SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Acabar com o Megadeth foi uma decisão 100% relacionada à uma condição física e não ao processo criativo, diz Dave Mustaine, o líder de uma das mais importantes bandas da história da música pesada. No vídeo, o cantor mostra uma veia da mão para a câmera. Conta que um de seus dedos vai aos poucos se curvar para dentro, inviabilizando que toque guitarra.
"Não sei se você pode ser melhor que o número um. Alcançamos muitas coisas. É ótimo parar no topo, no auge", afirma Mustaine, sem falsa modéstia, acrescentando que quer tocar o quanto puder antes de ter que se preocupar com a condição de sua mão. Depois do fim da banda, ele pretende praticar quando der. "Não é que eu nunca mais vá pegar numa guitarra."
Depois de um disco recém-lançado e da atual turnê, prevista para durar até cinco anos, os ícones do thrash metal vão dizer adeus a sua longeva carreira de mais de quatro décadas. Não sem antes tocar mais uma vez em São Paulo - cidade onde já se apresentaram cerca de 15 vezes - no próximo dia 2 de maio, num show no Espaço Unimed, casa de shows onde estiveram há dois anos mostrando hits para uma plateia "eletrizante", segundo Mustaine.
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É assim que ele descreve o público da América do Sul, uma audiência que o surpreende por cantar até as partes instrumentais de guitarra, não só as letras. No Spotify, São Paulo aparece como a terceira cidade que mais ouve a banda, atrás de Santiago, no Chile, e da Cidade do México, na primeira posição.
"Temos noção da nossa base de fãs. O show é para eles", diz Mustaine. O artista afirma que a banda é um negócio e, sendo assim, os músicos pensam no repertório do show para cada cidade com antecedência e tentam adaptá-lo ao público local, pinçando o que vão tocar entre as mais de 200 faixas de seu catálogo. A julgar por repertórios de apresentações recentes, no palco não devem faltar clássicos como "Hangar 18", "Symphony of Destruction", "Peace Sells" e "Holy Wars? The Punishment Due".
Em "Megadeth", o último disco da banda, o grupo deu as boas-vindas ao guitarrista Teemu Mäntysaari. Mustaine conta que ele foi indicado ao posto pelo antigo dono do instrumento, o brasileiro Kiko Loureiro. Mustaine diz que gostaria que o finlandês tivesse entrado na banda antes e que ele é um dos melhores guitarristas com quem já tocou, por ter facilidade e fluidez no domínio da guitarra, fazendo parecer com que tocar seja algo sem esforço.
Neste disco, a banda incluiu como faixa extra uma cover de "Ride the Ligthning", do Metallica, música de 1984 que Mustaine ajudou a compor antes de deixar aquela banda para fundar a sua. Quem acompanha as entrevistas de Mustaine ao longo do tempo tem a impressão de que ele nunca superou o fato de não ter feito parte do Metallica, que se tornou o maior nome do heavy metal mundial.
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Tanto que incluiu "Ride the Lightning" como a última faixa do último disco do Megadeth. "Achei que seria muito legal fechar o círculo e prestar minha homenagem", diz Mustaine. "Sempre respeitei James [Hetfield, do Metallica] como guitarrista." Segundo Mustaine, foi um grande desafio criar a própria versão da faixa, um dos clássicos da música pesada. "Aceleramos um pouco. Reforçamos as guitarras e as baterias. Tinha que ficar tão boa ou melhor que a original."
MEGADETH
- Quando 2 de maio, sábado, 21h30
- Onde: Espaço Unimed - r. Tagipuru, 795, São Paulo
- Preço: Ingressos esgotados
