Rogério Tobias
Rogério Tobias
Mestre em Marketing; Pós-graduado em marketing; Administrador; Professor; consultor de marketing e negócios. Palestrante; Escritor.
MARKETING E NEGÓCIOS

Por que as empresas compram empresas

Um dos caminhos mais fortes para o crescimento de muitas empresas é a compra de concorrentes e até de fornecedores

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O mercado continua com mudanças em grande velocidade. Em vários segmentos, crescer devagar passou a ser perigoso. Construir uma marca forte, conquistar consumidores e desenvolver canais modernos de distribuição exige anos de investimento, além de muitos erros, aprendizado e amadurecimento. Neste ambiente competitivo, muitas empresas chegaram à mesma conclusão: unir-se ou comprar outras organizações pode ser o melhor caminho para o crescimento e garantir espaço no mercado.

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Nem sempre é possível desenvolver tecnologia e inovação com os recursos da própria empresa. Muitas vezes faltam competência técnica, recursos, tempo e estrutura logística para atualização e superação diante da concorrência. Um dos caminhos tem sido a aquisição de empresas do mesmo segmento que enfrentam dificuldades para permanecer fortes no mercado. Normalmente, essas empresas têm pontos fortes, mas fraquejam em outros, o que as deixa em situação complicada em termos de finanças, contabilidade e, principalmente, de mercado.

As empresas compradoras sabem disso, mas também sabem que existem pontos que podem ser importantes para fortalecer a sua participação no mercado.

Quando há a compra de uma organização, raramente se pensa somente nas fábricas, nos estoques ou no faturamento atual. O que se busca costuma ser muito maior. Elas compram consumidores já conquistados, reputação consolidada, presença regional, tecnologia pronta e acesso imediato a mercados nos quais levariam anos para entrar de outra forma.

A Microsoft é um exemplo desse processo estratégico. Ela comprou a Activision Blizzard. A empresa adquiriu bem mais do que jogos famosos. Nesse processo, desembolsou bilhões para obter relevância em um setor estratégico, fortaleceu o ecossistema Xbox e ampliou a presença em um mercado que movimenta mais dinheiro do que cinema e música juntos.

Vale refletir também sobre o caso do Google, que comprou o YouTube. Naquela época, o vídeo digital ainda estava começando sua expansão global. O Google percebeu rapidamente que o futuro da internet passaria pela atenção audiovisual das pessoas. Ao invés de criar uma plataforma do zero e correr riscos, comprou um comportamento que já estava nascendo naturalmente.

As organizações com planejamento estratégico ativo e marketing atuante, ao analisarem os cenários, identificam perigos à frente, observam movimentos competitivos e reconhecem ameaças antes que elas se tornem difíceis de conter. Essa compra envolve muito mais do que um aplicativo de fotos, pois o que está sendo adquirido é o futuro do comportamento digital.

As marcas carregam consigo hábitos, memórias e vínculos emocionais. Quando uma empresa incorpora a outra, ela também absorve parte da relação afetiva construída ao longo do tempo.

Essas aquisições podem gerar problemas de difícil controle. Normalmente, elas são realizadas por grandes organizações. Algumas junções se transformam em choques culturais, conflitos administrativos e até destruição de valores. Comprar uma empresa pode ser rápido, mas integrar pessoas, culturas e estratégias costuma ser muito mais difícil do que os balanços financeiros mostram.

A dificuldade de inovar internamente no mesmo ritmo do mercado aumentou bastante a compra de startups. Bancos tradicionais passaram a adquirir fintechs, tentando recuperar agilidade, modernizar serviços e reduzir a distância em relação aos novos hábitos digitais dos clientes.

As empresas já não competem apenas por vendas. Elas competem por tempo, atenção, influência e permanência na vida das pessoas. Neste cenário de rápidas mudanças, crescer devagar demais pode custar muito caro.

Gosto de citar casos marcantes de compras de empresas e os motivos principais que levaram a essas aquisições. Por exemplo, o caso da Meta, que comprou o Instagram porque queria entrar rapidamente no mercado de fotos e fortalecer a presença entre jovens. O caso do Google, que adquiriu o YouTube, pois tinha como objetivo dominar o mercado de vídeos online e ampliar a receita publicitária.

Outra aquisição conhecida foi a da Magazine Luiza, que comprou a KaBuM!, buscando força no público gamer e acelerar sua presença digital. Também chama atenção a aquisição pela Amazon da Whole Foods Market, para entrar no varejo físico de alimentos.

Mais recentemente, houve o acordo entre o Supermercados BH e a DMA Distribuidora, dona das redes Epa e Mineirão Atacarejo. A operação, oficializada em abril de 2026, cria um grupo varejista com mais de 600 lojas e faturamento de R$ 35 bilhões, com atuação em Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Pernambuco.

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Comprar uma empresa pronta, em muitos casos, significa adquirir instantaneamente logística estruturada, consumidores fidelizados, presença geográfica e acesso imediato a mercados onde a entrada seria lenta, cara e arriscada. Em uma economia cada vez mais inconstante, empresas perceberam que não podem perder espaço para novos concorrentes, que chegam rápidos e agressivos.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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