Livro resgata memória e registra história do ''Estado de Minas''
Jornalista Alberto Sena planeja para o mês que vem o lançamento de "A alma da Rua Goiás 36", sobre os anos em que o jornal ocupou esse endereço no Centro de BH
Mais lidas
compartilhe
SIGA NO
Fiquei muito feliz com a recente notícia que recebi que o meu colega, o jornalista Alberto Sena, está escrevendo um livro, que deverá ser lançado até o fim de setembro, sobre os anos em que o jornal Estado de Minas ocupou o prédio da Rua Goiás, 36, no Centro de Belo Horizonte.
O prédio fica atrás da Prefeitura. Apesar de não ser alto, era grande, metade do quarteirão e se estendia até a Avenida Augusto de Lima. Ficava entre o Hotel Del Rey e um prédio pequeno na esquina, que, se não me engano, era um hotelzinho antigo, ou apartamentos.
Leia Mais
Nosso colega Meira, que trabalhava no setor de Telex, morava lá. E o andar que dava para a Rua abrigava a Gruta Goiás, a Lanchonete Nacional e a loja de Pequenos Anúncios e Classificados do jornal.
Nosso prédio abrigava também a oficina de impressão, quando o sistema ainda era a quente – derretia chumbo no fogo, e a montagem das páginas era por linotipia. Comecei a trabalhar lá em 1976, como secretária do meu pai, Camilo Teixeira da Costa, que era diretor-executivo, na parte da tarde.
Recebia mesada, não era registrada, isso porque tinha começado a namorar um rapaz que ele não queria, então decidiu ocupar o meu tempo. Fui contratada pelo dr. Pedro Aguinaldo Fulgêncio em 18 de maio de 1977. Lá se vão 49 anos de empresa, de forma legalizada.
Quem me contou do livro foi Leo Perez, que teve vários membros da família trabalhando na empresa. Ele me mandou um texto lindo que publico abaixo:
“O livro ‘A alma da Rua Goiás 36’, obra conduzida com a mestria e o afeto do jornalista Alberto Sena, está na sua fase final. Para quem traz o jornalismo no sangue, ou na alma, aquele endereço no Centro de Belo Horizonte não é apenas um ponto no mapa. Ali funcionaram, por décadas, a Redação e a oficina do jornal Estado de Minas.
Pelos seus corredores circularam gigantes que fizeram da imprensa mineira uma referência respeitada no Brasil e no mundo. O livro vai ser uma verdadeira enciclopédia de uma época em que a notícia nascia do suor, do papel e da paixão.
A história do jornal Estado de Minas se confunde com a história da minha própria família. A Perez Family é parte intrínseca deste enredo: meu avô, Maximino Perez, dedicou 40 anos da sua vida à oficina de impressão, naquele mesmo endereço; meu pai, Rogério Perez, marcou época entre 1966 e 1986, como repórter, colunista, enviado especial e editor; e meu tio, Luiz Fernando, emprestou seu talento como secretário de Redação e revisor. Na publicidade, o meu tio José Feliciano, o Pardal, casado com a tia Nancy Perez, tinha uma agência de publicidade que recebia os pequenos anúncios do jornal.
Ainda menino, aos finais de semana, eu caminhava por ali, enquanto acompanhava meu pai nos plantões da Redação. Lembro-me perfeitamente do longo corredor da portaria e do pequeno elevador nos fundos. Antes mesmo que a porta do elevador se abrisse, o som da Redação já nos alcançava: uma verdadeira sinfonia embalada pelo ritmo frenético das máquinas de escrever.
A cena era viva e inesquecível: dezenas de mesas tomadas por laudas com anotações, cinzeiros, rolos de papel, canetas Bic, aparelhos de fax, catálogos telefônicos, lixeiras lotadas de papéis amassados e telefones fixos. No centro de tudo, uma equipe que trabalhava com uma alegria contagiante e uma entrega genuína.
Destaque também para o varandão debruçado sobre a Rua Goiás. O palco perfeito para as conversas mais reservadas e os bastidores das grandes reportagens. Posso dizer, com orgulho e nostalgia: eu vivi a alma da Rua Goiás, 36.
O prefácio do livro está na pena do amigo Olympio Coutinho. A obra já está com vendas antecipadas, pelo valor de R$ 80, via Pix: 15615219653.”
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
* Isabela Teixeira da Costa/Interina
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
