“Canjerê”, novo álbum do rapper, pedagogo e educador popular Thiago Elniño, traz um convidado para lá de especial: o cantor, compositor e ator mineiro Marku Ribas, que morreu em 2013, na faixa “Voltei para cantar”.


Em busca de material inédito de Marku, Thiago conta que passou um dia inteiro com Julia, Lira e Fátima Ribas, filhas e mulher do músico. “Escutei tudo o que ele deixou. Encontramos a gravação incompleta de um ensaio que dizia: ‘Na bênção da Lua e do meu orixá/ Voltei para cantar/ Voltei pra dizer/ Voltei por você’. Ali tinha tudo o que a gente estava tratando no disco, então desenvolvi o resto da letra”, comenta Elniño.


“A gente usou pedaços de vozes do Marku para construir a música. É uma gravação completamente inédita”, ressalta.


Parcerias

Além do cantor e compositor de Pirapora, que morreu de câncer aos 65 anos, o álbum de 14 faixas traz participações de Sérgio Pererê, Daúde, Rashid, Tássia Reis, Bixarte, Gloria Bomfim e Lazzo Matumbi, entre outros. São 12 convidados.


“Canjerê”, quarto disco de Elniño, considera a música como espaço de encantamento, consciência e cura coletiva. Originária das línguas banto, a palavra canjerê significa encontro de quem faz magia.


“Nos terrenos de umbanda e candomblé, (o termo) também é lido como festividade, festas onde as pessoas se encontram para celebrar o sagrado. Quis que meu álbum reunisse pessoas que fazem magia através das suas artes, de suas músicas, de suas esculturas. Todos que estão ali, do artista que projetou a máscara da capa à figurinista e convidados, são figuras do axé, de terreiro”, informa.


O rapper explica que “Canjerê” não se enquadra nas exigências do mercado nem reúne convidados com objetivo comercial, “tipo faça música com fulano porque vende bem, ou com sicrano porque vai performar bem nas plataformas”.


A proposta, ressalta Elniño, foi reunir pessoas que ele admira. Nascido em Volta Redonda (RJ) e criado em Belo Horizonte, diz que seus melhores amigos estão na capital mineira.


“Marku Ribas e Sérgio Pererê inspiram a minha música. Nem me lembro da primeira vez que me encontrei com o Sérgio, mas a amizade se aprofundou e se consolidou”, diz.


“Conheci Marku antes mesmo de ele ser músico. Foi numa loja de discos na galeria da Praça Sete. Nossa relação foi se desenvolvendo a partir dali”, relembra.


Thiago ressalta a importância tanto de Marku Ribas quanto de artistas como Itamar Assumpção, Jards Macalé e Luiz Melodia, que se recusaram a seguir imposições das gravadoras nos anos 1970.


“Havia pressão para que eles fizessem samba simplesmente por serem artistas pretos que tinham samba em seu repertório. Quando se recusaram a seguir essa direção, foram colocados na geladeira, sofreram retaliações e rotulados de malditos”, observa.


Elniño considera Marku Ribas o artista mais completo que já viu. “Ele não é só cantor e compositor, pois alcança a excelência em todos os pontos. O violão dele é único. Tocando percussão, cantando, compondo, atuando e dançando, também é único”, observa.


“Marku me inspira o tempo todo a mergulhar, experimentar linguagens diferentes e me aperfeiçoar nelas o máximo que puder.”


Thiago destaca o “corte geracional” que buscou imprimir a “Canjerê”, citando o encontro de veteranos com jovens como Bixarte, por exemplo.


Perseguição

Outra característica do novo trabalho é o diálogo com as religiões de matriz africana. “Ao mesmo tempo em que elas vêm tendo crescimento muito grande, sofrem muita perseguição. Meu disco surge como manifesto de resistência”, afirma.


“Fiz o álbum para que as pessoas pudessem cantar e sentir orgulho do que representam. É um disco que incita as pessoas a verem magia no seu cotidiano e poesia no seu dia a dia”, conclui Thiago Elniño.

FAIXA A FAIXA

“Canjerê”
•Com Glória Bomfim

“Opanigéria”
•Com Natache

“O chão do meu terreiro”
•Com Bixarte

“Pode vir!”
•Com Sued Nunes

“Filhos de outro lugar”
•Com Lazzo Matumbi

“A força do meu santo”
•Com Tássia Reis

“Futuros ancestrais”
•Com Rashid e Daúde

“Voltei pra cantar”
•Com Marku Ribas

“Pipas”
•Com Felipe Cordeiro

“Feitiço”
Com Felipe Cordeiro

“Doce!”

“Interlúdio”

“Kekerê”
•Com Sérgio Pererê

“Kambono”
•Com Sapopemba

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“CANJERÊ”
•Álbum de Thiago Elniño
•Deck
•14 faixas
•Disponível nas plataformas digitais

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