Com pouco a oferecer, o fracasso da terceira via
O que poucos comentam, contudo, é que não obstante a alta rejeição individual de Lula e dos Bolsonaros, eles não estão sozinhos. Por isso, ambos seguem protagonizando a polarização
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Nem a candidatura do presidente Lula (PT) nem a do senador Flávio Bolsonaro (PL) empolgam. Os dados saltam com persistência em todas as pesquisas de intenção de voto, de diferentes institutos e são reiterados pelo mais recente levantamento BTG/Nexus, realizado por telefone entre os dias 21 e 23 de agosto: considerando a taxa de rejeição individual líquida – ou seja, apenas entre eleitores que conhecem os candidatos – 50% declaram não votar de jeito nenhum em Lula e 51% afirmam não votar no senador. No conjunto da amostra, o potencial eleitoral de Lula é de 50%: 39% afirmam ser o único em quem votariam e 11% dizem que poderiam votar, mas também em outro. Apenas 1% afirma não conhecer Lula. O potencial eleitoral de Flávio Bolsonaro é similar, de 49%: 27% declaram ser ele o único em quem votariam e 20% afirmam que poderiam votar nele, mas também em outro. Não conhecem Flávio 4% e 1% não responderam.
O que poucos comentam, contudo, é que não obstante a alta rejeição individual de Lula e dos Bolsonaros, eles não estão sozinhos. E é exatamente por isso que ambos seguem protagonizando a polarização: nenhum dos nomes colocados como candidatos à terceira via encantou.
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Os dados são sempre singelos. Entre os 69% que conhecem Ronaldo Caiado (PSD), a taxa de rejeição líquida do ex-governador de Goiás é de 49%. A taxa de rejeição líquida de Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) – o primeiro contumaz batedor de temas aleatórios em Lula e o segundo, franco atirador em Lula, Flávio e quem estiver pelo caminho, é numericamente ainda superior. Entre aqueles 69% do eleitorado brasileiro que dizem conhecer Romeu Zema, 52% declaram não votar nele de forma alguma.
Já entre aqueles 56% que conhecem Renan Santos, 62% não votariam nele de jeito nenhum. Romeu Zema, que não terá acesso à propaganda de rádio e televisão porque o Novo não ultrapassou a cláusula de barreira, segue com os seus 3% de intenções de voto, 1 ponto percentual acima de Augusto Cury (Avante).
Zema governou Minas mas, para além do debate ideológico que está acostumado a fazer, parece ter dificuldade para discutir com propriedade políticas públicas, estatísticas de desempenho nas áreas de segurança pública, saúde e educação, além de questões fiscais objetivas de seu próprio governo. Se estivesse preparado, Zema não teria faltado ao primeiro debate presidencial promovido pela Band, onde, entre os demais candidatos que lutam para se sobressair em meio à polarização Lula-Bolsonaro, teria a apresentar a sua própria narrativa sobre a sua gestão em Minas. Zema não é conhecido como Lula e Flávio; tampouco performa como ambos nas pesquisas de intenção de voto. Está na periferia da corrida eleitoral.
Ao não comparecer sob o argumento da ausência de Lula e de Flávio, Zema dá razão aos críticos que afirmam ser o Novo nada além de linha auxiliar do bolsonarismo. Sem Lula e sem Flávio, não tem Zema. Ao final, com a candidatura à Presidência de Zema, resta ao seu partido a esperança de que, com a exposição, impulsione a eleição de uma bancada federal que lhe permita vencer a cláusula de barreira e acesse maior quinhão do fundo partidário e do fundo eleitoral, que tanto criticou, mas que usa sempre que pode.
Em contrapartida, Renan Santos não perde a chance de cuspir sobre o mundo um ódio que é também desagradável para quem acompanha as suas declarações. Para além de atacar de forma grosseira a pessoa de Lula e de Flávio, ele também trata o eleitor que fez essas escolhas como uma espécie de “escória”. Nos termos do candidato Augusto Cury, que também é psiquiatra e escritor, em desabafo dirigido a Renan Santos: “A sua agressividade me assombra”. Cury tentou explicar a Renan Santos que a agressividade “asfixia a capacidade de as pessoas terem as suas próprias opiniões”.
Por tudo isso, o retrato das pesquisas nada mais faz do que expor o drama da corrida presidencial: a polarização segue viva não por mérito das cabeças de chave, mas pelo fracasso de quem se propõe a superá-la.
Com Mateus
Embora a federação PSDB-Cidadania esteja coligada com o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), em decisão da Executiva estadual, o Cidadania de Minas declarou apoio à candidatura à reeleição do governador Mateus Simões (PSD). Em manifesto entregue a Mateus Simões, o prefeito de Nova Lima e presidente estadual da legenda, João Marcelo Dieguez apontou para as prioridades que orientam a aliança, entre elas o fortalecimento dos municípios, a previsibilidade dos repasses e os investimentos em infraestrutura, saneamento e educação profissional.
Um pé, duas canoas
O vereador e candidato a deputado federal Vile Santos (PL) está presente em diversos atos de campanha ao governo de Minas do senador Cleitinho (Republicanos). Sobram vídeos postados nas redes sociais de ambos. A “infidelidade” com a candidatura de Flávio Roscoe (PL) ao Palácio Tiradentes é minimizada pelo partido. Colado em Cleitinho, Vile monitora a campanha do senador e o apoio dele a Flávio Bolsonaro.
Confins
Faltando três dias para entrar em vigor a proibição de tráfego de táxis de cidades sem acordo de integração com Belo Horizonte nas pistas do Move, foi anunciado em audiência pública realizada pela Comissão de Mobilidade Urbana, Indústria, Comércio e Serviços, na tarde desta segunda-feira (24/8), que a Prefeitura de BH deve enviar, nos próximos dias, minuta propondo termos de integração com a cidade de Confins, onde fica localizado o maior aeroporto do estado e de onde taxistas da capital reivindicam o direito de poder buscar passageiros.
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Pistas do Move
Durante a reunião com representantes da Superintendência de Mobilidade de BH (Sumob), Guarda Civil Municipal e sindicatos, representantes da categoria relataram prisões e multas aplicadas pelo município de Confins quando eles atuam no aeroporto. O vereador Diego Sanches (Solidariedade), um dos solicitantes da audiência, ressaltou que a reciprocidade é o objetivo da proposta de acordo, concedendo em troca aos profissionais de Confins que possam continuar trafegando nas pistas do Move.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
