Katiuscia Silva
Katiuscia Silva
Mestra em Sexologia pela Universidade ISEP - Madrid. Especialista em Comportamento. Analista Corporal. Mentora. Palestrante. Treinamentos para Empresas
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O futuro do trabalho exige empresas mais inteligentes sobre as pessoas

Talvez este seja o maior desafio das empresas diante das novas relações de trabalho: enxergar pessoas antes de enxergar apenas cargos

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Muitas empresas querem inovar, crescer e acompanhar as transformações do mercado, mas ainda contratam com pressa, pouca clareza e excesso de improviso. O resultado aparece em contratações desalinhadas, lideranças sobrecarregadas, equipes desmotivadas e talentos desperdiçados. Esse novo cenário exige maturidade para colocar pessoas no centro da estratégia.

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Juliana Carvalho afirma que ainda se depara com organizações que só procuram apoio em recrutamento quando o problema já está instalado: uma vaga aberta há meses, uma equipe acumulando funções ou um gestor pressionado por resultados imediatos. Nesses casos, o processo seletivo deixa de ser planejamento e passa a ser tentativa de contenção de danos. “Muitas empresas contratam para apagar incêndios, quando deveriam contratar para construir futuro”, observa.

Psicóloga, especialista em recrutamento e seleção e consultora de RH, Juliana Carvalho apoia organizações de diferentes portes em decisões sobre pessoas e negócios. Fundadora da Despertar Inovação Pessoal, palestrante e coautora de livros como Gigantes do RH, ela defende uma visão que ultrapassa a lógica tradicional do preenchimento de vagas. Para ela, contratar bem exige compreender cultura, liderança, comportamento, competências e o momento real da empresa.

Essa percepção encontra respaldo no Relatório sobre o Futuro do Trabalho 2025, publicado pelo Fórum Econômico Mundial. O estudo ouviu mais de mil empregadores em 55 economias, representando mais de 14 milhões de trabalhadores, para analisar como tecnologia, inteligência artificial, mudanças demográficas e instabilidade econômica devem impactar empregos e competências até 2030. Entre as conclusões, o relatório aponta que 39% das competências atuais devem mudar ou se tornar obsoletas, enquanto 63% dos empregadores consideram as lacunas de habilidades a maior barreira para a transformação dos negócios.

O dado ajuda a explicar por que a discussão sobre pessoas deixou de ser secundária. Em um ambiente de mudanças aceleradas, a vantagem competitiva estará cada vez menos na empresa que apenas encontra currículos disponíveis e cada vez mais naquela que consegue identificar potencial, desenvolver competências e alinhar talentos à estratégia.

Juliana ressalta que o currículo continua sendo importante, mas não conta toda a história de um profissional. Ele informa a formação, cargos e experiências, mas não revela, sozinho, como uma pessoa se comunica, aprende, decide, lida com pressão ou se adapta a uma cultura. É nesse ponto que muitas contratações falham: quando a organização se encanta com a trajetória técnica e ignora o contexto em que aquele profissional deverá atuar.

A inteligência artificial e as novas ferramentas digitais também entram nesse cenário, mas não substituem o julgamento humano. Podem organizar dados, ampliar a triagem e trazer eficiência ao processo; porém, se a empresa não sabe o que procura, apenas aceleram uma decisão mal formulada. Para Juliana, competências como pensamento crítico, comunicação, adaptabilidade, ética e capacidade de aprendizagem ganham ainda mais valor. Na prática, uma contratação errada custa mais do que dinheiro: compromete tempo, clima, produtividade e confiança. “Meu trabalho não é sobre preencher vagas. É sobre conduzir empresas a tomarem decisões mais inteligentes sobre pessoas”, afirma.

No fim, talvez este seja o maior desafio das empresas diante das novas relações de trabalho: enxergar pessoas antes de enxergar apenas cargos. Serão as escolhas humanas sobre quem contratar, como liderar, o que desenvolver e que cultura sustentar que definirão quais organizações estarão preparadas para atravessar as próximas mudanças.

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Afinal, o futuro não será construído apenas pelas organizações que dominarem melhor as ferramentas do seu tempo. Será construído por aquelas que entenderem, com mais coragem e responsabilidade, que nenhuma estratégia vai mais longe do que as pessoas capazes de realizá-la.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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