Tânia Maria largou o cigarro. Aos 79 anos. Depois de passar 60 deles como fumante. O motivo? Ela pretende suportar viagens longas sem sentir falta das baforadas que são a marca registrada da personagem de “O agente secreto” que a tornou famosa.


Com a interpretação de Dona Sebastiana – a mulher que abriga os “refugiados” no longa de Kleber Mendonça Filho ambientado no período da ditadura militar brasileira – Tânia Maria ganhou mais do que fama. Ela vem conquistando elogios da crítica, prêmios e está diante da perspectiva de receber, nesta quinta-feira (22/1), uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante.


Quase 8 mil quilômetros separam Santo Antônio da Cobra, povoado com menos de mil habitantes no Rio Grande do Norte, onde ela vive, de Los Angeles, na Califórnia, onde a cerimônia de entrega das estatuetas será realizada, em 15 de março. Tânia Maria pretende fazer esse trajeto. Sem fumar.


No entanto, ela diz que sua rotina depois da fama não mudou muito. “Minha ficha ainda não caiu, continuo fabricando. Ainda sou a mesma, sou artesã”, afirma. A primeira vez que a artesã e costureira potiguar entrou num cinema foi para ver “Bacurau” (2019), longa de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles no qual atuou como figurante.


Emoção de se ver na telona

“Eu não assisti ao filme, eu me assisti. Eu só olhava para mim. Na segunda, terceira vez, que eu fui entendendo”, conta. A experiência de se ver em cena ainda provoca emoção. “A gente se vê na tela grande, é muito emocionante.”


Tânia Maria chegou ao set de “Bacurau” a convite de Leonardo Lacca, colaborador frequente de Kleber Mendonça Filho como diretor assistente e preparador de elenco. Segundo a atriz, Lacca tem sido essencial em seu processo de desenvolvimento dos papéis.


“Léo me ensina muito. Quando vamos decorar as cenas, escrevemos à mão, copiamos as falas, rapidinho eu decoro. Essa é a instrução que ele me dá, meu preparador.”


A parceria com o diretor pernambucano evoluiu para amizade e resultou em outros trabalhos conjuntos. Tânia Maria está no elenco de “Seu Cavalcanti” (2024), no qual atuou ao lado da neta, e também na série ainda inédita “Delegado”, com estreia prevista para este ano.


“Neto de coração”

“Léo é meu neto de coração. Eu só tenho uma neta, e quando digo isso ele responde: ‘E eu?’. Eu amo ele. Sou muito amiga da família dele e os considero muito, quando vou à cidade do Léo, fico na casa dele, é muita intimidade”, comenta a atriz.


Com Kleber Mendonça Filho ela também desenvolveu uma relação de amizade. “Trabalhar com Kleber é tão bom. Ele é um diretor que não parece nem ser diretor, mas sim um amigo”, diz. “É tudo muito gratificante. Se não fosse ele, eu não estaria aqui. Kleber e Leonardo são meus amigos de verdade.”

Desde 1961 — quando usou o tapete vermelho pela primeira vez —, o Oscar ajudou a transformar objeto em um espetáculo à parte, com transmissões televisivas focadas nos figurinos, entrevistas e chegada dos artistas. Reprodução/YouTube
A ligação direta com o entretenimento começou em 1922, quando um tapete vermelho foi usado na estreia do filme "Robin Hood", no Egyptian Theatre, em Hollywood, para guiar as estrelas até seus assentos. Freepik/rawpixel.com
Nos Estados Unidos, há registros do uso do tapete vermelho já no século 19, especialmente em recepções oficiais e eventos políticos. Flickr - G20 Argentina
Séculos depois, o simbolismo continuou a ser usado em cerimônias reais e diplomáticas. Moshe Harosh/Pixabay
No texto, o rei Agamemnon retorna vitorioso da Guerra de Troia. Sua esposa, Clitemnestra, ordena que um caminho carmesim (vermelho escuro) seja estendido para ele. Sandra Filipe/Unsplash
A primeira menção histórica a um tapete vermelho aparece na literatura da Grécia Antiga, especificamente na peça Agamemnon (458 a.C.), de Ésquilo. Freepik
Muito antes de se tornar um elemento do glamour de Hollywood, o tapete vermelho nas premiações tem uma origem antiga e simbólica, ligada à ideia de honra e poder. Flickr - Steve Collis
Um dos grandes destaques em premiações como o Globo de Ouro, o tapete vermelho é sempre um momento que desperta atenção da audiência. Mas você sabe como surgiu essa tradição? Veja a seguir! Reprodução
Entre os filmes, “Uma Batalha Após a Outra” também se destacou, vencendo quatro categorias, entre elas Melhor Filme de Comédia ou Musical e Melhor Direção para Paul Thomas Anderson. Divulgação/Warner Bros. Pictures
Destaque para Owen Cooper, de 16 anos, que se tornou o mais jovem vencedor da categoria de Melhor Ator Coadjuvante em Televisão. Reprodução
Nas categorias de TV, a série “Adolescência” foi a mais premiada da noite, levando quatro troféus, incluindo Melhor Série Limitada. Divulgação
Ao receber o troféu de Melhor Ator, Wagner Moura fez um discurso emocionado, agradeceu aos colegas indicados e ao diretor. Ele ainda encerrou falando em português, exaltando o Brasil e a cultura brasileira. Reprodução/TV Globo
Dirigido por Kleber Mendonça Filho, "O Agente Secreto" marcou o retorno do Brasil à lista de vencedores do Globo de Ouro após 27 anos, desde o triunfo de “Central do Brasil”. Divulgação
O longa também concorreu a Melhor Filme de Drama, mas o prêmio ficou com “Hamnet”, adaptação do livro de Maggie O’Farrell que narra a história do filho de William Shakespeare e o amor que inspirou a criação de “Hamlet”. Divulgac?a?o/Agata Grzybowska/Focus Features
A produção conquistou dois prêmios: Melhor Filme de Língua Não Inglesa e — pela 1ª vez na história — Melhor Ator em Filme de Drama, com Wagner Moura. Divulgação
O filme brasileiro “O Agente Secreto” foi um dos grandes destaques do Globo de Ouro 2026, realizado neste dia 12 de janeiro, em Los Angeles. Divulgac?a?o/Globo


O papel de Dona Sebastiana foi pensado para Tânia Maria. Mas ela vai além. “Dona Sebastiana é a Tânia Maria. Tanto faz Tânia Maria como Dona Sebastiana, é uma pessoa só. Ele [Kleber Mendonça Filho] fez minha história, a minha história de vida”, afirma.


Wagner Moura, o protagonista de “O agente secreto” também entrou para o rol de novos amigos de Tânia Maria. “Trabalhamos juntos e foi muito bonito, muito simples. Me disseram: ‘Vai chegar um ator muito famoso’, e eu nem conhecia. Ficamos tão amigos, eu o amo muito, é um ótimo ator de verdade.”


Tânia Maria continua vivendo e trabalhando como artesã e costureira em Santo Antônio da Cobra – atividades que interrompe quando tem algum outro compromisso com o cinema. No próximo dia 15 de março, ela está certa de que terá um compromisso a 8 mil quilômetros de distância. “Tenho certeza que vou. Vamos ao Oscar.”

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*Estagiária sob supervisão da editora Silvana Arantes

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