'All her fault’ usa a receita que mescla crime e famílias ricas
Série em oito episódios disponível no Prime Video tem Sarah Snook em ótimo desempenho como a mãe de um garoto de 5 anos vítima de sequestro
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Nada como um crime no mundo dos ricos para animar o público – se as protagonistas forem mães, melhor ainda. Recém-chegada ao Brasil via Prime Video, a minissérie “All her fault”, produção do Peacock (serviço de streaming da NBCUniversal), rapidamente alcançou o topo da audiência da plataforma.
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Com duas indicações ao Globo de Ouro – Melhor Minissérie e Melhor Atriz para Sarah Snook – a produção é adaptada do romance homônimo e inédito no Brasil da irlandesa Andrea Mara. É facilmente comparada com “Big little lies” e “The undoing”, justamente por girar em torno dos mistérios de uma família de endinheirados.
Snook, que ganhou o público como a ambiciosa Shiv Roy de “Succession”, agora interpreta, com igual intensidade, Marissa Irvine. Ela é uma gestora de patrimônio de Chicago que entra numa espiral de horror quando vai buscar seu filho de 5 anos, Milo (Duke McCloud), na casa de um amiguinho.
Ela bate na porta do endereço enviado por mensagem e descobre que o menino não está lá. Na verdade, nunca esteve, pois aquela não é a casa do garoto.
O drama do sequestro logo se alarga com a chegada dos demais personagens. Peter Irvine (Jake Lacy), o marido de Marissa, também um grande executivo de contas, é um pai dedicado e irmão dedicadíssimo. Cuidar dos outros parece ser a função dele.
A família é muito unida e se completa com os dois irmãos de Peter: Brian (Daniel Monks), que ficou incapacitado em um acidente na infância e mora na casa de hóspedes dos Irvine, e Lia (Abby Elliott), uma jovem de temperamento forte que carrega um passado de vício. O círculo íntimo ainda conta com Colin (Jay Ellis), o melhor amigo e sócio de Marissa.
Uma nova personagem logo entra em cena. Jenny Kaminski (Dakota Fanning) se culpa pelo desaparecimento de Brian, pois a mensagem recebida por Marissa foi em nome dela. Ela é também uma mãe trabalhadora (atua no marketing de uma editora) que se ressente por não poder se dedicar inteiramente ao filho pequeno.
A vilã da história não demora a ser apresentada. Carrie Finch (Sophia Lillis) é a babá de 21 anos do filho de Jenny que levou Milo embora (sim, não dá, num primeiro momento, para não pensar no thriller “A mão que balança o berço”, o original, de 1992, e não sua refilmagem recente).
Na medida em que a história se desenvolve, vamos descobrindo todos os meandros do crime. A investigação é capitaneada pelo detetive Alcaras (Michael Peña), um homem de família que entra em um dilema ético para conseguir com que o filho com deficiência intelectual consiga uma vaga numa escola de elite.
Cada episódio traz um tema central, que é desenvolvido até chegar à última sequência, que deixa um clímax em aberto. Mesmo que este recurso instigue o espectador para o próximo capítulo, o tom é lento e há algumas barrigas. A cidade de Chicago, com seus espigões assinados por grandes arquitetos, é muito presente – só que a série foi rodada em um subúrbio de Melbourne, na Austrália.
Todos os Irvine se sentem culpados, Marissa mais do que os outros. Logo aparecem questões tangenciais ao crime, em especial envolvendo Peter e os irmãos. Além disso, são abordadas as vidas em família do detetive e de Jenny, que rapidamente se torna a grande amiga de Marissa e a única em quem ela pode confiar.
Ainda que tente, “All her fault” não consegue se equiparar a “Big little lies” em uma observação perspicaz sobre o mundo dos privilegiados. Mas o suspense mantido até o final, e a interpretação de Snook, muito acima de seus colegas de elenco, valem a maratona.
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“ALL HER FAULT”
• A minissérie, com oito episódios, está disponível no Prime Video.