Se "O agente secreto" desbancar o favoritismo de "Uma batalha após a outra" e "Pecadores" na categoria de melhor filme, quem subirá ao palco para receber o Oscar neste domingo (15/3) em Los Angeles é a produtora Emilie Lesclaux.
Nascida na França e radicada no Recife (PE), a produtora é casada com o diretor Kleber Mendonça Filho e assina também a produção dos longas anteriores do cineasta: "O som ao redor", "Aquarius", Bacurau" e "Retratos fantasmas". "O apoio do público brasileiro tem sido muito especial", destaca Emilie. Leia, a seguir, entrevista com a produtora.
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A campanha de divulgação do filme para ser assistido pelos votantes do Oscar chegou ao fim. O que foi mais marcante e quais lições a vivência desse processo deixa para uma produtora?
Foram meses muito intensos de campanha. O que fica é a experiência humana de conhecer muita gente incrível que trabalha em diversos setores do audiovisual, nos Estados Unidos e também na dezena de países que visitamos nesse período. Foi muito interessante trabalhar com profissionais como os da Neon que têm uma experiência impressionante nessas campanhas e que também são verdadeiros cinéfilos. Estou muito agradecida também pelo apoio incrível do público brasileiro: nas sessões, na rua, nas redes sociais, no carnaval. É algo muito especial que nos ajudou muito nessa campanha.
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Do ponto de vista da produção, o que o Brasil precisa fazer para que "Ainda estou aqui" e "O agente secreto" não se tornem pontos isolados no cinema nacional?
Acho que não são casos tão isolados. Tivemos o filme de Gabriel Mascaro, "O último azul", que ganhou o Urso de Prata em Berlim ano passado. Agora na Berlinale, mais de 10 filmes brasileiros foram selecionados e alguns premiados, como "Feito pipa" (Urso de Cristal). Estarmos no Oscar por dois anos consecutivos é algo muito importante, mas acho que existem outros parâmetros para medir a saúde do cinema nacional.
O desafio é garantir a continuidade e a estabilidade nas políticas públicas para o audiovisual e apoiar ainda mais a diversidade de cineastas, produtores, regiões representadas, para que o surgimento de filmes fortes não dependa apenas de iniciativas excepcionais. Precisamos fortalecer o ecossistema como um todo: financiamento, distribuição, formação de público, preservação. A regulação do streaming também é decisiva para garantir que as plataformas também invistam na produção nacional e que o setor seja fortalecido.
