Katiuscia Silva
Katiuscia Silva
Mestra em Sexologia pela Universidade ISEP - Madrid. Especialista em Comportamento. Analista Corporal. Mentora. Palestrante. Treinamentos para Empresas
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NR-1 além da obrigatoriedade: um cuidado com a saúde mental

Empresas que entendem isso não estão apenas se adaptando a uma norma; estão escolhendo crescer sem adoecer quem sustenta seus resultados.

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Em 2025, o Brasil registrou 546.254 benefícios por incapacidade temporária concedidos por transtornos mentais e comportamentais, segundo dados do Ministério da Previdência. São mais de meio milhão de afastamentos em um único ano. É um sinal de que algo no ambiente de trabalho precisa ser revisto.

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Durante muito tempo, o sofrimento psíquico foi tratado como questão individual. Se alguém adoecia, a pergunta era direta: “O que essa pessoa tem?”.Hoje, estudos e dados mostram que, muitas vezes, o problema não está apenas no colaborador, mas no ambiente em que ele trabalha.

É nesse cenário que a NR1, a Norma Regulamentadora nº 1, criada em 1978 e atualizada pela Portaria nº 1.419/2024, ganha força. A norma, que estabelece diretrizes gerais de segurança e saúde no trabalho, passou a exigir que as empresas incluam os riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais.

O aviso veio antes da lei

A Organização Mundial da Saúde afirma que depressão e ansiedade provocam a perda de cerca de 12 bilhões de dias de trabalho por ano no mundo, gerando um impacto estimado em quase US$ 1 trilhão anuais em perda de produtividade.

Não é apenas sobre afastamentos. É também sobre presenteísmo, quando o colaborador está fisicamente presente, mas emocionalmente esgotado. Está ali, mas não consegue produzir com clareza e consistência.

A OMS classifica como riscos psicossociais fatores como sobrecarga constante, metas desproporcionais, jornadas inflexíveis, liderança autoritária, falhas de comunicação e insegurança organizacional. O adoecimento mental, nesse contexto, deixa de ser visto como fragilidade pessoal e passa a ser compreendido como possível consequência do modelo de gestão.

É exatamente essa mudança de perspectiva que a NR1 formaliza no Brasil.

Segundo Patrícia Miranda Santos, psicóloga organizacional especialista em gestão estratégica de recursos humanos, a virada está na forma de observar o problema. “Em vez de questionarmos ‘o que esse colaborador tem?’, precisamos perguntar ‘o que nesse ambiente está exigindo além do sustentável?’”, afirma.

Hoje, Patrícia atua na implementação dos fatores psicossociais da NR1, no desenvolvimento emocional de lideranças e no alinhamento estratégico entre sócios. Para ela, a empresa que ignora os riscos psicossociais pode enfrentar autuações administrativas, cujos valores variam conforme a gravidade da infração, porte e reincidência. Além disso, a ausência de ações preventivas e registro fragiliza a organização em eventuais disputas judiciais relacionadas a adoecimento mental ou sobrecarga.

É importante esclarecer que a lei não elimina o direito de defesa da empresa, nem garante automaticamente ganho de causa ao trabalhador. O que muda é a vulnerabilidade. Quando a empresa não demonstra prevenção e gestão estruturada, sua posição se enfraquece. Quando há mapeamento, plano de ação e registros, ela fortalece sua proteção jurídica.

O preço do silêncio

O primeiro prejuízo da negligência surge na perda de energia emocional das equipes, no aumento da rotatividade, no crescimento do absenteísmo e na queda de engajamento.

Empresas que investem na saúde emocional colhem benefícios concretos: maior produtividade sustentável, equipes mais estáveis e menor desgaste interno. A implementação real da NR1 começa pela escuta. Compreender como os colaboradores vivenciam o trabalho, identificar excessos e ajustar práticas de liderança são medidas que transformam a cultura organizacional.

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A escolha que define o futuro da empresa

A NR1 se insere em um momento de transição do mundo corporativo. Compreender a NR1 é decidir qual legado organizacional será construído. Empresas que entendem isso não estão apenas se adaptando a uma norma; estão escolhendo crescer sem adoecer quem sustenta seus resultados. Porque, no novo cenário corporativo, a maturidade emocional deixou de ser diferencial, passou a ser condição de permanência.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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