Vencedor dos prêmios de Melhor Roteiro e do Júri Ecumênico do Festival de Cannes, “Jovens mães”, novo filme dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, chega nesta quinta-feira (1º/1) aos cinemas. A dupla belga de roteiristas e diretores vem, desde a década de 1990, criando uma filmografia coesa, que prima pelo naturalismo e por histórias de cunho humanista.

Este filme não foge à regra, só que em vez de seguir um ou dois personagens, como de costume nos filmes dos Dardenne, a história traz cinco protagonistas. São todas muito jovens e com pouca (ou nenhuma) experiência com a câmera. Isso se torna uma das forças do drama rodado em locações reais, com estética pautada no documentário.

Os Dardenne estavam na fase de pesquisa para a história sobre a mulher que lutava para se conectar com seu bebê quando conheceram um abrigo para mães solteiras na cidade de Liège. Impressionados, mudaram o rumo do projeto. Com uma costura delicada, o filme vai acompanhando as cinco personagens que têm em comum o fato de serem adolescentes, solteiras, pobres, com pouco (ou nenhum) apoio dos pais dos bebês e da própria família.

A história tem início com Jessica (Babette Verbeek). A barriga exuberante no corpo miúdo não a impede de esperar, impaciente, em um ponto de ônibus. Quando aborda uma mulher, recebe negativa na hora. Mas Jessica sabe bem que aquela é Morgane (India Hair), sua mãe biológica. Enquanto lida com a própria maternidade precoce, a garota quer saber de sua progenitora por que a deu para adoção, como se sentiu e ainda se sente diante do ocorrido.

Jessica é uma das garotas que vivem no abrigo que cuida de jovens mães. Elas têm todo o apoio de enfermeiras e assistentes sociais. Porém, devem seguir regras claras, cuidar dos próprios bebês, dar conta dos horários. A ideia é passarem ali alguns meses, antes e depois de darem à luz, para mais tarde cuidar das próprias vidas e dos filhos.

Perla (Lucie Laruelle) é mãe de Noe, mas não consegue se conectar com o bebê. Quer mais é se encontrar com o pai do menino, que acabou de sair de um centro de detenção juvenil. Sonha em formar uma família, algo que nunca teve na vida.

O fantasma das drogas

Julia (Elsa Houben) está feliz com a chegada do bebê Mia e é apaixonada pelo namorado, Dylan (Jef Jacobs). Ele também quer estar com Julia, mas o casal tem um problema maior para lidar. Os dois se conheceram quando viviam nas ruas como viciados – e o fantasma da droga continua à espreita.

Tão complicada quanto é a história de Ariane (Janaina Halloy Fokan). Filha de Nathalie (Christelle Cornil), alcoólatra com trajetória de relacionamentos abusivos, ela acredita que o melhor para a bebê é a adoção por um casal com recursos e estabilidade emocional. Está prestes a conhecê-lo. Quer resolver tudo porque pretende terminar os estudos. Sua mãe é contra a adoção, diz que vai cuidar da neta e o passado errático ficou para trás. A relação das duas é conturbada.

As quatro meninas têm um espelho no abrigo. Naïma (Samia Hilmi) é mãe adolescente como elas. Prestes a se mudar com o bebê para um apartamento, pagará as contas com o emprego que acabou se conseguir.

Sem nenhum juízo de valor, “Jovens mães” acompanha tais trajetórias de maneira doce e comovente. A câmera registra, sempre com delicadeza, as reações de cada bebê. Em uma das sequências mais tocantes, Ariane escreve uma carta para que a filha, ao completar 18 anos, conheça a mãe biológica.

Com Apollinaire e seu poema “A despedida” (“Nunca mais nos veremos na Terra/ Aroma do tempo, ramo de urze/ E lembre-se de que estou esperando por você”), o filme chega à reta final mostrando que não há futuro fácil para ninguém. Mas a maneira como a cena foi rodada comprova que mesmo diante da dureza, os Dardenne nunca recaem no pessimismo.

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“JOVENS MÃES”


(Bélgica/França, 2025, 105min.) – De Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne, com Lucie Laruelle, Babette Verbeek, Elsa Houben e Janaina Halloy Fokan. O filme estreia nesta quinta-feira (1º/1) na Sala 2 do UNA Cine Belas Artes, às 16h40 e 18h40; na Sala 2 do Centro Cultural Unimed-BH Minas, às 18h20.

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