DESPEDIDA

Velório de Adriana Araújo reúne músicos e fãs

Personalidades como Markim Cardoso e Fabinho do Terreiro se despediram da cantora na Escola de Samba Unidos dos Guaranys

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Personalidades da música, lideranças de movimentos sociais, autoridades e fãs da sambista Adriana Araújo lotaram, na manhã desta terça-feira (3/3), a quadra da Escola de Samba Unidos dos Guaranys, no Aglomerado Pedreira Prado Lopes, em BH, para se despedir da artista. Adriana morreu na segunda (2/3), aos 49 anos, em decorrência de um aneurisma cerebral. 
 
 

Ela deixa o marido, Evaldo, e o filho, Daniel, de 13 anos. Os dois acompanharam o velório, inicialmente previsto para ocorrer das 10h às 12h, mas que precisou ser estendido devido ao grande número de pessoas que formavam fila no quarteirão da quadra.

Entre os presentes estavam o filósofo e ativista Markim Cardoso, o sambista Fabinho do Terreiro e representantes de ao menos três terreiros de umbanda da capital – Adriana era umbandista.
Para homenageá-la, a Unidos dos Guaranys enfeitou a quadra com extenso varal de camisetas da agremiação estampadas com o rosto da cantora e público cantou clássicos como “Não deixe o samba morrer” e “O show tem que continuar”.

“Que soco no estômago. É muito doído ver uma pessoa jovem, com a energia que ela tinha, com tanta coisa ainda para realizar, partir assim. O Brasil precisava ter conhecido mais a Adriana, que merecia ter vivido muito mais”, afirmou o rapper Roger Deff ao Estado de Minas.
 
 
“Ela representa o samba de Belo Horizonte. Estamos falando de uma mulher preta retinta, da periferia, que se tornou uma figura simbólica para o samba da cidade, para a música produzida em BH, para a música mineira. Perdemos uma pessoa incrível, uma artista talentosíssima”, emendou. 
 

Para a cantora, pesquisadora e escritora Fabiana Cozza, Adriana era “uma jovem artista que estava conquistando seu espaço no samba e já se destacava na cena mineira”. “Tínhamos uma relação de muito carinho. Eu compartilhava com ela minha experiência, sempre de forma crítica, porque sabemos como a indústria cultural e o mercado são cruéis e racistas, especialmente com pessoas negras ligadas ao samba. Nossas conversas passavam muito por isso”, lembrou.

Ela ainda acrescentou: “Mesmo diante de tantas dificuldades, de toda a luta que sei que ela enfrentou, Adriana conseguiu nos fazer muito felizes. Quando cantava, parecia realizada. É uma perda para o samba de Belo Horizonte e para nós, sambistas, mas vamos guardá-la com muito carinho”.

Adriana estava internada desde sábado (28/2), quando passou mal em casa, desmaiou e foi levada a uma UPA. Depois, foi transferida para o Hospital Odilon Behrens. Os médicos diagnosticaram um aneurisma cerebral, que provocou hemorragia de grande extensão. Desde então, ela permanecia em coma, entubada e sob cuidados intensivos. O sepultamento ficou restrito aos familiares.

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