Nosso Brasil, florão da América, não descansa em berço esplêndido
Às vésperas de depositar nosso voto nas urnas, o maior ato cívico de uma democracia, tememos o que virá
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Em ano eleitoral, assistimos ao movimento da política brasileira. Ora com espanto, ora com alguma esperança. Movimento intenso de disputa, toma lá, dá cá, a triste politicagem. Políticos desbaratados entre esquerda, centrão e direita perscrutando de que lado terão maiores vantagens. Mudam de lado sem o menor pudor.
A contragosto, digo que o nosso Brasil, florão da América, não descansa em berço esplêndido. Ele sangra. Do desequilíbrio climático promovido pelo homem com desmatamentos, asfaltamento e outros fatores. Em Beagá, não vemos mais os rios, porque estão debaixo do asfalto. O Rio das Velhas, imundo, é quase um esgoto. Todos eles clamam por misericórdia. Que não vem. Esperamos inutilmente o que prometeu o então governador Aécio Neves: o Rio das Velhas voltará a ser navegável. Promessa enterrada com os rios.
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Além disso, a infidelidade partidária e traições na cena cotidiana mostram a eleitores atentos que a esperança de menos politicagem e mais ética na política está longe de se concretizar. Às vésperas de depositar nosso voto nas urnas, o maior ato cívico de uma democracia, tememos o que virá. A remota esperança de ter orgulho da maioria dos políticos do nosso Brasil é pouca.
Decidem pagando com concessões em troca de apoio, é isso ou nada conseguirão realizar ou aprovar nas câmaras municipais, assembleias estaduais e no Congresso. Conchavos nem sempre patrióticos. Nem sempre em concordância democrática com o povo, nem sempre conhecidos, nem sequer informados à população.
Nem todo pobre é de direita, mas muitos se enganam ao se garantir ao lado dos patrões, muitas vezes em prejuízo próprio. Sejamos justos: nem todo patrão é sinhozinho colonial, nem todo empregado é escravo. Mas restos colonialistas ainda pairam como nuvem negra sobre nossas cabeças. E estamos sempre com receio de que desaguem sobre nós.
Porém, não nos esqueçamos de nosso hino: “Ó Pátria amada, Idolatrada, Salve! Salve!/ Brasil, um sonho intenso, um raio vívido/ De amor e de esperança à terra desce/ Se em teu formoso céu, risonho e límpido (…)/ Paz no futuro e glória no passado. Mas, se ergues da justiça a clava forte,/ Verás que um filho teu não foge à luta/ Nem teme, quem te adora, a própria morte!/ Terra adorada”.
Sim, amamos o Brasil intensamente. Desejamos um país moderno – e, em muitos quesitos, o Brasil o é. No sistema bancário temos o Pix, que não é mundial, é nosso. O SUS, que nos honra e orgulha com sistema de saúde de ponta, realizando serviços de excelência.
Porém, precisamos de pautas defendidas com urgência urgentíssima e de políticos que se empenhem em menos vantagens pessoais e mais defesa de interesses gerais, contra o feminicídio, a violência, a pedofilia; pela escala 5x2, bolsa família, cotas raciais. Precisamos de menos defesa do Master. Menos PCC, menos motoqueiros roubando celulares nas ruas, menos homens com virilidade a defender matando, e não mostrando seu valor com honra de verdade.
Por isso mesmo, a estratégia da vencedora do último “BBB” foi simplesmente imbatível. E os políticos deveriam aprender, observando a resposta do povo. Ela defendeu temas polêmicos de modo simples e despojado, sem discursos inflamados. Falou o que o povo quer. Os políticos deveriam ser eleitos assim, honesta e diretamente. E mais: depois de eleitos, cumprir promessas.
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Ana Paula obteve 75,94% dos votos. Felca e Rita von Hunty crescem porque espelham o desejo dos brasileiros, são escutados por falarem verdades. Tudo de que os donos de interesses escusos e inconfessáveis fogem com sofismas.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
