Pela primeira vez em 24 anos a cerimônia do Oscar terá 24 categorias. Com a estreia da categoria de Seleção de Elenco, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas traz uma novidade em sua longa lista de premiados. A última vez que isso tinha acontecido foi em 2002, quando foi criada a de Animação. E daqui a dois anos, em 2028, os dublês também ganharão sua própria categoria na premiação.


Com o Brasil com uma das cinco vagas – para o diretor de elenco Gabriel Domingues, de “O agente secreto” – a nova categoria vai escolher profissionais que trabalham antes que o filme começa a ser rodado. A Academia define a categoria como o processo pelo qual os diretores de elenco trabalham com o diretor e os produtores de um filme na seleção dos atores. Isso pode significar descobrir novos atores, montar grupos de intérpretes com uma química específica ou administrar elencos grandes e complexos.


O prêmio, vale reforçar, não é para uma única atuação. O foco é na seleção de elenco do filme como um todo. Apenas os profissionais do meio que foram creditados pela produção podem concorrer.


Domingues, que desde 2019 atua como diretor de elenco de filmes e séries, já teve tal função em “Divino amor” e “O último azul”, longas de Gabriel Mascaro, e nas séries “Cangaço novo” e “Notícias populares”. Ele é o único homem do grupo selecionado para a estreia da categoria. Suas concorrentes são Nina Gold (“Hamnet”), Jennifer Venditti (“Marty Supreme”), Cassandra Kulukundis (“Uma batalha após a outra”) e Francine Maisler (“Pecadores).

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REGRAS PRÓPRIAS

O processo de seleção tem suas próprias regras. Diretores de elenco membros da Academia analisaram os filmes elegíveis e votaram para criar uma lista restrita de 10 (os pré-selecionados, anunciados em dezembro). Para a fase da nomeação, os profissionais que haviam sido considerados enviaram um relato escrito do seu processo, uma galeria de fotos (ou a lista completa do elenco) e um vídeo de cinco minutos extraído do filme para ilustrar suas escolhas. Depois, eles ainda passaram por uma sessão de perguntas e respostas.


Para o Oscar, todos os integrantes da Academia poderão votar em Melhor Seleção de Elenco – desde que tenham assistido aos filmes indicados, é claro. Esse esforço para dar visibilidade a uma profissão que fica longe dos holofotes – e que muita gente sequer conhece – não é de hoje. Houve uma tentativa na década de 1990 que não foi para frente.

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Desde 1985 os profissionais são premiados (o prêmio se chama Artios) por sua própria associação, a Casting Society. Mas ela tem apenas 200 membros, enquanto a Academia conta atualmente com cerca de 11 mil.

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Em 2000, o Bafta, o Oscar britânico, criou a categoria de Seleção de Elenco. Já a Academia anunciou o prêmio em 2024, para dar tempo de a indústria assimilá-lo e entender como ele funcionaria. A novidade ainda traz alguns questionamentos, como, por exemplo, que tipo de perfil – descoberta de talentos ou elencos repletos de estrelas – vai atrair mais a atenção dos votantes. 

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