Spin-off 'O cavaleiro dos sete reinos' é o lado light de 'Game of Thrones'
Road movie medieval tem comédia, protagonista de 9 anos e a promessa de mais duas temporadas. Segundo episódio estreia hoje (25/1), na HBO Max
compartilhe
SIGA
Guerra, morte, palavrões, nudez e muito sexo. Essas se tornaram marcas inseparáveis de “Game of Thrones”, a série que mudou as séries com suas oito temporadas hiperbólicas, exibidas entre 2011 e 2019. Não é, portanto, ambiente propício para um menino de 9 anos.
Mas esta é a idade de Egg, protagonista do terceiro seriado da HBO a beber dos livros de George R. R. Martin. “O cavaleiro dos sete reinos” se inspira no livro homônimo com três contos sobre Westeros, o universo fantasioso criado pelo autor americano.
Expansão
Com escala menor e tom mais leve, a produção é ambientada entre os acontecimentos de “A casa do dragão”, que tem terceira temporada a caminho, e “Game of Thrones”, que a HBO pretende continuar expandindo.
Road movie medieval, “O cavaleiro dos sete reinos” acompanha a improvável amizade de Dunk, cavaleiro errante de origens humildes, e Egg. O primeiro tenta criar um nome para si, enquanto o segundo quer justamente fugir de seu nome. Dizer mais estragaria a experiência para os menos aficionados pelo universo de Martin.
Curiosamente, é Egg quem se mostra mais habilidoso ao navegar pelas intrigas e a violência inerentes a Westeros. Rapazinho careca e franzino, ele prepara Dunk para uma espécie de vida adulta tardia, depois que o mestre deste morre e ele precisa assumir a sua espada.
Um colosso em altura e musculatura, Dunk não tem a inteligência como um de seus fortes. “Ele precisa do Egg para ficar vivo”, disse Peter Claffey, intérprete do personagem.
“Há tanta política e traição em Westeros que ser bonzinho acaba não sendo algo bom. O conflito do meu personagem é este, ter que assimilar certas características para poder sobreviver. Mas ele se apega à bondade o máximo possível”, comenta.
Sob os olhares vigilantes da mãe, o ator mirim Dexter Sol Ansell concorda e diz que, na série, as aparências enganam. “Ele pode ser grandão e forte, mas sou eu, Egg, o protetor da dupla”, afirma o britânico, que diz não ter visto “Game of Thrones” e “A casa do dragão” devido às classificações indicativas.
A HBO já aprovou a segunda e a terceira temporadas de “O cavaleiro dos sete reinos”. Tom mais leve e protagonista mais novo, porém, não impediram os criadores Martin e Ira Parker de injetar no spin-off um pouco dos ingredientes que tornaram “Game of Thrones” motivo de falatório. Mas as intenções agora são outras, às vezes parece até que a nova série quer zombar das antecessoras.
Logo na primeira cena, Dunk pega a espada que pertenceu ao cavaleiro de quem foi escudeiro. Seus olhos brilham, a mão se enrijece e, quando a icônica música tema de “Game of Thrones” está prestes a explodir, um corte abrupto mostra o protagonista disparando fezes por trás de uma árvore.
Humor é parte intrínseca da produção, diz Claffey. “O plano foi ter o máximo de comédia, sem deixar as coisas bobas. O objetivo é dar leveza a esse universo”, explica..
Vida tacanha
A nova série não articula batalhas épicas e coreografias de dragões em CGI, imagens geradas por computador. A intenção é expor a realidade de Westeros em sua forma mais crua.
Se “A casa do dragão” foi o spin-off que ampliou o xadrez político de “Game of Thrones”, “O cavaleiro dos sete reinos” é aquele que olha para os peões e a vida tacanha que levam.
Assim, a expansão desse universo fantasioso pretende encontrar os mais variados públicos. Nos planos da HBO, caso não sejam alterados com a compra da marca e da Warner Bros. pela Netflix, estão ainda aventuras marítimas, animações e histórias de origem.
Alto grau de sigilo envolve os derivados de “Game of Thrones”. Como um punhado deles foi cancelado no passado, é difícil saber o que vai vingar. (Leonardo Sanchez/Folhapress)
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
“O CAVALEIRO DOS SETE REINOS”
l Primeira temporada, na plataforma HBO Max.
O segundo dos seis episódios estreia neste domingo (25/1), à meia-noite.