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Brasileiras dão adeus às ilusões em Seul, no reality 'Meu namorado coreano'

Oito episódios acompanham cinco mulheres vivendo romances com coreanos em Seul. A realidade é bem diferente do amor idealizado dos K-dramas

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O sucesso das produções sul-coreanas no Brasil não é de hoje. O fenômeno tem nome: Hallyu, expressão que define a globalização da cultura do país asiático, fenômeno iniciado na década de 1990 que movimenta bilhões de dólares por ano. A chamada onda coreana envolve exportação massiva de produtos culturais como K-pop (música), K-beauty (moda e beleza), K-food (gastronomia) e K-dramas (séries e filmes).

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Motivadas pelo desejo de viver o próprio K-drama, cinco mulheres aceitaram participar do reality “Meu namorado coreano”, lançado no início deste mês de janeiro pela Netflix.

Ao longo de seis episódios, o público acompanha a viagem do grupo ao país asiático para descobrir se o quinteto vai concretizar a expectativa de viver romances idealizados, como nas séries coreanas.

Luanny Vital, Camila Kim, Morena Mônaco, Katy Dias e Mariana Tollendal participam do doc-reality da Netflix
Luanny Vital, Camila Kim, Morena Mônaco, Katy Dias e Mariana Tollendal participam do doc-reality da Netflix Netflix/divulgação

Antes mesmo da viagem, elas já mantinham relacionamentos à distância com pretendentes sul-coreanos, conhecidos por meio de redes sociais ou aplicativos de namoro. Algumas, inclusive, já haviam ido ao país asiático para encontros presenciais.

Camila Kim, de 31 anos, é a exceção do grupo. Nascida na Coreia do Sul, veio para o Brasil aos 3 anos, com o pai e a irmã, após ser abandonada pela mãe. Desde então, ela nunca voltou ao país natal. Para Camila, a viagem funciona menos como busca de um romance e mais como acerto de contas com o passado, embora a possibilidade de um amor não seja totalmente descartada por ela.

Os objetivos das participantes do reality variam. Uma busca reviver a intensidade do primeiro encontro; outra quer confirmar se o homem com quem se relaciona virtualmente realmente existe. Pequeno spoiler: a mineira Morena Mônaco protagoniza o único “final feliz” da temporada.

 

Filha de pai suíço e mãe mineira, Morena, de 32 anos, nasceu na Suíça. Voltou ao Brasil em 2012, aos 19, para tentar seguir carreira artística. Em 2019, uma de suas composições, “Aperte o play”, foi gravada por Simone e Simaria. No reality, ela se casa duas vezes com Suwoong, em uma cerimônia na Coreia e outra no Brasil, mais especificamente na Igreja São José, no Centro de Belo Horizonte.

Atualmente, o casal divide sua rotina entre São Paulo e a capital mineira. “A repercussão está sendo muito boa. Fui bem acolhida e o público está torcendo pela gente como casal. Achei que nunca me casaria. Estou feliz”, conta Morena, que busca conciliar as carreiras artística e de influenciadora digital.

O reality foi gravado em abril do ano passado, e os dois moram juntos no Brasil desde maio. “Graças a Deus, a convivência está dando certo”, diz. O casal se comunica principalmente em inglês. O coreano Suwoong estuda português e planeja empreender no país.

Fetiche e polêmica

A proposta do reality é polêmica desde o início, e as críticas começaram antes mesmo do lançamento. Figurando entre as produções mais assistidas da Netflix, “Meu namorado coreano” jogou luz sobre o debate de temas importantes como a fetichização dos relacionamentos interculturais.

Hyu-Kyung Jung, violinista da Filarmônica mineira e presidente do Instituto de Cultura Coreana de Minas Gerais, diz que o sucesso do reality revela não apenas o interesse crescente pela cultura do país asiático, mas também uma forma de consumo da idealização associada à Coreia do Sul.


“Isso simplifica o olhar sobre uma sociedade complexa, transformando diferenças culturais em produtos de entretenimento facilmente consumíveis”, avalia.


A violinista acredita que a forte identificação do brasileiro com séries coreanas se deve a uma combinação de fatores: narrativas emocionais intensas, valorização dos vínculos afetivos, estética cuidadosamente produzida e personagens empáticos.

“A Coreia do Sul investiu estrategicamente na internacionalização de sua cultura pop, adaptando linguagem, ritmos e temas universais para o mercado global, o que facilita a recepção no Brasil”, afirma.

 

Machos objetificados


Hyu-Kyung Jung considera pertinentes as críticas à objetificação dos homens coreanos. “Em alguns casos, a idealização ultrapassa o campo simbólico e se materializa em frustrações e até em práticas problemáticas. É fundamental tratar o tema com responsabilidade, evitando reforçar fetiches, generalizações ou imagens irreais”, alerta.

Recentemente, uma brasileira de 30 anos foi presa em Seul por perseguir o músico Jung Kook, astro do BTS, a banda de K-pop mais famosa do mundo.

Quatro 'nãos'

A Coreia do Sul é cenário do Movimento 4B, iniciativa feminista baseada nos “quatro nãos”: não ter sexo, não se relacionar, não se casar e não ter filhos.

O movimento é resposta à misoginia, propondo ruptura com padrões sociais impostos às mulheres.

No reality, as desilusões aparecem cedo. Logo nos primeiros episódios, fica claro que ali não há espaço para ficção. Rapidamente, o romance idealizado das séries dá lugar a silêncios, desencontros e frustrações. A comunicação, quase sempre em inglês, também impõe limites.

Identidade

Apesar do sonho do romance perfeito, na maior parte do tempo as participantes não se apresentam como ingênuas ou submissas. Elas respeitam a cultura coreana, mas exigem que a identidade brasileira seja respeitada. São mulheres conscientes, com experiências afetivas anteriores, que não fingem ser quem não são só para agradar.


O reality da Netflix conta com dois episódios extras, nos quais personalidades reagem aos acontecimentos do programa. Sem poupar comentários, elas verbalizam as reações de quem acompanha “Meu namorado coreano” de casa.

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“MEU NAMORADO COREANO”


• Reality com oito episódios disponíveis na Netflix.

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