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Orion Teixeira
Além do fato

Transição mineira: Cleitinho é a pedra que virou vidraça

A favor de Cleitinho, há o enorme capital político conquistado nas urnas e a capacidade de diálogo. Os desafios já começaram

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Eleito governador com 6,3 milhões de votos no 1º turno, Cleitinho Azevedo (Republicanos) deixará de ser pedra para ser a vidraça. Como adverte o provérbio popular “é muito fácil ser pedra, o difícil é ser vidraça”, indicando mudança de posição e de papel. Eis o principal desafio administrativo e político do futuro governador.

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Como influenciador e parlamentar, Cleitinho especializou-se em apontar falhas, defeitos e buracos na administração pública, mas, a partir de agora, ele muda de lado para ser o chefe do estado. Além desse perfil e compromisso, ele apresentou propostas que não tiveram avaliados os impactos e critérios. Prometeu baixar a alíquota padrão do IPVA em Minas Gerais de 4% para 3% em janeiro de 2027.

Segundo ele, a medida aumentaria a competitividade do estado, evitando que motoristas emplaquem seus veículos em estados vizinhos com taxas menores. Adiantou que a redução do imposto seria compensada pela revisão de isenções fiscais concedidas pelo atual governo a empresas na casa dos R$ 25 bilhões.


]Pode estar criando aí uma categoria privilegiada ou rebelde de motoristas que não deixarão seus carros serem guinchados, além de inadimplentes com o IPVA. Incentivou e terá que calibrar a nova forma de isenção fiscal.

Para diminuir o risco de errar, o futuro governador convidou concorrentes para montar um conselho e buscar a governabilidade. Incluiu até o nome do governador Mateus Simões, que ele combateu na campanha, para continuar no governo. Aliados adiantam que Simões recusará a oferta e que o receio deles é que ficará em risco o pagamento dos salários em dia dos servidores.

A favor de Cleitinho, há o enorme capital político conquistado nas urnas e a capacidade de diálogo. Os desafios já começaram. Na transição que está sendo desenhada, ele será consultado pela atual gestão e pela Assembleia Legislativa a palpitar sobre várias decisões orçamentárias que impactarão seu governo no ano que vem.


Zema sabotou Simões


É forte a convicção entre os aliados do governador Mateus Simões de sabotagem cometida pelo ex-governador Romeu Zema e seu partido, o Novo, sobre a candidatura à reeleição do sucessor. Sem a menor expectativa de ganhar, Zema e seu partido não tiveram projeto de poder e insistiram na candidatura presidencial. Se ele fosse candidato a senador ou a deputado federal, teria ajudado mais a seu partido, com alta votação, a superar o risco de extinção, e a seu sucessor. Para ser candidato, Simões precisou sair do Novo, que, ao final, o amarrou ao projeto pessoal de Zema. Com a força da máquina estadual, e apoiando a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), por exemplo, Simões teria tido outro desempenho.


Antipatia favorece a direita


A insatisfação com o STF virou antipatia e encontrou no eleitor descrente com os rumos do governo Lula o campo fértil de crescimento da direita. Entre os 26 estados e o Distrito Federal, Lula (PT) foi o mais votado em 12 estados, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) liderou em outros 14 e no DF. Com isso, houve uma direitização do país nunca vista, consolidando o desejo de mudança. A antipatia crescente do eleitorado com o Supremo acabou ficando associada ao petista e motivou o voto antissistema, da raiva e da vingança. Há quem avalie até que a derrota seria melhor para Lula, diante do Congresso Nacional que foi eleito. Se hoje está ruim, a reeleição dele ficaria perigosamente ingovernável ante o domínio da direita nas duas casas legislativas.


Lula: bambu e flecha


Enquanto tiver bambu, vai ter flecha. A metáfora está sendo adotada por petistas mineiros para reunir forças e enfrentar Flávio Bolsonaro no segundo turno. É um desafio muito difícil, porém, não impossível. Lula terá que tirar o salto alto que o levou a cometer erros primários. O último deles foi desprezar o debate da TV Globo em um momento de alta audiência do interesse do eleitor pela disputa. Debates não elegem, mas, em 2018, acompanhamos como um deles beneficiou Romeu Zema na última semana de campanha]


Aécio paga a conta


Como seu projeto de poder sempre foi feito em torno dele, o deputado federal Aécio Neves (PSDB) pagou a conta pelos erros cometidos ao longo de sua trajetória. A fidelidade de prefeitos aos seus mandatos, em especial de governador, não existe mais e ele encerra sua trajetória parlamentar com a derrota na disputa ao Senado, ficando em 7º lugar (ou 4% dos votos).


Araxá dá o veredito


Pode não ser o fim da linha de sua experiência política, mas a votação recebida pelo presidenciável Zema em sua terra natal, Araxá (Alto Paranaíba), foi vexatória. Depois de sete anos e três meses como governador de Minas, ele foi votado por apenas 2.797 (4%) dos 82 mil eleitores araxaenses.

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Força municipalista


Entre eleitos e reeleitos, 26 ex-prefeitos conquistaram mandatos na Assembleia Legislativa (16), Câmara dos Deputados (7), Senado federal (2) e até no Governo de Minas (1). “É a força do municipalismo nas eleições. Por meio deles, iremos ampliar a defesa de nossas pautas no meio político”, comemorou o presidente da Associação Mineira de Municípios e prefeito de Iguatama, Lucas Vieira (PSB), manifestando ainda apreensão com a polarização política, que implicará disputas acirradas e constante desequilíbrio político.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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