A artista plástica Selma Weissmann, de 78 anos, morreu domingo (15/3), em Belo Horizonte. O enterro ocorreu nesta segunda-feira (16/3), no Cemitério do Bonfim. Pintora e desenhista de destaque, Selma manteve ateliê por vários anos na capital, onde criava, dava aulas e revelava talentos.
A Escola Guignard da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) lamentou a morte da artista, que lá estudou de 1965 a 1975. Nos anos 1980, Selma se tornou professora de pintura e desenho da escola. Participou de mostras coletivas e fez exposições individuais no Brasil e no exterior.
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“Seu legado permanecerá vivo na história da instituição e da arte em Minas Gerais”, destacou a Guignard, em nota oficial.
“Selma afirmava que toda pintura guarda algo de autorretrato e reconhecia em suas imagens a presença de sua história pessoal. A recorrência do tema feminino em seu trabalho estava ligada às memórias de uma infância cercada por mulheres, entre mãe, tias e amigas da família, em um contexto em que os papéis de gênero eram fortemente marcados”, lembrou a nota da Escola Guignard.
Figuras femininas sempre tiveram forte presença na pintura de Selma Weissmann
“Ensino a meus alunos que desenho e pintura não têm nada a ver, são coisas diferentes. Mas, no fundo, há relação entre os dois. No meu caso, o volume da pintura depende muito do desenho”, afirmou Selma em entrevista ao Estado de Minas. “Desenho dá domínio da mão, do pincel, e, independentemente disso, é lindo”, explicou ela ao repórter Walter Sebastião, em 2013.
Selma veio de família de artistas – entre eles Franz Weissmann (1911-2005), um dos escultores mais importantes do Brasil, fundador e professor da famosa escola que Guignard manteve no Parque Municipal de Belo Horizonte.
Os pais da pintora cultivavam a escrita e a literatura, mas ela afirmou que seu gosto pela atividade artística não se devia propriamente a esse convívio.
“Minha dedicação à arte veio da curiosidade sobre o mistério de como se faz aquele trabalho, além de muito estudo e da pretensão de criar. Isso me cobrou uma vida inteira”, disse ela a Walter Sebastião.
Ilustração de Selma Weissmann para o livro 'As pietás', de Rosangela Ferreira de Sousa Lima, lançado em 2009
Mãe de Leonora Weissmann, artista plástica, professora e cantora de destaque na cena cultural contemporânea de BH, Selma criou a família no mesmo ambiente artístico que a formou.
Sua casa era um ateliê vivo, contou Leonora. Desde criança, a futura pintora acompanhava Selma na Escola Guignard e o pai, Manoel Serpa, que dava aulas na Escola de Belas-Artes da UFMG. “Gostava de ver meus pais pintando”, revelou.
Amigos lamentaram a morte da pintora, desenhista e professora. “Minha homenagem sentida a Selma, um exemplo de crença no fazer artístico”, afirmou o arquiteto Gustavo Penna.
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“Selma Weissmann era uma das maiores do Brasil, com trabalho requintado e marcante. Além de participar de algumas de suas exposições, ela me deu a alegria de ceder imagens de seus quadros para o meu álbum 'Balada dos casais', lançado em 2017”, postou o músico, produtor e ator Thelmo Lins em seu perfil no Instagram.
