Figura carimbada na cena alternativa de Belo Horizonte, sempre às voltas com projetos diversos, o músico, poeta, pesquisador e professor Francesco Napoli quer seguir na contramão da produção pasteurizada.

Foi com esse intuito que ele criou, no ano passado, o grupo Vende Peixe-se, que estreia nos palcos nesta sexta-feira (29/5), com o show de lançamento do single “Chama chama ninguém atende”, no Teatro Sesiminas.


Além do single, que acaba de chegar às plataformas, o Vende Peixe-se vai apresentar outras sete músicas compostas desde a formação do grupo e gravadas no estúdio Forest Lab, em São José do Meriti, na Baixada Fluminense, com produção de Felipe Lisciel.

Napoli explica que “Chama chama ninguém atende” é a “prestação de contas” do projeto, viabilizado com recursos do Plano Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio do edital “Seu single na Inconfidência”, da rádio rádio FM mineira.


“Os números musicais do Vende Peixe-se costumam ficar grandes porque temos a proposta de valorizar a atuação ao vivo. Em alguma medida, é uma resposta a essa situação dos músicos de hoje, de não ter um produto, um objeto, como havia na época do CD ou da fita demo. É uma ação anti-streaming, que valoriza a presença”, diz.

Ele pontua que “Chama chama ninguém atende” é um single mais adequado às plataformas, uma canção, no ritmo do coco, que, ao mesmo tempo, tem a ver com o rock dos anos 1990.

Com relação às outras músicas que compõem o roteiro do show, o músico diz que o coletivo atua em uma zona onde o experimental, a música popular, a improvisação e a colagem sonora convivem sem hierarquia. 

A fórmula, segundo Napoli, inclui transmissões, sintetizadores, fragmentos melódicos, interferências sonoras e ruídos urbanos que são manipulados em tempo real, transformando cada apresentação em uma experiência irrepetível. Ele ressalta que as ideias surgem no ensaio e, imediatamente, já viram recorte, teste e colagem.

Jeito intuitivo

“A gente trabalha de um jeito muito coletivo e muito intuitivo”, afirma. Além de Napoli na guitarra, a formação se completa com Raphael Sales, Danilo Derick e Pablo Campos, que executam baixo, bateria, teclado e lira, misturados com fragmentos sonoros previamente gravados ou extraídos de outras músicas.

O ponto de partida do Vende Peixe-se foi um improviso em cima de um jogo de futebol, com locuções radiofônicas, que acabou batizado como “Jogo” e está no roteiro do show. 

“Pegamos uma locução de uma rádio paulistana da partida em que o Brasil perdeu de 7 a 1 para a Alemanha, com aquele ritmo fantástico da narrativa, e começamos a fazer recortes, com uma pesquisa de referências, com Gal Costa cantando 'Brasil', do Cazuza, e Raul Seixas, com 'nós não vamos pagar nada', e depois coisas do Tom Zé. Esses recortes são acionados na hora, durante a execução. Tem também 'O Guarani', do Carlos Gomes. Vamos, dessa forma, criando soluções rítmicas”, detalha.

Ele diz que o Vende Peixe-se também atua em uma zona mais “pop”, valendo-se da estética do mash up. Uma das músicas que integram o roteiro do show junta “Piranha”, de Alípio Martins, comumente associado ao brega, com “Canoa, canoa”, lançada por Milton Nascimento, que traz uma aura de sofisticação.

“Aí vamos fazendo recortes e colagens com a palavra peixe extraída de várias músicas, dos Doces Bárbaros, de Dorival Caymmi, disparando isso ao vivo, ritmicamente, então dá para brincar bem solto”, diz Napoli. 

Ele destaca que o objetivo é explicitar tensões e contradições, em uma esfera que é, ao mesmo tempo, lúdica e conceitual. “É um modo de traduzir o contemporâneo, com tantas informações e tantas interferências, pensando na valorização dos ícones que a internet trouxe, só que trabalhamos com ícones sonoros. O Vende Peixe-se tem uma coisa irônica, política, divertida e, ao mesmo tempo, musical”, afirma.


“CHAMA CHAMA NINGUÉM ATENDE”
Show de lançamento do single do coletivo Vende Peixe-se, nesta sexta-feira (29/5), às 20h, no Teatro Sesiminas (Rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia). Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia), à venda pelo Sympla

Outros shows em BH neste fim de semana

>>> ARMANDINHO

Destaque da cena reggae brasileira, o gaúcho Armandinho aterrissa em Belo Horizonte para apresentar, neste sábado (30/5), às 22h, no BeFly Hall, o show de lançamento de “Se o tempo passa”, coletânea com 15 músicas lançadas nos últimos 10 anos.

O show também inclui sucessos de sua carreira. Ingressos com preços variando de R$ 100 (meia-entrada para cadeira superior prata) a R$ 260 (inteira para pista) à venda no Sympla e na bilheteria do BeFly Hall.


>>> CHOCOCORN AND THE SUGARCANES

A banda Chococorn and the Sugarcanes, formada em Santa Bárbara do Oeste (SP), chega a Belo Horizonte com a turnê “Operação embaixo d'água”.

O show, que tem como mote o lançamento do álbum “Todos os cães merecem o céu”, é nesta sexta-feira (29/5), a partir de 18h, com abertura do grupo mineiro Escadacima, no Original Pub (Rua Ituiutaba, 363, Prado). Os ingressos custam R$ 40 (2º lote), R$ 45 (3º lote) e R$ 50 (4º lote) e podem ser adquiridos pelo site Blumie.


>>> UMMAGUMMA

A banda Ummagumma the Brazilian Pink Floyd apresenta, nesta sexta-feira (29/5), às 21h, no Grande Teatro Cemig do Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro), o show inédito “Through the years 2026”.

Ingressos para plateia 1 a R$ 380 (inteira) e R$ 190 (meia) e plateia 2 a R$ 340 (inteira) e R$ 170 (meia), à venda pela plataforma Eventim ou na bilheteria do Teatro. Os ingressos para a plateia superior já estão esgotados.


>>> CONTRAINDICAÇÃO

O projeto Todas as Vozes, do Teatro Marília (Av. Alfredo Balena, 586, Santa Efigênia), promove, neste sábado (30/5), entre 18h e 21h, três shows de artistas representantes da cena independente, com destaque para a banda Contraindicação, que volta a se reunir após 30 anos.

Formado por Davi Tierro (voz), Gustavo Tatai (guitarra), Igor Ribeiro (baixo), Léo Dias (bateria) e Vinícius Moselli (guitarra), o grupo marcou presença em diversos festivais na segunda metade dos anos 1990.

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O repertório do show no Teatro Marília inclui músicas como “Abes Ricardo”, “Anjo falido” e “Por quanto tempo”. Os ingressos custam R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia) e estão à venda pela plataforma Sympla.

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