‘Salve geral’, longa derivado da série ‘Irmandade’, chega hoje à Netflix
Spin-off que estreia nesta quarta (11/2) avança 10 anos em relação aos acontecimentos da última temporada e se passa em um dia de ataques coordenados em SP
Naruna Costa volta ao papel de Cristina, uma das líderes da facção, que agora ocupa outro posto na Irmandade, 10 anos depois dos acontecimentos da última temporada
- (crédito: Alexandre Schneider/divulgação)
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Depois da projeção nacional como Nina, no longa “Marte Um”, a atriz mineira Camilla Damião vive um tempo de colheita na carreira, como ela mesma define. Em 2023, integrou o elenco da novela “Terra e paixão” (Globo), na qual interpretou Menah, personagem que viveu um romance com Mara, papel de Renata Gaspar.
Agora, ela é uma das protagonistas de “Salve geral: Irmandade”, novo filme da Netflix e primeiro spin-off da série brasileira “Irmandade”, que chega nesta quarta (11/2) à Netflix.
“Eu tenho as minhas memórias corporais, a minha construção cultural mineira”, diz a atriz, nascida no Rio de Janeiro e criada em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo ela, o novo trabalho aprofunda um percurso iniciado no filme de Gabriel Martins.
“Com 'Marte Um', tive a oportunidade de criar uma personagem com camadas. 'Irmandade' é a evolução desse caminho, de poder fazer personagens com subjetividade. Tenho colhido histórias em que acredito profundamente, e isso faz toda a diferença. Para uma atriz negra, retinta, é um privilégio poder humanizar personagens e olhar para o trabalho com dignidade.”
Dirigido por Pedro Morelli, o longa se passa 10 anos depois dos acontecimentos da última temporada de “Irmandade”. A trama acompanha um único dia marcado por uma escalada de violência coordenada por um grupo revolucionário, com ataques a delegacias e forças de segurança, que mergulham a cidade de São Paulo em um cenário de caos generalizado.
A atriz Naruna Costa retorna ao papel de Cristina, uma das líderes da facção, que tenta resgatar a sobrinha Elisa (Camilla Damião), filha de Edinho, sequestrada por policiais corruptos após se recusar a pagar propina em um flagrante forjado. Edinho (Seu Jorge), pai da jovem e um dos principais líderes da facção ao longo da série, aparece no filme por meio de flashbacks, depois de ter morrido na segunda temporada.
A atriz Camilla Damião, de “Marte Um”, vive Elisa, sobrinha de Cristina, que a tia tenta resgatar de sequestro
Alexandre Schneider/divulgação
Arco temporal
“Passaram-se 10 anos, então a gente encontra as personagens em outras camadas”, afirma Naruna. “Cristina está em outra situação social, em outro posto dentro da Irmandade, com uma outra roupagem. Tem algo bonito nessa experiência familiar, o que ela viveu com Edinho na série agora se reflete na relação com a filha dele, já crescida”, afirma.
A transferência dos principais líderes da organização para presídios de segurança máxima provoca rebeliões no sistema prisional e amplia a onda de retaliações nas ruas. Ônibus e carros são incendiados, o comércio fecha mais cedo, aulas são suspensas e linhas de transporte deixam de circular.
“A grande novidade do filme é a linguagem. A ação é muito mais presente. É instigante para quem viu a série perceber o filme acontecendo nesse outro tempo, nesse outro ritmo. Tem poucas mulheres protagonizando esse tipo de narrativa, isso também foi um ganho importante", aponta Naruna Costa.
O filme abre com uma sequência em uma delegacia atacada durante o chá de fraldas da esposa de um policial. O estresse provoca o início do trabalho de parto da mulher, enquanto a violência explode ao redor. A cena é filmada em plano-sequência e o recurso se repete nas principais tomadas de ação do longa. Embora bem executadas do ponto de vista técnico, as cenas muitas das vezes parecem excessivamente coreografadas e lentas.
Preparação física
Para dar conta do ritmo de filmagens, Camilla Damião passou por uma preparação física que incluiu aulas de apneia e musculação. “Fortaleci muito o corpo, principalmente os membros inferiores, porque muitas cenas exigiam corrida por longos períodos”, conta a atriz.
Parte do treino também envolveu a construção da corporalidade em cena ao lado de Naruna Costa. “Eu precisei entender o ritmo do corpo da Naruna – como ela corre, como pula. Precisava compreender esse corpo para que, quando estivéssemos juntas, tudo ficasse orgânico e natural”, comenta.
Elisa, vivida por Camilla Damião, é uma jovem que participa de rodas de hip hop e tem o sonho de se tornar MC. Ela precisa enfrentar o machismo ao ser hostilizada durante batalhas de rima. “O meu propósito com a Elisa foi ser o mais honesta possível. Ela sente tudo: faz escolhas boas e ruins. É uma personagem atravessada por emoções humanas em meio a um cenário de guerra”, afirma a atriz.
“Salve Geral” coloca o espectador no centro do caos. O filme chega como uma continuação aguardada pelos fãs de “Irmandade”, mas também pressupõe algum conhecimento prévio da série para que o público compreenda plenamente o funcionamento da facção e sua lógica de enfrentamento ao Estado, o que pode dificultar a experiência de quem entra nesse universo pela primeira vez. n
“SALVE GERAL: IRMANDADE” • (Brasil, 2026, 104 minutos). Direção: Pedro Morelli. Com Camilla Damião, Naruna Costa e Seu Jorge. Disponível a partir desta quarta-feira (11/2), na Netflix.