O CNPJ que multiplica a renda por três
No primeiro trimestre de 2026, o empreendedor formal ganhou 3 vezes o rendimento de quem trabalha na informalidade
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A diferença expõe o peso da formalização sobre a renda dos donos de negócio no Brasil.
Dois empreendedores podem atuar no mesmo setor, atender o mesmo público e vender produtos parecidos. O que separa a renda de um da renda do outro, muitas vezes, cabe em quatro letras: CNPJ.
Dados do Sebrae, com base na PNAD Contínua do IBGE, mostram que, no primeiro trimestre de 2026, o empreendedor formal teve rendimento médio de R$ 6.688,89 por mês. No mesmo período, o informal ficou em R$ 2.253,04. A distância é de quase três vezes entre quem cruzou a linha da formalização e quem permaneceu fora dela.
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O tamanho do fenômeno ajuda a dimensionar o problema. O país reúne 30,2 milhões de donos de negócio. Desses, 19,4 milhões atuam na informalidade — cerca de 65% do total. A maior parte do empreendedorismo brasileiro, portanto, está concentrada justamente no grupo de menor renda.
Muito além do imposto
A formalização costuma ser lida como sinônimo de burocracia e custo. A leitura dos números sugere outra função para o registro. O CNPJ funciona como uma chave de acesso: abre crédito com juros menores, viabiliza contratos com empresas maiores, permite a emissão de nota fiscal e conecta o empreendedor à previdência social. É o que ajuda a transformar faturamento avulso em renda mais estável.
O contraste na proteção social é um dos mais evidentes. Entre os empreendedores formais, 78% contribuíam para a aposentadoria no primeiro trimestre de 2026. Entre os informais, apenas 19,5%. Na prática, oito em cada dez donos de negócio informais trabalham hoje sem qualquer cobertura previdenciária para o futuro.
A informalidade também se concentra nos setores que mais empregam. Quase metade dos informais — 42,2% — atua em serviços. Em seguida vêm agropecuária (17,2%), comércio (16,0%) e construção (16,0%). A indústria responde por apenas 8,5%. São atividades de forte presença na economia cotidiana, o que amplia o alcance social da diferença de renda.
O corpo a corpo com a inflação
Os números também trazem um alerta que vale para os dois grupos. Nos últimos cinco anos, o rendimento médio dos informais subiu 20,7% em relação ao primeiro trimestre de 2021, enquanto o dos formais avançou 28,9%. No mesmo intervalo, a inflação acumulada foi de 35%. Ou seja: apesar do ganho nominal, formais e informais tiveram alta de renda abaixo da inflação no período.
Ainda assim, a vantagem relativa de quem está formalizado permanece expressiva. Mesmo com reajustes corroídos pela inflação, o empreendedor com CNPJ preserva um patamar de renda muito superior ao do informal, além da rede de proteção que o registro oferece.
Uma decisão com efeito multiplicador
O quadro desenhado pelos dados aponta para a formalização como um dos multiplicadores de renda mais subestimados do empreendedorismo brasileiro. Não se trata apenas de pagar mais tributos, mas de destravar o acesso a mercados, crédito e garantias que o faturamento isolado não alcança.
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Uso Interno
O degrau entre R$ 2 mil e R$ 6 mil de renda média, portanto, não separa apenas dois valores. Separa dois modelos de trabalhar, dois níveis de proteção e, para milhões de brasileiros, duas trajetórias possíveis de negócio.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
