Caso Adriana Araújo: entenda o que é um aneurisma cerebral
Cantora desmaiou na noite do último sábado (28/2) e exames constataram uma hemorragia no cérebro; na tarde desta segunda-feira (2/3), foi constatado o óbito
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Na noite do último sábado (28/2), a cantora Adriana Araújo sofreu um aneurisma cerebral. Em nota oficial divulgada pela equipe, a artista estava em casa quando passou mal e desmaiou. Após ser levada a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), Adriana foi transferida para o Hospital Municipal Odilon Behrens, em Belo Horizonte, onde foi constatada a condição. Na tarde desta segunda-feira (2/3), a cantora faleceu vítima do aneurisma. A nota foi divulgada em suas redes sociais.
Afinal, o que é?
Segundo o neurocirurgião Feres Chaddad, professor e chefe da neurocirurgia vascular da EPM/Unifesp, um aneurisma cerebral corresponde à dilatação anormal de uma artéria no cérebro e representa cerca de 5% dos casos de acidente vascular cerebral (AVC). Essa fragilidade pode levar à ruptura e causar uma hemorragia cerebral, como foi o caso de Adriana Araújo.
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O neurocirurgião conta que o aneurisma cerebral pode impactar a vida de um paciente de forma profunda, sendo fundamental procurar um especialista quando identificados os sinais. "O aneurisma é silencioso, mas, quando diagnosticado precocemente, as chances de tratamento seguro e eficaz aumentam significativamente", afirma Feres.
Embora o câncer seja responsável por uma parcela maior de mortes em escalas globais, o aneurisma cerebral se destaca pela letalidade imediata e alta incidência de sequelas graves, sobretudo entre mulheres. No mundo, a estimativa é de 6,67 casos a cada um milhão de habitantes e cerca de 500 mil mortes por ano, sendo que metade das vítimas tem menos de 50 anos.
Sinais e fatores de risco
Embora silencioso na maior parte do tempo, alguns sinais de alerta podem indicar risco: dor de cabeça súbita e intensa, alterações visuais, náuseas e vômitos, convulsões e rigidez na nuca.
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De acordo com o médico, “a dor de cabeça súbita e muito forte, acompanhada de náuseas e vômitos, pode ser um sinal clássico da ruptura de um aneurisma cerebral. Reconhecer esses sintomas pode salvar vidas, já que a rapidez no diagnóstico e no tratamento faz toda a diferença”.
Entre os principais fatores de risco estão:
- Tabagismo
- Hipertensão arterial
- Colesterol elevado
- Histórico familiar
- Idade
A incidência é maior entre os 35 e 60 anos, especialmente em mulheres, cujo risco pode ser até 60% maior. Mesmo quando fatores como pressão arterial e tabagismo são considerados, o risco de ruptura em mulheres é, em média, 1,4 vez maior maior que para os homens.
Além disso, mulheres apresentam até 60% mais chance de desenvolver aneurismas, e o risco de ruptura para elas é em média 1,4 vez maior do que para os homens, mesmo quando fatores como pressão arterial e tabagismo são considerados. No Brasil, um levantamento mostra que mais de 77% dos diagnósticos ocorre em mulheres, um índice que ultrapassa a média internacional (75%).
Tem cura?
Segundo o especialista, o tratamento do aneurisma depende do tamanho, localização e risco de ruptura. Pode variar de acompanhamento clínico, com controle da pressão arterial, a procedimentos minimamente invasivos, como a embolização, ou cirurgias tradicionais de clipagem.
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* Estagiária sob supervisão da editora Ellen Cristie.