MÚSICA BRASILEIRA

Disco de Danilo Moraes põe o tempero da bossa nova no tradicional forró

Faixas do álbum "Forró canção" foram gravadas no formato voz, violão e percussão. Repertório reúne Gonzagão, João do Vale e Jackson do Pandeiro, entre outros

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Transformar o forró em música de câmara, destacando melodia, letra e ritmo de maneira mais sutil, à la bossa nova. Essa é a proposta do paulista Danilo Moraes em seu novo álbum, que traz composições de João do Vale, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Accioly Neto, Almira Castilho e Cecéu, entre outros craques do gênero.

Com 12 faixas, “Forró canção” tem três músicas autorais de Danilo, filho de Wandi Doradiotto, um dos fundadores do grupo Premeditando o Breque. É o nono álbum do cantor e compositor paulista, que lançou vários trabalhos voltados para a MPB.


Lirismo

“A ideia é mostrar o lado mais lírico das canções. Às vezes, as pessoas vão ao baile ou escutam forró, mas a riqueza daquela música passa batido. As composições são muito bonitas, tanto as letras quanto as melodias, mas o ritmo acaba falando mais alto”, observa Danilo Moraes.

De acordo com ele, seu álbum apresenta o repertório, “com outra cara”, a quem já gosta do gênero. Mas não se limita aos forrozeiros. “Quem sabe a gente possa trazer pessoas que não têm o hábito de ouvir forró, fazendo com que elas gostem também. Muita gente não sabe ou não gosta de dançar forró e culpa o ritmo”, comenta. “Toco esse ritmo gostoso há muito tempo. Meu pai colocava os grandes nomes do forró para a gente ouvir em casa”, revela Daniel.


Enquanto criava arranjos para o novo álbum, ele se lembrou do baiano João Gilberto, o papa da bossa nova. “Cheguei até a comprar songbook dele, com harmonias e partituras. Pensei em como seria o João tocando forró. Guardadas infinitas proporções, resolvi arriscar uma leitura meio bossa nova. Ainda falta fazer com o forró o que o samba-canção e a bossa nova fizeram com o samba”, defende.


Danilo Moraes procura dar abordagem intimista a canções emblemáticas, reduzidas a voz e violão, a cargo dele, e à percussão do paraibano Guegué Medeiros.


“O Guegué tocou a metade do disco, eu toquei sozinho a outra metade. Aliás, faço parte da banda dele e ele da minha. Referência dentro do forró, Guegué é o nosso mestre. Buscamos levar o forró para ambientes onde ele não está. Infelizmente, é um ritmo que ainda sofre muito preconceito”, lamenta Danilo.

O músico lembra que o forró se espalhou pelo Brasil a partir da migração dos nordestinos. No final do século 20, virou moda em São Paulo, Belo Horizonte e outras capitais devido aos jovens que tiveram contato com o ritmo na cidade capixaba de Itaúnas.


“Ali apareceram as bandas Falamansa, Bicho de Pé e Rasta Pé, que até gravou uma música do meu grupo Banguela Banguela, chamada ‘Beijo roubado’, que ficou superfamosa. Nessa, acabei entrando de cheio no forró, primeiro tocando em uma grande casa em São Paulo e frequentando os bailes”, conta.
“Fiz turnês na Itália e na França, países que, infelizmente, conhecem pouco o forró. Conhecem samba e algumas coisas do Brasil, mas não o gostoso ritmo nordestino”, diz.

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Turnê à vista

Danilo Moraes informa que já tem shows de lançamento do disco marcados. “Minha agenda está mais para São Paulo, mas vou correr em busca de outros estados. Agora é partir para a turnê nacional, pois o álbum está lindo. Quero muito ir a Minas Gerais, onde já toquei e fui muito bem recebido.”


Este paulista tem carreira internacional, com apresentações na França, Itália, Dinamarca, Alemanha, Martinica, Guadalupe e Moçambique. Em 2015, Danilo codirigiu o documentário “Premê – Quase lindo”, sobre o grupo Premeditando o Breque. 

“FORRÓ CANÇÃO”
Álbum de Danilo Moraes
12 faixas
Disponível nas plataformas digitais

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