Bertha Maakaroun
Bertha Maakaroun
Jornalista, pesquisadora e doutora em Ciência Política
EM MINAS

Flávio e Lula em disputa pelo pêndulo de Minas

A mineira é, neste momento, ainda uma sucessão incerta. Depois de Flávio Bolsonaro (PL) esta semana em apoio a Flávio Roscoe (PL) é a vez de Lula marcar presença.

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O presidente Lula (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) chegam a Belo Horizonte, nesta sexta-feira, 20, com o propósito de alavancar a candidatura de Patrus Ananias (PT) ao governo do estado. Liderança do senador Cleitinho (Republicanos) à parte, diante de um cenário eleitoral fragmentado à direita e à esquerda, Lula precisa de uma eleição em dois turnos no estado. E de preferência que Patrus esteja lá. Na hipótese de Patrus não chegar, que pelo menos o faça um nome do campo não bolsonarista. Tal condição é essencial para que o presidente, que busca a reeleição, tenha no segundo turno da disputa presidencial uma estrutura de apoio no estado. Ao menos uma candidatura não bolsonarista num eventual segundo turno da sucessão mineira também evitaria a coesão das forças políticas da direita e o isolamento do campo da esquerda. A mineira é, neste momento, ainda uma sucessão incerta. Depois de Flávio Bolsonaro (PL) esta semana em apoio a Flávio Roscoe (PL) é a vez de Lula marcar presença.

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Diante da grande probabilidade de a sucessão estadual de São Paulo, maior colégio eleitoral do país, se encerrar no primeiro turno – entre os sete candidatos registrados, apenas Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) têm estrutura partidária e acesso ao fundo eleitoral – Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral, assume particular relevância. Embora Lula seja favorito neste momento, a campanha presidencial é dura, tende a ser vencida por estreita margem e, assim como ocorreu recentemente entre os países vizinhos, não se descarta que Donald Trump e as big techs associadas venham a operar para impulsionar Flávio Bolsonaro (PL). Há também investigações em curso do Caso Master e do INSS que podem ser conduzidas em prejuízo aos dois lados, em conveniente timing. São muitas as incertezas. Mas, são essas possibilidades que o mundo da realpolitik não deve descartar. Lula sabe disso. E o Flávio também.

Lula não quer que esta sucessão em Minas repita 2022: Romeu Zema (Novo) se reelegeu em primeiro turno com um discurso suave para não espantar o eleitor “Luzema”. Mas no segundo turno, Zema sacou da cartola o seu virulento anti petismo, até então camuflado, alinhavando com o bolsonarismo uma frente orgânica de empresários e políticos em apoio a Jair Bolsonaro. Com a força da máquina administrativa, prefeitos da Região Metropolitana e cidades pólo foram pressionados a aderir à campanha presidencial bolsonarista. Empresários se juntaram para “convencer” funcionários: o Ministério Público do Trabalho em Minas Gerais (MPT-MG) registrou 812 queixas de assédio eleitoral em 2022. Zema não virou a eleição em Minas. Mas, entre o primeiro e o segundo turno, reduziu de 4,69 pontos percentuais para 0,49 ponto percentual a distância entre Bolsonaro e Lula. O estado pêndulo, que em 2018 deu vitória a Jair Bolsonaro, em 2022, numa photo-finish, garantiu a eleição do petista.

Para 2026, a candidatura de Patrus – exceção à Rede – unificou o campo da esquerda. Estarão no palanque de Lula, estendido na Praça da Estação – uma aposta ousada, considerando a amplitude do espaço – todos os partidos aliados da federação, inclusive o PSB, que teve lá os seus dissensos e o empurrão da executiva nacional para fechar a coligação, apresentando Jarbas Soares (PSB) para vice na chapa de Patrus.

Lula precisa exibir força na praça, para que as imagens percorram as redes e estimulem simpatizantes. Nestes tempos, não anda fácil colocar 20 mil na rua. Que o digam Flávio Roscoe e Flávio Bolsonaro, que com uma mobilização às pressas, tiveram um público menor do que o esperado em 17 de agosto, no ginásio Mackenzie.

Na praça ou no ginásio, segue a disputa nacional pelo pêndulo. Se na sucessão estadual é incerto o desfecho do primeiro turno, é grande a chance, no plano nacional, de PT e os Bolsonaros repetirem 2018 e 2022. Minas antecipa o Brasil. Por isso, para que lado gira, importa. E muito.


Amistoso

Para além do cordial debate entre candidatos ao governo de Minas promovido pela Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Granbel) nesta quinta-feira, 20, também no intervalo, Mateus Simões (PSD), Patrus Ananias (PT) e Gabriel Azevedo (MDB) trocaram amabilidades. Em mineirês, a velha máxima da política volta à cena: aqui brigam as ideias, não as pessoas.

Aposta

O vereador Pedro Patrus (PT) lançou nesta quinta-feira a sua candidatura à Câmara dos Deputados, em um evento que atraiu quase toda a bancada estadual do PT, além do candidato ao governo, Patrus Ananias (PT) e a candidata ao Senado, Marília Campos (PT). Pedro Rousseff é a aposta da legenda em Minas para renovar e alavancar votos. Pedro Rousseff é sobrinho de Dilma Rousseff, presidente do Banco Brics. Ela virá a Belo Horizonte no final de setembro para apoiar Pedro Rousseff e votar em 4 de Outubro.

Promoção

O promotor Leonardo Castelo Branco foi promovido por antiguidade ao cargo de procurador de justiça nesta segunda, 17, em sessão do Conselho Superior do Ministério Público. A posse será em 18 de setembro, na Procuradoria Geral de Justiça. Natural do Rio de Janeiro ( papai que era do Piauí ), Leonardo fez carreira em Minas Gerais: atuou por 28 anos como promotor de justiça. Destacou-se à frente da Promotoria de Tóxicos, em Belo Horizonte. É mestre em Direito pela Faculdade Milton Campos (2008), pós-graduado com especialização em ciências penais pelo Centro Universitário de Belo Horizonte – UNA (2001) e graduado em Direito pela Faculdade Cândido Mendes (1993). Leonardo Castelo Branco foi membro titular do Conselho Estadual Antidrogas (Conead) e membro suplente do Conselho Municipal Antidrogas (Comad). Antes de ingressar no Ministério Público, foi delegado da Polícia Civil de Minas Gerais.

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Michel Temer

O ex-presidente Michel Temer (MDB) irá acompanhar, nesta segunda-feira, 24 de agosto, a première do documentário “963”, dirigido por Bruno Barreto, no Cineart do Shopping Ponteio, em Belo Horizonte. A produção retrata os 963 dias da Presidência de Michel Temer, período conturbado da história política recente, após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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