquerda e direita. Hoje tenho certeza do meu posicionamento e das minhas ideias, mas isso não foi influência de partido nenhum, foi só um reflexo da minha vida, do lugar para onde ela me levou. Estudei em escola pública, fui operária de fábrica, fui telefonista, sou compositora da Mangueira. Só não podia imaginar que uma carioca de Madureira viria a ser deputada em São Paulo”, afirma.
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LECI BRANDÃO E BANDA
Show neste sábado (4/7), a partir de 21h, n’A Autêntica (Rua Álvares Maciel, 312, Santa Efigênia). Ingressos a R$ 140 (inteira), R$ 70 (meia), R$ 75 (social, mediante doação de 1 kg de alimento não perecível) e R$ 480 (mesas e bistrôs - mezanino), à venda no site Shotgun.