‘Marvel Cosmic Invasion’ e a prova de que o simples ainda é imbatível
Novo título da Dotemu resgata a pureza da geração 16 bits com a fluidez da tecnologia dos games atuais
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Em um cenário marcado por mundos abertos expansivos e sistemas cada vez mais complexos, ‘Marvel Cosmic Invasion’ aposta na clareza. A estrutura clássica dos beat ‘em ups da era 16 bits ganha acabamento técnico atual e resulta em uma experiência centrada em ritmo, identidade visual e leitura precisa de combate.
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O resultado é um jogo que entende exatamente o que quer ser. Sem excesso de sistemas, sem mapas inflados e sem a obrigação de reinventar a roda, o game trabalha com fundamento sólido, personagens carismáticos e progressão objetiva. É um retorno calculado à simplicidade, mas com fluidez técnica, responsividade e acabamento visual compatíveis com a geração atual.
Passei horas mergulhado em ‘Marvel Cosmic Invasion’ e, agora, conto como foi revisitar essa essência com os olhos e as mãos de hoje.
Soberania nos pixels
Nos últimos anos, vimos tentativas grandiosas da Marvel nos games que não foram bem recebidas, como o jogo dos ‘Vingadores’ ou o dos ‘Guardiões da Galáxia’, que, apesar de bonitos, pareciam carregados demais, meio sem alma.
Em contraste, esse novo título volta para onde tudo funcionava: o visual em pixel art que remete direto a Marvel vs. Capcom ou aos clássicos do Homem-Aranha que comiam nossas fichas. Em vez do título perseguir espetáculo cinematográfico, aposta na linguagem própria dos videogames. E essa escolha consegue pegar o que os fãs realmente querem.
A movimentação tem aquele peso que a gente conhece dos clássicos, mas com uma fluidez que o hardware antigo não entregava, fugindo daquela complicação excessiva de comandos que vira um nó na cabeça.
Isso é a assinatura da Dotemu. Os caras viraram especialistas em pegar esses tesouros dos anos 1990 e dar um banho de modernidade sem estragar a essência, como fizeram em ‘Streets of Rage 4’ e no ‘Shredder's Revenge’ das Tartarugas Ninja.
No ‘Cosmic Invasion’, a receita se repete em uma experiência raiz do auge dos fliperamas, mas com o conforto dos consoles atuais. A localização completa em português é outro acerto. Ver um jogo independente desse porte chegar ao Brasil com menus e diálogos totalmente adaptados demonstra respeito ao público e reforça a imersão, algo que ainda faz diferença no mercado nacional.
Na hora da pancadaria, o espírito de ‘Turtles in Time’ baixa no controle. É o beat 'em up puro, de avançar e limpar a tela na base do soco. O elemento que mais chama atenção é a construção única de cada herói em termos de jogabilidade.
O Wolverine é curto e agressivo, o Aranha é puro malabarismo, e você sente cada impacto no dedo, o que acabou tornando essa a minha dupla favorita ao selecionar quem iria para as fases. É uma exaustão boa depois de passar de uma fase complicada, aquela satisfação de quem dominou a mecânica na raça.
O peso da nostalgia
Claro que nem tudo é perfeito e alguns pontos acabam deixando a experiência meio morna quando o tempo é curto. A falta de um controle de progresso mais claro incomoda um pouco. Você vai jogando meio no escuro, sem saber quais são as próximas fases ou o tamanho do desafio que vem pela frente. Essa falta de um "mapa da mina" tira um pouco do fôlego quando você quer planejar o tempo da jogatina, algo que os jogos de antigamente faziam por limitação, mas que hoje faz falta.
No fim das contas, o jogo prova que ainda existe um apetite gigante por essa diversão direta. Mesmo com títulos modernos excelentes como o ‘Spider-Man’ da Insomniac, há um espaço sagrado para o 2D que nada substitui.
O futuro da Marvel nos games parece estar justamente nesse equilíbrio em saber olhar para trás e resgatar a simplicidade daquela época com a tecnologia de hoje. Se continuarem nesse caminho, a gente ainda vai salvar o universo muitas vezes com aquele mesmo sorriso de quem acabou de ver o desenho de sábado de manhã.
‘Marvel Cosmic Invasion’ está disponível para PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series X/S, Nintendo Switch e PC, via Steam.
*Esta análise foi produzida a partir de uma cópia de ‘Marvel Cosmic Invasion’ na versão para Nintendo Switch, gentilmente pela Dotemu.
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