CINEMA

Ralph Fiennes salva filme da franquia 'Extermínio', que estreia hoje em BH

'O Templo dos Ossos' tem visual pobre, roteiro fraco e astro inglês se divertindo como o doutor caridoso amigo de um zumbi

Publicidade
Carregando...

A primeira coisa que chama a atenção em “Extermínio: O Templo dos Ossos” é a ausência dos zumbis do filme, em cartaz em BH. O silêncio impera nos bucólicos campos ingleses, algo esquisito após cenas de correria desesperada na série.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover


Os infectados desta vez são mero detalhe, fazendo o exercício de figuração curiosa em um filme que troca a marcha da franquia. Depois de três capítulos de muita adrenalina e zumbis corredores, o quarto “Extermínio” movimenta o suspense à base de alguma introspecção, usando aqui e ali uma quantidade considerável de baldes de sangue.

Filosofia

A aposta está mais para o intrigante do que para uma boa ideia exatamente, mas, a princípio, vale pela surpresa. Até porque o filme dirigido por Nia DaCosta usa a mudança para se afundar na trama que flerta com a filosofia de fim dos tempos, ancorada em dois personagens com visões de mundo únicas e nada ortodoxas.


O mais interessante é o simpático doutor Kelson (Ralph Fiennes), apresentado no capítulo anterior, “A evolução” (2025). Alma caridosa, o médico banhado em iodo vive a epidemia numa contradição diária de termos. Ele administra o tal templo do título, sua espécie de monumento à morte, mas cuida de todos os que encontra na região, incluindo infectados.


O pragmatismo de Kelson, baseado na ciência da antiga profissão, o ajuda a manter a crença da manutenção da ordem diante do caos da infecção zumbi. O que se dá em valores bem opostos aos de Jimmy Crystal, vilão que serve de outra metade da laranja na continuação e é de longe o personagem mais carnavalesco dos filmes de “Extermínio”.


Líder da gangue de crianças que vestem agasalhos esportivos e perucas loiras, Jimmy passa os dias caçando e matando sobreviventes. O psicopata interpretado por Jack O'Connell segue à risca um código de cavalaria às avessas, inventado por ele e que exige sacrifícios humanos. O seu ídolo é o Diabo, que ele louva em causa própria. No fundo, o vilão toca o caos também para manter a ordem.


Dessa dualidade inesperada entre o satanista e o ateu, “O Templo dos Ossos” se aventura por testes de fé inusitados. Enquanto Jimmy vê o culto de crianças rachar por uma série de erros, Kelson se depara com um zumbi que dá sinais de consciência em seu estado animalesco.


O roteiro escrito por Alex Garland move os dois núcleos sem entusiasmo, escondendo mal o fato de que a história de Jimmy está matando tempo na trama maior da trilogia que ele planejou com Danny Boyle para as sequências de “Extermínio”.


Nisso chama a atenção a pobreza visual do filme. “O Templo dos Ossos” foi rodado logo em seguida ao antecessor, mas da dupla só “A evolução” resgata a sede do original por uma estética diferenciada, ao aproveitar todo o potencial das câmeras do já ultrapassado iPhone 15 Pro.


Este quarto filme foi rodado inteiro com câmeras digitais tradicionais, com DaCosta preferindo uma sequência nos mesmos termos. O longa frustra pelo rigor acadêmico, que deixa evidente a produção como capítulo do meio, e empalidece na comparação com os anteriores, incluindo aí os trabalhos da própria diretora, que fez adaptação surpreendente de “Hedda” (2025).


A boa notícia é que “O Templo dos Ossos”, como “A Evolução”, se diverte nos conceitos que inventa para a série. O tal infectado de Kelson é a parte mais divertida, rendendo momentos fascinantes.


Sansão, o monstro imenso, passa a visitar o bom doutor para ficar chapado com os dardos tranquilizantes que o médico usa. O solitário Kelson descobre aí a forma de criar um amigo no fim do mundo, e os dois passam a explorar felizes a situação.

LSD

A relação gera um par de cenas insólitas, como a deles sentados drogados na relva, encarando o horizonte, ou dançando ao som de Duran Duran, quase como dois hippies chapados de LSD.


Nestes momentos, o filme se descola do roteiro de Garland e acha um trunfo na atuação de Fiennes, que volta a se divertir e a se destacar com a personalidade excêntrica do médico.


O protagonismo do ator, espelhado no seu protagonismo na história, salva “O Templo dos Ossos” da própria incompetência.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

“EXTERMÍNIO: O TEMPLO DOS OSSOS”
EUA e Reino Unido, 2026, 110min. De Nia DaCosta. Com Ralph Fiennes, Jack O'Connell, Alfie Williams. Classificação: 18 anos. Em cartaz em salas do shoppings BH, Boulevard, Cidade, Del Rey, Diamond Mall, Estação BH, Itaupower, Minas, Monte Carmo, Pátio Savassi e Via.

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay