Cinema/crítica

Sam Raimi acerta em 'Socorro!', comédia de terror sobre mundo corporativo

Papa do terror moderno, diretor transforma guerra no escritório em filme assustador e engraçado, mandando patrão canalha e funcionária para ilha deserta

Publicidade
Carregando...

Sam Raimi tem atividade intensa. Nos últimos 45 anos, produziu quase 50 filmes, assinando também a direção em 40 deles. Nesse caminho, reformatou o terror moderno com “Uma noite alucinante: A morte do demônio” (1981) e iniciou o boom de heróis de quadrinhos nas telas com o primeiro “Homem-Aranha” (2002). Agora, ele surpreende mais uma vez, com “Socorro!”.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

O diretor avança nessa forte onda recente das comédias de terror. Mas a grande sacada de Raimi é inserir cenas violentas e engraçadas num debate bem relevante: a concorrência ferrenha de colegas de trabalho no mundo empresarial. Um cenário que algumas vezes por pouco não descamba para agressão física dentro do escritório.

Mas o que aconteceria se executivos que se odeiam fossem jogados num ambiente externo? Por exemplo, uma ilha deserta? É essa a premissa de “Socorro!”. Antes de despejar seus personagens numa ilha fora das rotas e habitada por javalis nada amigáveis, Raimi usa as cenas iniciais para mostrar quais são os dois lados dessa guerra corporativa.

Rachel McAdams, protagonista de filmes de muito sucesso popular, como “Diário de uma paixão” e “Dr. Estranho”, também atriz de obras premiadas, como “Spotlight”, interpreta Linda Liddle. Genial com os números, ela é a melhor no que faz e trabalha numa gigante financeira, ansiosa com a promessa do dono da empresa, que ofereceu a ela a vice-presidência.

Mas, enquanto seu talento contábil é exuberante, o comportamento social de Linda é desastroso. Os colegas de escritório fogem dela, que se veste mal e leva ao trabalho sanduíches de atum que deixam sua mesa e ela mesma com um cheiro incômodo. Fora do trabalho, não tem amigos e é viciada em reality shows de sobrevivência na selva. É dona de uma vasta biblioteca sobre o tema.

O presidente da empresa morre repentinamente e quem assume os negócios é o filho, Bradley Preston (Dylan O'Brien). O jovem não entende nada de finanças e é um grande canalha assediador de mulheres. Ele odeia Linda logo no primeiro dia e está disposto a demitir a moça. Mas resolve mantê-la na equipe porque ela é importante numa reunião de negócios em Bangkok.

Linda fica arrasada com a negativa de Preston em cumprir a promessa do pai. Sem a promoção desejada, ela embarca em um jatinho com o chefe e outros executivos, sem saber que na volta da viagem perderá seu emprego.

Mas eles não chegam à Tailândia. Uma pane nos motores derruba o avião, quase todos morrem na queda. Os únicos sobreviventes são Linda e Preston, que chegam a uma ilha desabitada. Aí é que o filme realmente começa. Os dois se odeiam e precisam unir forças para permanecerem vivos. Preston está realmente em apuros, passando a depender dos conhecimentos sobre a vida selvagem da parceira indesejável.

Canastrão eficaz

Dylan O’Brien, da série “Teen wolf”, é ator canastrão e isso até ajuda a tornar Preston um personagem ainda mais detestável. Rachel McAdams tem muitos recursos e carrega sua personagem com nuances interessantes. Além disso, passa por uma transformação física. Na vida selvagem de seus sonhos, vai ficando cada vez mais bonita.

A atriz acerta ao compor a personagem que vai facilmente do clima romântico à completa histeria. Ela assumiu uma interpretação de exageros, mas a verdade é que exagerado é um adjetivo que pode ser aplicado a praticamente tudo aquilo que envolve o filme.

O roteiro assinado por Damian Shannon e Mark Swift, que escreveram a franquia de terror “Sexta-feira 13”, não pisa no freio em momento algum. A cada dia na ilha, o relacionamento de Linda e Preston dá uma guinada diferente, e os lances violentos crescem sem parar.

O casal consegue manter a plateia numa dúvida constante. A obviedade do envolvimento romântico dos dois é sabotada o tempo inteiro por ataques violentos de ambos os lados.

Surpresas

Não é recomendável avançar mais nos acontecimentos da segunda metade do filme. “Socorro!” tem uma surpresa atrás da outra, com reações inesperadas de Linda e Preston. Se o espectador comprar a ideia delirante dos desdobramentos do enredo, o final oferece uma conclusão muito boa, algo incomum nos roteiros recentes em Hollywood.

“Socorro!” é um filme, ao mesmo tempo, agressivo e agradável, assustador e engraçado. Uma das primeiras boas surpresas de 2026. 

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

“SOCORRO!”


EUA, 2026, 113min. De Sam Raimi, com Rachel McAdams, Dylan O’Brien e Chris Pang. Em cartaz nas salas de cinema dos shoppings BH, Boulevard, Cidade, Del Rey, Diamond, Itaú, Norte, Pátio Savassi e Via Shopping.

Tópicos relacionados:

cinema comedia socorro terror

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay