Marlene Barros aborda opressão da mulher na mostra 'Tecitura do feminino'
Exposição será aberta nesta quarta-feira (4/3) e vai até 1º de junho, no CCBB-BH, com 13 obras da artista maranhense
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Escultura, crochê e bordado se amalgamam nas obras de Marlene Barros para propor reflexões contundentes sobre o corpo feminino e as violências de que ele é vítima, bem como a desvalorização histórica das mulheres no campo das artes. Esta é a proposta da exposição da artista maranhense que o CCBB-BH abriga a partir desta quarta-feira (4/3).
“Marlene Barros: tecitura do feminino” reúne 13 obras que transformam o gesto íntimo de costurar em narrativa pública de resistência, pertencimento e reinvenção. A artista destaca que as questões no cerne da exposição sempre permearam seu trabalho.
“Como mulher, seria impossível produzir arte que ficasse à parte, uma arte que não se importasse com essa causa. Nunca pensei em falar sobre outra coisa”, ressalta.
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Durante séculos, mãos femininas bordaram silêncios, costuraram ausências e coseram memórias em linhas quase invisíveis, diz Marlene.
“Restrito ao espaço doméstico e marcado pela desvalorização histórica, o trabalho feminino foi frequentemente relegado à condição de artesanato, visto como menor e privado. Por isso, neste projeto, agulha e linha se tornam instrumentos de denúncia e elaboração simbólica”, enfatiza.
'Saco de pancada'
Contundência é a palavra que melhor se aplica a “Saco de pancada”, obra de 2023, em que o tronco feminino faz as vezes do equipamento usado para treinamento de boxe. Leem-se, escritos à caneta, xingamentos geralmente dirigidos às mulheres.
Em “Grávidas” (2000), várias esculturas de gestantes amarradas pelos pulsos pendem da estrutura de onde descem as cordas.
“Meu desejo é provocar reflexão. Não tenho a intenção de escandalizar ou coisa do tipo, embora às vezes até pareça um pouco isso, porque uso muito a arma do próprio agressor para falar com ele. Quer dizer, tem trabalhos realmente incisivos”, explica Marlene.
Pérolas, o contraponto
Peças ornadas com pérolas cumprem a função de contraponto, evocando leveza e beleza. Duas delas – “Entre nós”, instalação imersiva com órgãos femininos feitos em crochê, e “Coso porque está roto”, três casacos que, na parte de dentro, reproduzem o interior do corpo humano – se relacionam com o trabalho de Marlene para o mestrado em arte contemporânea na cidade portuguesa de Aveiro.
O projeto, interrompido pela pandemia, consistia em remendar com costura, bordado e crochê as fissuras de uma casa em ruínas.
“Minha intenção não consistia apenas em abordar questões relacionadas à casa, mas utilizar essa prerrogativa para ir além e tocar em aspectos ligados ao universo feminino”, explica a autora.
“Tecitura do feminino” expõe obras realizadas por mais de duas décadas. A curadora Betânia Pinheiro conta que não fez um recorte cronológico, mas uma narrativa em que a linha é o elemento de união.
A partir da instalação que Marlene criou com calcinhas em São Luiz (MA), Betânia se interessou pela forma como ela “destrava” silêncios e veio acompanhando o processo adotado pela artista. “Resolvi partir das linhas. Como acessar o espectador com as linhas? O que elas estão dizendo? Este foi o recorte”, conclui.
Visita guiada e oficinas
No próximo sábado (7/3), das 15h às 17h, visita mediada à mostra será acompanhada por Marlene Barros e a curadora Betânia Pinheiro. No domingo (8/3), Dia Internacional da Mulher, a curadora ministra, às 16h, a palestra “Tecitura do feminino: processos”.
Na oficina “Arpilleras de si”, proposta pela artista, psicóloga e psicanalista Maria Vasconcelos, homens e mulheres poderão materializar memórias em retalhos. A atividade será realizada de 11 a 14 de março e de 15 a 17 de abril, sob orientação de Maria, e de 11 a 15 de maio, com Marlene, sempre das 14h às 17h. A instalação resultante do processo vai integrar a mostra.
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“TECITURA DO FEMININO”
Mostra de obras de Marlene Barros. De hoje (4/3) a 1º de junho, no CCBB-BH (Praça da Liberdade, 450, Funcionários). Horário: de quarta a segunda, das 10h às 22h. Entrada franca, com ingressos disponíveis no site e na bilheteria do CCBB-BH