Indicado ao Oscar de Melhor Ator por “O agente secreto”, de Kleber Mendonça Filho, Wagner Moura fez uma retrospectiva da própria trajetória em entrevista publicada nessa segunda-feira (2/3) no canal de YouTube da plataforma Letterboxd.

Ele começou por "Tropa de elite", de José Padilha, no qual interpretou o Capitão Nascimento. Moura comentou o impacto da pirataria, que fez o filme circular antes mesmo de estar finalizado, e falou sobre a apropriação do longa pela extrema direita. “Você não controla a narrativa de um filme… as leituras que as pessoas farão são diferentes e, às vezes, não são o que você espera”, disse.

“Para mim, 'Tropa de elite' sempre foi um filme sobre como a polícia e o Estado operam de fato no Brasil, porque a polícia no Brasil não existe para proteger o cidadão, ela existe para proteger o Estado”, afirmou.

Sobre "Saneamento básico", de Jorge Furtado, no qual contracenou com Fernanda Torres e Camila Pitanga, avaliou a produção como uma comédia inteligente e sofisticada.

Ao recordar "Cidade baixa", de Sérgio Machado, destacou a amizade de três décadas com Lázaro Ramos. Contou que se conheceram quando ele tinha 18 anos e Lázaro, 16. Foi ao backstage de uma peça do colega e disse: “Eu quero ser seu amigo, podemos ser amigos?”. Desde então, mantêm a parceria e são padrinhos dos filhos um do outro.

O alcance internacional da carreira também entrou na conversa. Ao citar a série "Narcos", Moura contou que o cineasta iraniano Jafar Panahi, de "Foi apenas um acidente", assistiu à produção enquanto estava preso em Teerã.

Já em "Guerra civil", dirigido por Alex Garland, o ator ressaltou a atualidade do enredo, que aborda a polarização política e a crise do jornalismo. “A importância do jornalismo para o mundo é enorme. A crise que este pilar da democracia está passando agora me deixa realmente preocupado”, afirmou. 

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Por fim, ao comentar "O agente secreto", elogiou o estilo de Kleber Mendonça Filho por não oferecer respostas prontas ao espectador. “Gosto muito quando assisto a um filme em que tenho que montar o quebra-cabeça, em que o público precisa participar.”

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