Diretor espanhol critica brasileiros no Oscar: ‘Ultranacionalistas’
Oliver Laxe, do filme "Sir?t", comentou que os brasileiros da Academia votam nas produções nacionais, independente da qualidade dos filmes
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O diretor espanhol Oliver Laxe, responsável pelo filme "Sirat”, fez declarações críticas ao Brasil durante uma entrevista exibida na quinta-feira (22/1). Ao comentar a atuação de brasileiros na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, o cineasta desmereceu o peso da presença nacional no Oscar. O filme brasileiro “O agente secreto” concorre diretamente com “Sirat”, na categoria Melhor Filme Internacional.
“Há muitos brasileiros na Academia e nós os adoramos, mas eles são ultranacionalistas. Acho que se os brasileiros submetessem um sapato ao Oscar, todos votariam nele”, afirmou Laxe, em tom de ironia.
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Em 2026, o Brasil registrou o maior número de indicações de sua história na principal premiação do cinema mundial, concorrendo em cinco categorias do Oscar. “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, foi indicado a Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator e Melhor Elenco. Já “Sonhos de Trem” garantiu indicação em Melhor Fotografia, com Adolpho Veloso.
Até então, o recorde brasileiro era de quatro indicações em uma única edição, marca alcançada por “Cidade de Deus” (2004).
Ao longo da história, o Brasil acumulou 26 indicações ao Oscar, mas conquistou apenas uma estatueta. Esse cenário mudou em 2025, quando o país venceu pela primeira vez um prêmio oficial da Academia. “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles, ganhou o Oscar de Melhor Filme Internacional, superando produções da Dinamarca, França, Alemanha e Letônia. O longa também concorreu a Melhor Filme e Melhor Atriz, com Fernanda Torres, mas perdeu ambas para “Anora”.
O filme espanhol “Sirat”, dirigido por Laxe, foi escolhido como representante da Espanha e indicado ao Oscar 2026 nas categorias de Melhor Filme Internacional e Melhor Som. Vencedor do Grand Prix no Festival de Cannes 2025, o longa é descrito como um drama de horror com elementos de road movie, acompanhando a jornada de um pai e um filho pelo Marrocos.
As declarações do diretor provocaram reação imediata nas redes sociais, onde internautas brasileiros acusaram o cineasta de desrespeito e ironizaram o incômodo de concorrentes diante do crescimento do Brasil no Oscar. “Ele não sabe o vespeiro que está mexendo”, escreveu um usuário, lembrando da campanha de 2025, em que brasileiros descobriram tweets racistas de Karla Sofia Gascón, que impactaram nas premiações de "Emilia Pérez".
“O brasileiro nunca ganha nada, aí quando é indicado os concorrentes ficam nesse chororô. Sinceramente…”, disse outro. “Se colocassem um sapato eu jogava na tua cara, seu babaca”, publicou um terceiro, em resposta direta à fala de Laxe.
Parte das críticas mencionou ainda o desempenho de “Sirat” na corrida pelo Oscar. “O filme dele tinha mais menções que O Agente Secreto na short-list, mas no fim recebeu menos indicações”, observou um comentário.
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Outro usuário afirmou que torcia para o longa espanhol ao menos em Melhor Som, mas mudou de postura após a declaração do diretor. “Queria que quase todos os filmes internacionais ganhassem alguma coisa, mas agora quero que se exploda. Bem feito!”, previu.