NO TEATRO

Grupo Galpão retorna com 'Cabaré Coragem', no Sesc Palladium

O espetáculo está de volta após a morte de Teuda Bara, em dezembro, com sessões no sábado (31/1) e domingo (1º/2)

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“Eu quero, eu posso, eu quis, eu fiz”, cantou Teuda Bara (1941-2025) em “Mamãe Coragem”, performance central de “Cabaré Coragem”, último espetáculo do Galpão que a atriz e cofundadora do grupo participou. A canção de Caetano Veloso e Torquato Neto não estará mais presente nas novas apresentações da montagem. Mas Teuda, que morreu aos 84 anos há exato um mês (em 25/12), continuará presente.

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No final do espetáculo, o coração de Madame, a dona do cabaré e algoz daquela trupe alquebrada – uma das falas da personagem é “Quem é que vai querer dar emprego para um bando de artistas velhos?” –, era arrancado na última música. “Agora, deixaremos o coração o tempo todo em cena, para manter o lugar dela”, afirma Júlio Maciel, ator do Galpão e diretor de “Cabaré Coragem”.


Maciel, que ficou fora de cena da montagem que estreou em junho de 2023, vai substituir Teuda nas próximas sessões de “Cabaré Coragem” – sábado (31/1) e domingo (1º/2), no Sesc Palladium, dentro da Campanha de Popularização do Teatro e da Dança. Os ingressos estão esgotados.

Júlio Maciel dirige a montagem e agora sobe ao palco como ator para substituir teuda bara
Júlio Maciel dirige a montagem e agora sobe ao palco como ator para substituir teuda bara Adalberto Lima/Divulgação


PULSO FORTE

“Vou entrar nas duas apresentações como o neto e herdeiro. Ele será um patrão com um pulso tão forte quanto o de Madame”, acrescenta Maciel. Primeiro espetáculo do Galpão do pós-pandemia, o musical “Cabaré Coragem” significou o reencontro dos atores com o público por meio da história de artistas envelhecidos que celebram a arte e provam que ainda têm muito o que mostrar, a despeito da passagem do tempo.


“A Teuda já estava com uma dificuldade grande de mobilidade. Não conseguiu vir a todos os ensaios. Mas sempre que vinha era uma festa, e construímos o ‘Cabaré’ em torno dela”, acrescenta Maciel.
Referência primeira deste espetáculo, Bertolt Brecht é o autor do poema “Balada do soldado morto”. Tornada canção e gravada por Cida Moreira, que participou do processo criativo de “Cabaré Coragem”, ela será interpretada por Maciel, no lugar de “Mãe Coragem”.

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“Também vamos substituir uma fala que ela tinha de Brecht por outra, de uma homenagem que o Paulo José fez para ele e que utilizamos em ‘Um homem é um homem’ (espetáculo de 2005 dirigido pelo ator e diretor gaúcho).”


Tais mudanças ainda não foram testadas, pois desde a morte de Teuda os integrantes do Galpão não se reencontraram. Depois das férias de janeiro, o grupo todo vai se ver amanhã (26/1), em sua sede no Horto, pela primeira vez. Os ensaios para as duas sessões do próximo fim de semana começam na quarta-feira (28/1).

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“A perda da Teuda foi gigantesca para nós. Como o Beto (Franco, ator do grupo) escreveu, ela era amiga, mãe, irmã e filha às vezes. A presença dela invadia o espaço, ela era de uma força incrível. Está sendo muito difícil até voltar a fazer o espetáculo, pois é um momento delicado para todos. Estou apostando no espetáculo como uma forma de limpar a dor para continuar, e para que ele seja também uma grande homenagem a ela.”


A ideia é continuar com “Cabaré Coragem” no repertório. “Estamos com a possibilidade de fazer neste ano no Rio de Janeiro. Até estou brincando com a ideia de que, interinamente, estou substituindo Madame. Mas outros ‘herdeiros’ podem aparecer no meio do caminho”, conclui Maciel. 

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Destino do  Cine Horto

Em dezembro, veio a público que o Galpão Cine Horto, centro cultural fundado em 1998 pelo Galpão (de quem é vizinho, na Rua Pitangui), poderia perder sua sede. Há cerca de seis meses, comenta Chico Pelúcio, ator e diretor do Galpão e gestor do Cine Horto, a família proprietária do imóvel o colocou à venda por R$ 3, 5 milhões. O prédio, um antigo cinema inaugurado na década de 1950, está em processo de tombamento. “Se isto fosse agilizado, para a gente seria muito bom.” Segundo ele, o ideal seria que houvesse uma compra do imóvel pela Prefeitura de Belo Horizonte, que seria repassado ao Galpão por meio de comodato. “Desta maneira, o espaço ficaria para a cultura de Belo Horizonte. Isto nos possibilitaria entrar nas leis de incentivo para reforma do espaço, que se tornaria uma referência ainda maior no sentido da revitalização desta área da regional Leste, que está muito degradada.” Está prevista uma reunião, nas próximas semanas, com a Fundação Municipal de Cultura. Enquanto isso, diz Pelúcio, o centro cultural está “pondo o bloco na rua, abrindo editais, fazendo a programação do ano inteiro”. Neste momento estão abertas as inscrições para as oficinas de verão, que ocorrem em fevereiro, e também para os cursos livres de teatro do primeiro semestre, que começam em março.

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