Este ano não deu para o Brasil no Oscar. Um dos favoritos por parte da crítica na categoria Melhor Filme Internacional, “O agente secreto” perdeu para o norueguês “Valor sentimental”, de Joachim Trier.
Disputando como Melhor Ator, o protagonista do longa de Kleber Mendonça Filho, Wagner Moura, perdeu para Michael B. Jordan, de “Pecadores”. Na categoria de Melhor Filme, em que “O agente secreto” também concorria, o vencedor foi “Uma batalha após a outra”, de Paul Thomas Anderson.
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A primeira categoria em que o Brasil estava no páreo a ser anunciada foi Direção de Elenco, que estreou nesta 98ª edição do Oscar, e na qual o longa pernambucano perdeu para “Uma batalha após a outra”.
Em Melhor Filme Internacional, os demais concorrentes eram “Foi apenas um acidente”, do iraniano Jafar Panahi, representando a França, que coproduziu o filme; o espanhol “Sirât”, de Oliver Laxe; e o tunisiano “A voz de Hind Rajab”, de Kaouther Ben Hania.
Coube a Javier Bardem e Priyanka Chopra-Jones apresentarem a categoria. “Não à guerra e Palestina livre!”, cravou o ator espanhol antes do anúncio do vencedor.
No ano passado, o Brasil ganhou seu primeiro Oscar, com a vitória na categoria de “Ainda estou aqui”, de Walter Salles, inspirado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva. Em cartaz nos cinemas brasileiros desde novembro e disponível na Netflix desde o último dia 7, “O agente secreto” já ultrapassou a marca de 2,5 milhões de espectadores.
Agradecimento
Vencedor na categoria Melhor Ator, Michael B. Jordan, interpreta os gêmeos Fumaça e Fuligem em “Pecadores”, de Ryan Coogler. Esta foi a primeira indicação do ator de 39 anos.
“Estou aqui por causa das pessoas que vieram antes de mim”, disse, ao agradecer nomes como Will Smith e Denzel Washington. “Obrigado pela oportunidade e pelo espaço para que eu pudesse ser visto”, continuou. Com a vitória, Jordan se tornou o sexto ator negro a vencer a categoria. Ele também agradeceu aos colegas de elenco. Wagner Moura, assim como toda a plateia do Dolby Theater, aplaudiu de pé.
Na categoria Direção de Elenco, o Oscar ficou com Cassandra Kulukundis, de “Uma batalha após a outra”. Ela dedicou o prêmio para diretores de elenco que nunca tiveram reconhecimento, tanto no Oscar quanto nos créditos dos filmes em que trabalharam.
Wagner Moura, Paul Mescal (“Hamnet: a vida antes de Hamlet”), Gwyneth Paltrow (“Marty Supreme”), Delroy Lindo (“Pecadores”) e Chase Infiniti (“Uma batalha após a outra”) apresentaram a categoria, cada um representando o concorrente do próprio filme e elogiando seu trabalho.
Wagner Moura subiu ao palco do Teatro Dolby para apresentar o vencedor do Oscar 2026 de Melhor Direção de Elenco
Moura se dirigiu a Gabriel Domingues, diretor de elenco de “O agente secreto”, e começou destacando que o longa se passa nos anos 1970. “Gabriel Domingues teve que preencher o filme com pessoas que pareciam pertencer àquela época. Gabriel, você conseguiu, você encontrou os rostos certos e fez isso com cuidado e carinho tanto para os papéis menores quanto para os maiores, o que deu uma vida imensurável ao nosso filme”, disse, completando em português, “por isso eu quero dizer parabéns”.
Além de “Uma batalha após a outra”, o longa brasileiro concorreu com “Hamnet”, com direção de elenco a cargo de Nina Gold, “Marty Supreme”, assinado por Jennifer Venditti, e “Pecadores”, por Francine Maisler.
Diversidade
O elenco de “O agente secreto” inclui profissionais de diversos estados, idades e características, num trabalho que procurou ressaltar a diversidade da população brasileira. Quatro mineiros atuaram no longa: Carlos Francisco, Laura Lufési, Wilson Rabelo e Luciano Chirolli.
Além de “O agente secreto”, o Brasil estava representado no Oscar por Adolpho Veloso, na categoria Melhor Fotografia, por seu trabalho na produção estadunidense “Sonhos de trem”, de Clint Bentley. Ele perdeu a estatueta para Autum Durald Arkapaw, de “Pecadores”, que liderava as bolsas de apostas.
Em 98 anos de Oscar, ela foi a primeira mulher a levar o prêmio na categoria e a quarta a ser indicada. Aplaudida de pé, ela destacou o apoio de outras mulheres e pediu que todas as presentes no teatro se levantassem.
O paulista Adolpho Veloso, que concorreu ao Oscar de Melhor Fotografia, posa para os fotógrafos ao chegar ao Teatro Dolby, em Los Angeles
Veloso foi o segundo indicado do Brasil na categoria. Em 2004, Cesar Charlone concorreu por “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles.
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Momentos antes do início da cerimônia, ele disse que estar entre os indicados já era uma grande honra. “Eu estava muito ansioso com as indicações. Achava que tinha chances, mas podia não acontecer”, contou. “Fiquei tão feliz com a indicação, é tão surreal! É um privilégio e uma honra tão grande ser indicado de participar desse momento histórico do cinema brasileiro que eu já estou muito feliz”, afirmou.
